O senhor Obama arrancou com uma campanha de charme internacional, corporizada pelo sorriso odontológico, quer dizer, de plástico, da dona Hilária. Se mostrar a dentadura fosse cura para as feridas do mundo, estávamos na maior.
O pior… vejam este exemplo:
Ontem, na primeira página, o Figaro noticiava que a Administração americana tinha prometido aos russos que desistiria do programa anti-míssil em troca dos bons ofícios do senhor Medvedev para convencer o Amadinejá a desistir do programa nuclear iraniano.
O IHT, também em primeira página, referia que o porta-voz do Medvedev tinha desmentido categoricamente tal notícia.
Ou o senhor Obama não fez a proposta, sendo de estranhar que não tenha havido qualquer desmentido por parte da Casa Branca, ou o senhor Medvedev ignorou, orgulhosa e displicentemente, a ingénua promessa do homem.
É sabido que a tecnologia nuclear iraniana, ou grande parte dela, é de origem russa. O desmentido do Kremlin quer, por isso, dizer duas coisas: primo, que os russos têm outros trunfos na manga para acabar com o programa anti-míssil dos americanos, ou para, por estranho que pareça, entrar nele; secundo, que os negócios com o Amadinejá vão de vento em popa e que a história do escudo anti-míssil não é suficientemente importante para os pôr em causa.
Pode compreender-se que o jóvem Obama, no princípio de um mandato tão auspicioso como difícil, se mostre um tanto ou quanto naïf. Mas que as dentolas de uma rata sábia como a dona Hilária não saibam aconselhá-lo já é mais difícil de entender.
6.3.09
António Borges de Carvalho

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