Se heis perdido a “Quadratura do Círculo” de ontem, não sabeis o que heis perdido. Foi muito melhor que ir ao cinema ver a uma comédia negra do Fantasporto ou um episódio dos Monty Pyton.
Dantes, o representante da situação no programa era o Coelho. Demagogo de serviço, mandava as suas bocas com um sorriso nos lábios. Às vezes até tinha razão. Quando o Coelho partiu para mais altos voos, foi substituído pelo Costa. Este, sabidão, faz o mesmo papel, às vezes, reconheça-se, com mais categoria que o antecessor.
Ontem, porém, o homem perdeu a cabeça. Entrou de corpo inteiro, como um louco, na teoria do oculto. Conseguiu ultrapassar o chefe no histerismo negacionista da evidência. O senhor Pinto de Sousa, como diz o PGR, é suspeito de coisa nenhuma. Sim, é verdade, há uma investigação, mas tal investigação nada tem a ver com o senhor Pinto de Sousa! Não é testemunha, não é suspeito, não é arguido, não é acusado de coisíssima nenhuma. Instado pelo Pacheco e pelo Xavier, que, coitados, achavam que ele os estava a comer por parvos, o homem desatou a espernear, que era o jornal que tinha sido fundado por esse luminar da ciência que é o Silva e que ora se encontra nas mãos de outrem, cujo nome o Costa nem pronuncia, o autor de uma campanha, ao serviço dos poderes ocultos, etc., blá blá blá. Desorbitado, corado, suado, o Costa cada vez esperneava mais. Quando lhe sugeriram que o senhor Pinto de Sousa é, pelo menos para os britânicos, considerado suspeito, não se pode descrever a paranóia dos argumentos, repetidos mil vezes, a ver se se tornavam verdadeiros. Um espectáculo verdadeiramente hilariante.
Bom. Façamos cenários, como diria o Sousa. Que quer isto dizer? Como é que um político tão espertalhão como o Costa entra no histerismo, correcto e aumentado, do chefe?
Vejamos:
– se o chefe cair, o número dois sobe, não é? Sobe sem ter o odioso de se ter oposto a ele, ou de o ter criticado.
– se o chefe não cair, então ele continuará no degrau de cima, com o grande trunfo da impoluta fidelidade que o caracteriza.
Se calhar, meus amigos, a loucura negacionista não era loucura nenhuma. Era só uma sabichonice do mais alto coturno.
6.3.09
António Borges de Carvalho

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