Há coisas que nem o mais esperto consegue perceber.
Um bom exemplo desta asserção é o que se tem passado com a sociedade em geral e com a classe política em particular relativamente às últimas asneiradas do PGR.
O Dr. Pinto Monteiro está “no poder” há mais de dois anos. Após as mais diversas atrapalhações e maluquices, depois de ter queimado o que não lhe interessava mas que a nação tinha o sagrado direito de saber, depois de se ter, publicamente, zangado com estes e com aqueles dos seus colegas e subordinados, depois de trapalhices só comparáveis, desde que tenho memória, às do seu protegido Pinto de Sousa, subitamente descobriu que a culpa de tudo é nem mais nem menos que da falta de poder que a Lei lhe outorga. Para provar a justeza da sua opinião, decidiu comparar-se a S.M. a Rainha de Inglaterra, assim mostrando que, além de estúpido, é carroceiro.
Ó espanto, isto não é o pior. O pior é que a classe política, tanto a que o quer ver na rua como a que lhe paga a protecção, se pôs a pensar nos tais poderes que o homem tem a menos. Ao ponto de lhe permitir pronunciar-se sobre a “reforma” que deseja, e dar a melhor atenção às suas opiniões.
Depois, ou antes, já não sei, para dar mais “sal” à questão, o CSMP desatou a doutrinar sobre o mesmo assunto, alegando, evidentemente, o contrário do que o homem opina.
Não ficamos por aqui. Desgraça das desgraças, a classe política, em vez de mandar calar um e outros, mais que não fosse ignorando as opiniões expendidas e relegando o assunto para tempo e lugar próprios, dá atenção a mais este brutal descrédito de instituições que se digladiam na praça pública, como se de peixeiras se tratasse.
O Estado “de direito” segue, assim, o mesmo caminho do Estado “social”: a ruína.
O Presidente assobia para o ar, o PM acha muito bem, a oposição anda a pensar na revolução socialista, passeia nas feiras de roupa falsificada, entretem-se em avanços e recuos sobre questões fundamentais.
O PGR, afinal, é o PGR que esta gente merece.
13.9.10
António Borges de Carvalho

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