Um senhor de 90 anos, outro de 94, um de 92 e outro de 93 estão na berlinda para ir parar ao chilindró por iniciativa do vice-rei de Castela, senhor Garzon.
O homem não pára. Sedento de protagonismo mediático, anda à pesca de esqueletos com setenta anos, a fim de, à custa deles, ressuscitar ódios fratricidas que se julgava ter sido enterrados há trinta e tal.
Toda a gente sabe o horror que foi a guerra civil espanhola. Toda a gente sabe que, de parte a parte, se cometeram inomináveis crimes. Toda a gente sabe que, não o esquecimento, mas a “morte” do ódio, tem proporcionado paz civil às gerações que se seguiram à queda do franquismo.
À excepção de meia dúzia de saudosistas, à esquerda e à direita, toda a gente percebe que é do mais legítimo interesse da sociedade espanhola considerar a guerra como passado a historiar e não como coisa a projectar no futuro.
Mas, ao serviço da meia dúzia de saudosistas estúpidos, o senhor Garzon não pára. Vasculha valas comuns, sem respeito, nem pelos cadáveres, nem pelos interesses da reconciliação das novas gerações, que já era considerada adquirida.
Se, para que todos os jornais falem nele, o senhor Garzon vier a meter uns velhinhos na cadeia e a, com isso, pôr de novo em acção adormecidas letais divisões, aí teremos um triunfador dos direitos humanos, por certo merecedor do aplauso da dona Ana Gomes e do senhor Alegre.
9.11.08
António Borges de Carvalho

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