Vivemos num mundo de injustiça.
Senão, vejam:
Primeira injustiça:
O inenarrável ministro Pereira esqueceu-se, imagine-se, de renovar os contratos da GNR com as empresas de limpeza que mantinham bem cheirosos os quartéis.
Em resultado de tal esquecimento, os briosos militares vêem-se na contingência de ser eles próprios a limpar as instalações! “Serviços mínimos”, é evidente. Nada de esfregar escadas ou de limpar sanitas!
Segundo a organização sindical dos guardas, trata-se de uma “afronta à dignidade dos militares”!
Não sei se os soldados da GNR são licenciados, como acontece à esmagadora maioria dos portugueses, estando consequentemente acima de limpezas. Sei que, em recuados tempos, quem sabe se por causa do fascismo, os soldados limpavam as botas, as latrinas, o chão, varriam a parada, engomavam as calças, pregavam botões, etc., etc., e ainda tinham tempo para serviços de faxina e para prestar os concomitantes serviços aos senhores oficiais.
Coisas consideradas dignas noutros tempos, por ventura ominosos.
Hoje é diferente. A dignidade é outra coisa. Tais tarefas são reservadas a africanos, brasileiros, romenos, moldavos e companhia, todos civis.
Na sábia opinião do ilustre “representante” da soldadesca, senhor Alho, deve tratar-se de gente “sem dignidade”, legitimamente sujeita a “afrontas”, a fim de salvaguardar a alta posição sócio-profissional do pessoal de serviço.
Segunda injustiça
A giríssima senhora dona Cristina Lagarde vai ganhar uns miseráveis 32.000 euros por mês como comandante geral do FMI.
O pintodesousista Fábio Coentrão vai ganhar 200.000 euros por mês no Real Madrid.
Ela, coitadinha, vai tratar de safar, com milhões de milhões, uma data de pedintes. Só em Portugal, na Grécia e na Irlanda, são umas dezenas de milhões deles.
Ele, sortudo, vai, espera-se, consolar uns milhares de adeptos da bola, ainda por cima castelhanos.
Veja bem os critérios da modernidade.
O IRRITADO propõe que os guardas republicanos passem a ganhar pelo menos tanto como a dona Cristina e que nunca mais sejam coagidos a desempenhar tarefas “indignas”.
Outrossim opina que o Coentrão passe a cortar a relva do estádio e a distribuir o ordenadinho pelos necessitados, como é solidário apanágio dos socialistas.
Assim se faria justiça, não acham?
6.7.11
António Borges de Carvalho

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