IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


INTELIGÊNCIA E PATRIOTISMO

 

Calcule-se o horror que é termos ficado a saber que a TAP, unilateralmente, vai reduzir o pessoal de cabine. Um artista por avião.

Onde pode chegar a exploração capitalista, o fascismo, a exploração do homem pelo homem, a falta de respeito pelos sindicatos, pelo senhor Carvalho da Silva e pelo careca da UGT!

Intolerável! Injusto! Um verdadeiro casus belli!

E porque é um casus belli da maior gravidade os sindicatos, ou lá o que é, responderam com justa fúria à inqualificável decisão: 5 dias de greve em Junho e mais cinco em Julho. Toma que é para saberes!

 

Nós, passageiros, que já não podemos fumar, nem comer, nem coisa nenhuma a não ser em particulares circunstâncias e pagando somas astronómicas, bem podemos, na maior parte dos voos, dispensar as meninas e as velhas, os meninos e os velhos, e substituí-los por um gorila que meta na ordem os tipos que deitam o papel higiénico na pia ou se preparam para fazer explodir alguma bomba.

Sem aquela gente, uns chatos prenhes de soberba e de estupidez, bem podemos voar mais à vontade, não levar raspanetes nem ser obrigados a aturar o cubano mal cheiroso que vai ao nosso lado.

 

Mas, enfim, é sabido que os passageiros são puro gado e jamais tiveram direito a qualquer opinião. Por isso, o melhor é calar.

Vejamos o caso do ponto de vista da “cidadania”.

Como se pode entender que a classe voante paralise a companhia durante dez dias, com o extraordinário argumento da não ter sido pedida autorização aos sindicatos para diminuir em uma unidade o números de tripulantes?

Como se pode aceitar que esta gente, só com o anúncio da greve, já esteja a provocar milhares de cancelamentos, em favor, é claro, de companhias estrangeiras?

Como se pode engolir que esta gente paralise a companhia justamente no período em que ela tem mais passageiros?

Que entendimento é este do direito à greve, num país faminto e arruinado?

Que clientes vai haver para comprar a TAP, com este “espírito de corpo” por parte do pessoal menor, com o que se sabe do sentido de “responsabilidade” dos pilotos, com cancros como a Groundforce, a Portugália, etc?

 

É claro que esta malta sabe que, quando outros patrões se apresentarem, vão dar um pontapé no rabo a uns milhares de fulanos e fulanas que, como toda a gente sabe – basta olhar para os rácios – estão lá a mais.

Então, vai de arruinar a coisa de forma que os compradores comprem mais barato e ponham ainda mais gente na rua.

 

Inteligente, não é? Ainda mais, patriótico!

   

1.6.11

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “INTELIGÊNCIA E PATRIOTISMO”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    As viagens aéreas são, de facto, uma experiência singular da era moderna. Hoje é possível comprar um bilhete para Xangai, até de véspera, com (quase) a mesma rapidez e facilidade com que se encomenda um táxi, ou uma pizza. Uma maravilha. Só que ao chegarmos ao aeroporto – pelo menos duas horas antes, advertem-nos – começa a tal experiência singular: somos GADO, como escreveu o Irritado, levado através de corredores próprios (não vá alguma rês tresmalhar), de fila em fila, de inspecção em inspecção, tolerando tudo como bons “cidadãos modernos” – incluindo todos os caprichos, atrasos, contingências, e proibições arbitrárias. Cada aeroporto, cada avião, é como um pequeno Estado totalitário, que faz o grande favor de nos transportar, para onde pagámos para ir. Orgulhoso, e ao mesmo tempo temeroso desse mundo tão transcendente, o homem moderno tenta ser digno de pertencer-lhe: submete-se, espera onde lhe mandam, fuma em cubículos imundos, isto no milagre de o deixarem, come se lhe dão comida, conforma-se se não lha dão, e dá-se por feliz se não lhe caírem as calças (ao tirar o cinto), ou se o deus-piloto não tiver bebido uns martinis a mais, na noitada da véspera.

  2. Fazem greves porque ganham muito. Deveriam começar por ganhar a média nacional e se não gostassem arranjavam-se novos empregados.E o mesmo se aplica à CP.(Talvez até fosse bom pô-los (a uns e outros) uns meses ou uns anitos a trabalharem, sei lá, numa vidreira ou numa metalúrgica ou a amanhar frangos e a ganharem o que os que lá estão ganham).Tanta elite já mete nojo.

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