LIBERDADE PARA O POVO
Andamos nós preocupados com os juízes que, todos os dias, mandam em paz criminosos apanhados em flagrante delito, como aquele que andou aos tiros numa esquadra de polícia.
Pelos vistos este tipo de procedimento está a espalhar-se, talvez por uma questão de “direitos humanos”.
Ora vejam. No comboio, um tipo saca a outro uma pasta cheia de dinheiro. Pouco depois, é apanhado pela GNR.
Segundo os jornais, o homem, na segunda-feira seguinte, ao contrário do que lhe tinha sido ordenado, não compareceu perante o juiz de instrução.
Trocado por miúdos, agora não são só os juízes a mandar em paz os criminosos, os polícias já fazem o mesmo por sua alta recreação, certamente protegidos por alguma vírgula da lei.
Imagine-se o diálogo entre o GNR e o ladrão:
– Então o meu caro cidadão roubou a pastinha ao seu companheiro de viagem, não é?
– Pois, de facto, enfim, sou um produto desta sociedade individualista, a minha prima dava-me pancada quando eu era pequenino, a minha avó metia-se nos copos, o professor de instrução primária não me ligava nenhuma, compreende? E ninguém me dava, nem dá, o apoio psicológico que mereço, a sociedade exclui-me… empurra-me…
– Compreendo, meu caro senhor, compreendo muito bem. Eu também tive problemas parecidos… Bom, manda a lei que se preencham estas papeladas. Vamos a isto.
….
– Ora bem, já está. Na segunda-feira, fará V.Exª. o favor de se apresentar ao juiz de instrução… compreende… eu sei que é uma maçada…
– Com certeza, senhor guarda, cá estarei.
– Bom, vá à sua vida e boa sorte.
– Adeusinho, senhor guarda. Fique descansado, que eu também fico.
AI EUROPA, EUROPA
Isto de se ser membro seja do que for depende, nos países chamados livres, da vontade de cada um. Não se percebe por que carga de água há-de ser diferente entre os estados.
Vem isto a propósito de um certo Klaus, presidente da Chéquia, que se confessa “dissidente” da União Europeia. Até foi à Irlanda conferenciar com os chefes do “Não” ao referendo sobre o tratado de Lisboa e incentivá-los contra qualquer diligência tendente a alterar a situação.
A chamada Europa, como o Benfica, o PPD ou a ONU, é, ou devia ser para quem quer. Quem não quer, que vá bater a outra porta. Se os irlandeses e os checos são contra a União Europeia, que vão bugiar. Não é democraticamente aceitável que dois dêem cabo da vida a vinte e cinco. Não querem, paciência. Fecha-se as fronteiras, cria-se alcavalas alfandegárias para os seus produtos, os seus cidadãos passam a pagar vistos caríssimos se quiserem andar por aí, corre-se com os tipos do euro, se já lá estiverem, e pronto.
Vão chatear o caneco.
LUTAS INTESTINAS
Afinal, a culpa não é da Câmara, disse o Costa. É do governo. As obras que o Costa gostaria de licenciar para reabilitar a baixa – quarenta, que fartura – precisam de autorização do governo, diz ele. E diz mais. Diz que o governo não deixa pôr elevadores nos prédios da Baixa (?!).
Ele, coitado, até queria fazer da Baixa uma “zona residencial”. Na tradição do Siza, que “recuperou” o Chiado sem fazer parques de estacionamento nos prédios, Costa prepara-se para não pôr elevadores porque o governo não deixa.
Como medida fundamental para esta nova “zona residencial”, Costa propõe, em vez da construção de mais parques de estacionamento, que a Baixa passe a ser reservada aos peões, à Carris e aos carros dos moradores. Ou seja, propõe que o comércio deixe de existir, talvez à excepção de umas frutarias para os moradores, já que quem lá poderia ir com dinheiro para gastar passa a ir de popó ao Continente e à avenida.
O governo, via terminal de contentores, já demonstrou à saciedade que se está nas tintas para a Câmara e para os interesses dos lisboetas. Só o senhor Costa é que ainda não percebeu que o senhor Pinto de Sousa está a ajudar a enterrá-lo, a fim de se livrar de um virtual concorrente.
Se Lisboa não me preocupasse, até achava graça a estas guerras no seio desse grande inimigo público que é o Partido Socialista.
ABC

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