A reforma das reformas de Monsieur Sakozy (em Portugal seria Prof. Sarkozy, Doutor Sarkozy, Dr. Sakozy, Eng. Sakozy, Arq. Sarkozy…) tem provocado a indignação das gaulesas massas. Indignação propriamente dita, porque é indigno de pessoas de bem, ou do povo francês, indignar-se por ter que trabalhar mais dois anitos. Indigno e estúpido, já que os tais dois anitos poderiam das aos protestadores algum acréscimo de segurança quanto ao futuro… das suas reformas.
Aqui há uns quinze dias houve um milhão nas ruas, diz a polícia, houve dois milhões, dizem os “trabalhadores”.
Anteontem houve 65.000 pessoas, segundo a imprensa, que andaram aos gritos pelo mesmo motivo. Os jornais portugueses atribuem a estes protestos significados vários: o Sarkozy tem ali um problema para resolver, os protestos populares aumentam de tom, a contestação vai de vento em popa… tudo “análises” do mesmo jaez.
As perguntas são as seguintes:
a) Tendo os protestadores de rua baixado de um ou dois milhões para sessenta e cinco mil, como é possível tirar daí conclusões deste tipo?
b) Que os protestadores são estúpidos já o IRRITADO tinha percebido. Mas, neste caso, fica a dúvida: os nossos jornais também são estúpidos, ou é o IRRITADO que não ter o juízo todo?
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Portugal foi eleito para o Conselho de Segurança da ONU, em posição de “não permanente.
Pois. Parabéns.
As perguntas são estas:
a) Qual é a real vantagem da eleição para Portugal, para além do “prestígio” de a ter ganho, depois da desistência do Canadá?
b) Quanto vai custar ai país tão honrosa distinção (viagens, diplomatas, apartamentos, ajudas de custo, despezas de representação, subsídios de deslocação, viaturas, funcionários, etc.?
c) Qual será o resultado final em matéria de custos/benefícios? Imponderável?
13.10.10
António Borges de Carvalho

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