Muita tinta tem corrido, e continuará a correr, sobre a história do Rei Emérito de Espanha, Dom Juan Carlos. Talvez a principal das acusações que lhe são assacadas seja a de corrupção. Juan Carlos terá recebido dinheiro a troco de favores. Tem piada, uma vez que se trata, não de corrupção, mas do seu contrário. Explico: o Rei saudita não “pagou” coisa nenhuma, pela simples razão que não tinha nada a pagar. A Arábia não fez nenhum negócio chorudo com a Espanha, deu-se exactamente o contrário, pelo que, a haver corrupção, seria em sentido contrário.
Lá para as arábias “não há corrupção”. Há, isso sim, uma enraizada tradição de premiar com dinheiro os familiares e os amigos. Foi o que aconteceu. Não há, nem ninguém tocou em tal assunto, nada que a Arábia deva a Espanha, coisa de tal monta que pudesse ser objecto de corrupção.
Dom Juan Carlos terá recebido o dinheiro atroco de nada que não fosse amizade e a forma de a demonstrar segundo os padrões sauditas.
Postas as coisas nos seus devidos termos, há que reconhecer que o Rei Emérito meteu o pé na argola, e merece crítica das pessoas e tratamento jurídico. Ele não devia ter ficado com o dinheiro. Pessoalmente, não ficou. Mas, a) devia tê-lo declarado e b) devia tê-lo doado a instiuições sociais ou equivalentes, encarregando alguém de o fazer com toda a transparência. Em vez disso – o amor é louco – escondeu-o e veio a dá-lo a uma amante. Pelo menos é o que por aí se diz, parece que com razão..
As consequências devem cair-lhe am cima, de acordo com a Constituição e as Leis do Reino. Mas será essencial, para defesa da Paz e da Democracia, que seja salvaguardada a mais preciosa das instituições políticas espanholas: a Monarquia, hoje incarnada por Filipe VI. A não ser que se queira destruir a unidade de Espanha, transformar o Reino num saco de gatos (coisa em que os espanhóis são especialistas), e que tudo volte velha à cacetada.
13.8.20

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