O nosso intolerável primeiro-ministro e o seu inacreditável número dois anunciaram que vão lançar mais medidas de austeridade.
Coitados, têm razão. O senhor Pinto de Sousa vai ser recebido em audiência pela dona Ângela. A dona Ângela não é parva, sabe perfeitamente que o tipo não é de confiança e quer segurar o dinheirinho dos seus próprios contribuintes caso venha a cedê-lo a esta gente.
Por isso, preparemo-nos alegremente para levar mais uma marretada.
O Estado socialista, esse, é para guardar tal e qual como está. Nem uma palavra sobre o corte da despesa, que continuará a sua brutal marcha para o (nosso) abismo.
Talvez o governo anuncie que vai extinguir umas “agências publicas” – nome genérico – sobretudo as que já estão extintas ou que nunca chegaram a existir. Não seria a primeira vez. Os milhares de outras que por aí vicejam (mais de 14.000!!!) sem que sirvam senão para duplicar, triplicar ou quadruplicar instâncias estatais ou autárquicas, continuarão a vicejar. As ditas instâncias, por si, também não devem servir para nada – senão as “agências” não eram “precisas”…
O senhor Pinto de Sousa chegará a Berlim com um pacote debaixo do braço, para oferecer à dona Ângela. Dentro do pacote, mais receita: mais impostos, mais perseguições à economia, mais recessão, mais a venda da TAP, se alguém a comprar, mais uns palácios em hasta pública, mais receita, mais receita, mais receita.
O estado socialista não vai deixar cair os boys, coitados, que têm visto aumentar os rendimentos via cargos, comissões, reuniões, grupos de trabalho (só desde Janeiro, já lá vão mais 40!), empresas municipais, “agências”, um imenso universo de ruinosa rebaldaria.
Nos boys não se toca.
Porquê?
Seria útil fazer um estudo sociológico – sociólogos é o que está a dar – sobre a natureza dos 25% de votos que as sondagens ainda dão ao PS, e ver, nestes, qual o peso dos boys ou equivalentes. Ficaríamos com uma noção das razões que levam a desgraça que nos governa a não tocar na despesa.
Dona Ângela devia pensar duas vezes antes de, sequer, apertar a mão ao senhor Pinto de Sousa.
Devia perceber que não é com mais marretadas na cabeça das pessoas que a economia reanima e que se pode criar condições para pagar o que se deve e vai dever.
Devia puxar as orelhas ao fulano e perguntar-lhe o que tenciona fazer ao monstro estatal que construiu e continua a alimentar e a inchar.
Devia mandá-lo extinguir todas as comissões, todos os grupos de trabalho, todos os altos-comissários, todas as autoridades, todas as empresas públicas, e por aí fora.
Devia obrigá-lo a pôr o Estado e as autarquias a desempenhar as funções que lhes competem sem recorrer a parasitas.
Devia proibi-lo de lançar mais impostos.
Devia obrigá-lo a abolir as leis celeradas que criou, por exemplo as que transformaram as finanças em instância judicial, as que esmagam direitos elementares, as que ajudam a Justiça a criar injustiça.
Devia aconselhá-lo, com caridade e firmeza, a ir para casa, a não arruinar mais o país, a não achar que precisamos dele, nós ou a Europa.
Não é com pus que se trata feridas.
1.3.11
António Borges de Carvalho

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