Como toda a gente sabe, Portugal não é propriamente o que se chama um actor de peso na cena internacional. Não tem para tal peso politico, nem económico, nem social. Nem gente de qualidade que se imponha.
Por isso que seja importante a tomada de certas posições por parte de portugueses, posições que dão visibilidade e algum prestígio ao país.
Para além dos mourinhos e dos ronaldos, há o professor Damásio e mais meia dúzia de outros, que estão no galarim da fama por mérito próprio, sem recurso a terceiros. Há também os que, por uma razão o outra, foram “escolhidos” por instâncias internacionais. Destes, o mais importante é, de longe, Durão Barroso, na UE. Há também Jorge Sampaio, na ONU. E pronto.
Nunca fui grande admirador de Durão Barroso. De Jorge Sampaio, nem grande, nem pequeno. No entanto, ambos vão desempenhando as suas funções mais ou menos a contento de quem os emprega. Não nos envergonham e dão visibilidade a esta chafarica.
Está na altura de tratar da reeleição de Barroso. O governo socialista, que soe fazer quase só asneiras, apoia-o porque sabe que seria absurdo e injustificável não o fazer. Sabe também que não há a mais remota das hipóteses de apresentar qualquer alternativa com pés para andar.
Neste quadro, aparece o senhor Soares aos gritos, que o rapaz é inteligente, mas não passa de um bandido, que até esteve na cimeira dos Açores, sendo o único dos participantes nela que ainda se mantém no poder e que é urgente abater.
Esquece o odioso senhor que Aznar não se recandidatou e que o PP perdeu as eleições por causa do ataque de medo que invadiu os espanhóis após o crime de Atocha, provocando, por um lado, uma reviravolta eleitoral com catastróficas consequências para o futuro e a imagem internacional da Espanha e, por outro, constituindo a maior vitória política jamais alcançada pela Alcaida. O senhor Bush também não se recandidatou. O senhor Blair foi objecto de uma “remodelação” que, há anos, estava prevista e “contratada”.
Isto é, nenhum deles deixou o poder por causa da cimeira dos Açores. Mas, para Soares, o que interessa não é a verdade: interessa o que o seu ódio visceral, anti-patriótico e anti-democrático, determina a cada passo. Soares trata como deuses os seus amigos, por exemplo Chávez, e persegue sem quartel os que não pertencem ao clube socialista.
Barroso é português? Pois que se lixe! Se não é socialista, que vá à vida!
Assim se vê o que a idade e ódio fizeram ao Dr. Soares: revelaram a grande alma de português que o anima.
António Borges de Carvalho

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