Sob o nobre bom gosto da finíssima, delicada, imaginativa e esclarecedora sigla, ou slogan, “Quem Não Leva No Pandeiro Não É Homem Verdadeiro”, desfilou em Lisboa, de pleno direito, um cortejo de tarados, cropofílicos e malcheirosos indivíduos, cidadãos que têm orgulho em se tornar conhecidos por “atracar de popa”, “abafar a costeleta”, “pertencer à filarmónica”, “meter carga pelo porão”, ou por outras asserções menos explícitas que a que resolveram usar.
Patéticos, uns magrizelas vestidos de cor de rosa, cheios de aigrettes, sapatinho de Cinderela, mini-saia, cuequinha de renda, rabiosque repenicado, davam pulinhos de contente pelas ruas. Umas fulanas e uns seres menos explícitos acompanhavam o préstito, cheios de pederástico-folclórica emulação. Intelectuais da organização encarregavam-se de prestar à comunicação social as devidas declarações, cheias de seriedade e de acendrado amor pelos “direitos humanos”. Os jornais trataram de noticiar a coisa com o devido relevo. As televisões e as estações de rádio não sei, porque, felizmente, passei uns dias sem me deixar atacar por tais organizações. Calculo que, a bem das criancinhas que vêm o telejornal com os papás e as mamãs, a rapaziada tele-comunicadora não deve ter deixado e dar o devido relevo a tão importante acontecimento.
É sabido que, tendo o género masculino os dois cromossomas, ás vezes a natureza engana-se e dá primazia a um deles, o errado. É sabido que, não tão raro como seria de desejar, acontece que, por pura perversão, frustração, incapacidade de relacionamento com o outro sexo ou atracção pelo pivete – a sexualidade tem destas coisas – há fulanos que preferem “contactar” com o próprio sexo em vez de o fazer com o outro. As fulanas, que não têm a desculpa dos cromossomas, servem-se de outras para os mesmos fins. Coisas que “estão a dar”.
De um ponto de vista civilizacional, o que marca a diferença não é a que separa o senhor Hitler e o senhor Ahmadinejad – que mandam matar esta gente – dos padres protestantes que os casam ou do senhor Sapateiro que manda fazer o mesmo e até quer que tenham filhos (filhos?).
A grande diferença é a que separa a discrição e o respeito, pelo próprio e pelo alheio, pelas crianças, pela sociedade em geral, da propaganda desbragada e da defesa dos defeitos e malformações de cada um como se de excelsas qualidades se tratasse. É a constituição do conjunto dos aleijados e dos viciados em classe social, é a defesa dos vícios e das malformações, erigidas estas em fonte de direitos outros que não sejam os que ao tratamento fisiológico e/ou psiquiátrico se referem.
À discrição e ao respeito chama a nova “civilização” hipocrisia. Ao pudor que levaria a guardar para si o que não deve ser público – mesmo o que é comum não deve, ou não devia, ser público – substitui-se o louvor, a visibilidade social e a criação de um corpo de barbaridades jurídicas destinadas a “igualar” o que não quer, ou não pode, ser igual.
A palavra de ordem do desfile lisboeta expressa bem o que está em causa: a propaganda de um negócio sujo. Pois que levem no pandeiro e chamem homens a si próprios. Ninguém terá nada com isso, a não ser que incomodem terceiros.
O que é, manifestamente, o caso.
António Borges de Carvalho

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