IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O sono da razão

Quando o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) era ministro do ambiente, avançou com a ideia da co-incineração. Havia demasiada porcaria industrial acumulada, era preciso acabar com ela.

Achei bem. Cheguei a escrever uma carta ao lider da oposição (dr. Barroso), a recomendar-lhe que não se deixasse arrastar pelos gritos dos chamados ecologistas, pelas lamúrias demagógicas do senhor Alegre (de Melo Duarte, por parte do pai), que não desse ouvidos aos bailaricos dos presidentes de junta com as presidentes de câmara, enfim, a explicar-lhe que era preferível, guardadas certas cautelas, queimar os resíduos do que continuar a deixar por aí milhares de toneladas de perigosa trampa. Como é óbvio, e de timbre em Portugal, a minha carta não mereceu sequer um aknowledgement por parte do seu ilustre destinatário. Mas ficou dito, e a minha consciência tranquila.

Foi-se o inefável Guterres, e com ele o Pinto de Sousa (Sócrates). Veio o dr. Barroso. Acabei por ter que lhe tirar o chapéu: o homem descobriu outro sistema qualquer que, levando aos mesmos resultados, parece que era mais limpo, ou coisa que o valha. Os municípios aceitavam, o preço, diz-se, era razoável, e até os ecologistas gostavam! A coisa entrou em preparação. Veio o dr. Santana Lopes, e força, para a frente é que é o caminho!

Depois do golpe de Estado, o seu beneficiário (Pinto de Sousa – Sócrates) tratou de deitar tudo fora. Alto, que isto vai ser como eu quero! É a co-incineração, e acabou-se! Esta espantosa demonstração de teimosia, ou arrogância, ou estupidez, ou autoritarismo saloio – de que os portugueses tanto gostam – levou a que se deitasse no caixote do lixo o que já se tinha gasto com o sistema Barroso. As cimenteiras deram fogo à peça, isto é, começaram a queimar a trampa.

Acho muito bem que se queime a trampa.

A análise retrospectiva, prospectiva e hermenêutica desta importante matéria leva a concluir:

a) que o importante não é desfazer-se da trampa;

b) que o importante não é encontrar o melhor meio para se desfazer da trampa;

c) que o importante é satisfazer as vontadinhas do senhor Pinto de Sousa (Sócrates);

d) que se deitou ao mar uma pipa de massa;

e) que as cimenteiras estão muito contentes;

 f) que o que for se verá.

 

Já não sei quem dizia que “o sono da razão engendra monstros”. Mas sei que tinha toda a razão.

 

 

António Borges de Carvalho


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