IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SEGURANÇA A PAGANTIBUS

 

Há já uma dezenas de anos, um cliente meu, siciliano, quando lhe perguntei o que pensava da mafia lá na terra dele, perguntou-me:

– Você, aqui em Lisboa, tem a certeza que as suas filhas não são incomodadas na rua, que os seus filhos não são roubados, que a sua casa não é assaltada?

– Não…

– Pois é, na minha terra, em Palermo, eu pago. Como pago, não tenho problemas. É assim, meu amigo, quem paga está seguro. Quem não paga…

 

Não será o melhor dos sistemas. Mas é um sistema.

 

Vem isto a propósito de uma notícia verdadeiramente extraordinária que li num jornal de Sábado: “os comerciantes de Setúbal estão a pagar do próprio bolso aos agentes da PSP para garantirem (sic) uma vigilância permanente dos estabelecimentos”.

Ou seja, o que os sicilianos fazem com a mafia, os portugueses fazem com a PSP.

Os polícias são como o serviço nacional de saúde. Se um tipo está MUITO doente, o serviço serve. Se não tem senão uma doença não mortal, vá-se lixar.

Os polícias ditos “de proximidade” não existem. Por outras palavras, existem, mas para passear de automóvel ou, menos imponentes, de trotociclo e de segway. A pé, nas ruas, faz calos.

A verdade é que não garantem, às pessoas em geral, nem segurança, nem ajuda,  nem presença dissuassora. A não ser… a não ser que lhes paguem por fora, como acontece com os comerciantes de Setúbal.

 

Os efectivos vão ser alargados. Mas, se se mantiver a percentagem dos ditos que hoje existe nas secretarias (e que o senhor Pinto de Sousa tinha prometido pôr cá fora), não vão servir para nada.

 

Aqui há tempos, uma rapariguinha merecedora de toda a consideração, casada com um polícia, confessava-me que, lá em casa, o sonho era o marido cumprir três anos de serviço de policiamento, passados os quais seria colocado “intra-muros”. Um intra muros que pode ser a secretaria, o serviço de entrega de papéis ou as passeatas de pó-pó.

 

Assim, não vamos lá. A não ser que alguma “instituição”, inspirada pela filosofia do meu amigo siciliano, se lembre de nos proporcionar algum descamso a troco de uns cobres. Desde que, é claro, esteja bem organizada e hierarquizada.

 

Não será um bom sistema, mas é um sistema. Melhor que nada.

 

António Borges de Carvalho

 

 

PS. Talvez a banca se interesse pelo sistema. Podia abrir umas linhas de crédito para que os cidadãos menos abonados pudessem pagar a coisa.

 

 

E.T. O Irritado, às vezes, deixa-se desactualizar. Um amigo, mais à la page nestas matérias informou-me que a nobre prática das funções praeter mafiosas da PSP não é novidade nenhuma. É que se confirma que já há muito vêm os comerciantes do Bairro Alto praticando o sistema. A coisa, por obra e graça do socialismo nacional, começa a tornar-se um negócio para polícias disponíveis (são aos montes), sem despezas para o Estado e com altos efeitos na segurança do comércio e no progresso da civilização portuguesa. Notável.



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