Calcule-se o horror que é termos ficado a saber que a TAP, unilateralmente, vai reduzir o pessoal de cabine. Um artista por avião.
Onde pode chegar a exploração capitalista, o fascismo, a exploração do homem pelo homem, a falta de respeito pelos sindicatos, pelo senhor Carvalho da Silva e pelo careca da UGT!
Intolerável! Injusto! Um verdadeiro casus belli!
E porque é um casus belli da maior gravidade os sindicatos, ou lá o que é, responderam com justa fúria à inqualificável decisão: 5 dias de greve em Junho e mais cinco em Julho. Toma que é para saberes!
Nós, passageiros, que já não podemos fumar, nem comer, nem coisa nenhuma a não ser em particulares circunstâncias e pagando somas astronómicas, bem podemos, na maior parte dos voos, dispensar as meninas e as velhas, os meninos e os velhos, e substituí-los por um gorila que meta na ordem os tipos que deitam o papel higiénico na pia ou se preparam para fazer explodir alguma bomba.
Sem aquela gente, uns chatos prenhes de soberba e de estupidez, bem podemos voar mais à vontade, não levar raspanetes nem ser obrigados a aturar o cubano mal cheiroso que vai ao nosso lado.
Mas, enfim, é sabido que os passageiros são puro gado e jamais tiveram direito a qualquer opinião. Por isso, o melhor é calar.
Vejamos o caso do ponto de vista da “cidadania”.
Como se pode entender que a classe voante paralise a companhia durante dez dias, com o extraordinário argumento da não ter sido pedida autorização aos sindicatos para diminuir em uma unidade o números de tripulantes?
Como se pode aceitar que esta gente, só com o anúncio da greve, já esteja a provocar milhares de cancelamentos, em favor, é claro, de companhias estrangeiras?
Como se pode engolir que esta gente paralise a companhia justamente no período em que ela tem mais passageiros?
Que entendimento é este do direito à greve, num país faminto e arruinado?
Que clientes vai haver para comprar a TAP, com este “espírito de corpo” por parte do pessoal menor, com o que se sabe do sentido de “responsabilidade” dos pilotos, com cancros como a Groundforce, a Portugália, etc?
É claro que esta malta sabe que, quando outros patrões se apresentarem, vão dar um pontapé no rabo a uns milhares de fulanos e fulanas que, como toda a gente sabe – basta olhar para os rácios – estão lá a mais.
Então, vai de arruinar a coisa de forma que os compradores comprem mais barato e ponham ainda mais gente na rua.
Inteligente, não é? Ainda mais, patriótico!
1.6.11
António Borges de Carvalho

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