Finalmente, o livro cujas principais passagens o Irritado teve a subida honra de publicar (Cf. “Citações”, de 12 de Junho), foi lançado no mercado, com a devida pompa.
As bem-pensantes vozes do grande socialista Vitorino e do empresário do PSD Dias Loureiro, trataram de devidamente incensar o biografado. Este, em notável demonstração da modéstia que o caracteriza, não estava presente. Enquanto os dois panegiristas se desunhavam a elogiá-lo em Lisboa, o senhor Pinto de Sousa estava, lá para o Norte, a lançar uma barragem, uns dez anos depois de o seu santo protector, o senhor Guterres, ter deitado para o lixo os 38 milhões de contos que ficaram enterrados em Foz-Coa, para que se desenterrasse uns bonecos quaisquer a que ninguém liga bóia e que vão custando mais uns milhões todos os anos.
Utilizando um dom que ainda nos era desconhecido, o da ubiquidade, o senhor Pinto de Sousa matou dois coelhos, ocupando o dobro das páginas dos jornais com dois acontecimentos. A isto chama-se, não oprtunismo, mas boa gestão da "agenda mediática…
O “menino de ouro” – por certo o ouro dos muitos milhões que já nos sacou e com que se propõe endividar os nossos filhos e os nossos netos e bisnetos – aparece de calções, de calças, com o papá, com a mamã, com os amigos, e assim por diante, numa demonstração do que é, à boa moda sovieto-africana, o chamado culto da personalidade.
Não li, nem lerei, o tal livro. Mas, não sei porquê, aposto que não há nele referências aos belíssimos projectos de arquitectura que o menino de ouro concebeu e subscreveu, ou não concebeu mas subscreveu, tão pouco aos máximos mundiais que alcançou em matéria de desenrascanço universitário.
O mais triste, no meio disto tudo, é a presença na sessão do senhor Loureiro e as loas por ele tecidas a quem se julgaria ser seu adversário político. O bloco central no seu melhor, pela mão de um cavaquista e actual proclamado leitista.
Estas coisas não se fazem de borla. Têm além disso, neste caso, um significado político evidente: o apoio do Presidente da República e da chefe do PSD à “cooperação institucional” com os desmandos do PS e à preparação de um horrível futuro para todos nós. Bem pode a Dr.ª Manuela dizer que “bloco central só se estivesse louca”. O que se vê diz-nos, sem margem para dúvidas, que, ou já está louca, ou se prepara para enlouquecer.
Anos atrás, quem chamou ao Dr. Santana Lopes “menino guerreiro” foi, com ele, queimado na praça pública. Ao senhor Pinto de Sousa tudo se pode chamar, desde que seja para incensar tão ilustre personalidade. Aí estão a imprensa e as televisões para achar tudo normalíssimo, e para tratar de convencer as pessoas de que o que era ridículo para um, se torna justíssimo e adequado ao outro.
Ser socialista paga bem. Em ouro, que as commodities é que estão a dar.
António Borges de Carvalho

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