IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ALDRABAGENS

As sondagens são para mim um mistério. Digo-o talvez injustamente porque não percebo nada de tal coisa. Mas estranho a forma como são feitos os inquéritos, a escolha dos inquiridos, as percentagens de uns e outros, velhos e novos, machos e fêmeas, da esquerda, da direita, ou de coisa nenhuma, analfabetos ou catedráticos, quantos de cada, contactados como, etc. Dir-me-ão que há altos e indiscutíveis critérios, que as firmas que vivem disso estão acima de qualquer suspeita, que eu é que sou um ignorante, um desconfiado, um chato.

Uma coisa que me põe doente é ler, no fim de cada sondagem umas informações que comparo com as dos medidores de álcool dos polícias. É que os vendedores das balanças da pinga admitem um erro, mais xis ou menos zê. Aí, é coisa mensurável, não tenho razões para duvidar do sor guarda quando me diz que estou borracho ou sóbrio. Nas sondagens é mais ou menos a mesma coisa, só que, ao contrário, a confiança tende para zero: no fim da cada relatório, declaram a “margem de erro”, mais ou menos uns pontos. Como? Os aparelhos dos polícias, acredito, podem ter critérios objectivos e experimentados. Nas sondagens venha o mais pintado dizer-me que os critérios são técnicos ou científicos.    

Neste fim de semana foram publicadas duas sondagens. Tudo gente honesta, tudo gente boa, tudo empresas da maior confiança, de grande prestígio, credíveis, autoras de incontrovertíveis conclusões. Muito bem. O problema é que um jornal, o “Expresso”, titulava que o PS estava a subir 2 pontos, de 37% para 39, e o PSD a descer de 28 para 25. O outro jornal, o “Público”, decretava o contrário, PS 37%, PSD 30,  “o PSD está mais perto do PS”, “esbate-se a diferença”.

Em ambos os jornais um partido perde terreno, outro ganha. Só que quem ganha num perde no outro e vice-versa.

Poder-se-ia dizer que o que comanda os títulos e as sondagens é a “política de informaçao” de cada um. Mas não será assim, já que, no caso, ambos são fiéis servidores da esquerda, da “situação”, do politicamente correcto, do que está a dar.

Ficam as sondagens em dúvida. Terão sido encomendadas com objectivos pré-estabelecidos? É possível que não, mas que fica a dúvida, fica.

 

20.12.20



Uma resposta a “ALDRABAGENS”

  1. Como diz a piada, as estatísticas são usadas como os bêbados usam os postes: mais para apoio do que para iluminação. Além de uma sondagem poder ser manipulada à vontade do freguês, qualquer certeza é difícil ou impossível quando as pessoas podem falhar, mentir, esquecer-se ou mudar de ideias. Todas as sondagens subestimaram o Trampa porque muita gente, por vergonha ou por malícia, omitiu que ia votar nele. Muitos eleitores do palhaço Ventura farão o mesmo. As sondagens relevam também que o verdadeiro poder não está em quem responde: está em quem pergunta. O que se pergunta e como se pergunta condiciona a resposta. Um exemplo clássico é perguntar-lhe se já deixou de bater à sua esposa e permitir responder apenas Sim ou Não. Fica mal visto em ambos os casos. Tal como as eleições desta partidocracia, onde ao pôr uma cruzinha ao lado de um partido ou candidato valida tudo que ele fará no poleiro, as sondagens, porque procuram totais simples, não permitem condições ou nuances. Se v. responder ‘jamais votarei nestes pulhas’, fica como ‘não sabe/não responde’. Se responder ‘talvez vote PSD se o Rio for corrido até às eleições’, fica apenas ‘PSD’. Isto, claro, além da falibilidade das amostras: quem aceita responder é por regra quem está predisposto a votar em alguém, i.e. a carneirada dos partidos e os otários que ainda votam. Por mim, já falámos disso, as sondagens eram proibidas. Só servem para influenciar carneiros e viciar um sistema já podre.

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