IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


LIBANOLOGIAS

Esta história das explosões no Líbano não tem descrição possível. É um horror, ponto. Faz correr rios de tinta, como se justifica. Há os repórteres, os socorristas e, sobretudo, os grandes intelectuais cá do burgo.

Permitam-me que sublinhe um deles, para ver onde se pode chegar. O senhor Rui Tavares, conhecido cá em casa por Tavares Mau – por contraste com o JM Tavares, o bonzinho – cozinhou uma série de observações altamente cultas sobre o assunto. Ficámos a saber que somos todos filhos dos libaneses, via fenícios, via alfabeto, via romanos, via uma data de gente, num bouquet histórico só passível de ser produto de superiores conhecimentos, julgo que todos disponíveis na Wikipedia. Além destes esclarecimentos, que muito agradeço ao tal Tavares, o dito dedica-se, por exemplo, a condenar veementemente o senhor Macron, que terá ido a Beirute em odiosa manifestação de neocolonialismo. E mais: condena o dito a União Europeia, que não terá reagido reunindo imendiatamente os chefes dos governos, a fim de montar uma operação conjunta de socorro, ainda que já lá esteja a malta toda a fazer o que pode e sabe. E a dona Ursula, um produto da direita reccionária, imagine-se que não obedeceu aos desejos do ilustrérrimo Tavares! E mais ainda, o dito fala do Líbano dos nossos dias (conhecido saco de gatos) sem tocar na orla das vestes do Hezebolah (é assim que se escreve?), o qual, apesar de listado como organização terrorista em todo o mundo civilizado, apesar de ser parceiro de eleição de iranianos, daeches e coisas do género, apesar de ter no currículo centenas de milhar de mortos, apesar de ser uma das forças político militares mais horrorosas do mundo e de ser residente do Líbano, com território e tudo, não faz parte da crónica nem dos conhecimentos do senhor Tavares.

Onde pode chegar a intelectualidade de esquerda é coisa difícil de imaginar, não é?

 

             9.8.20        



6 respostas a “LIBANOLOGIAS”

  1. Avatar de Eduardo Menezes
    Eduardo Menezes

    O tav ares pelos vistos esqueceu-se de falar na ida da Morcela a Madrid.Nem tudo lembraou será que o tavares está velho demais para o ofício

  2. Do Líbano sei que tem boa comida, como é habitual naquelas paragens – Grécia, Turquia, Chipre, Israel – e que é, como o Irritado diz, um saco de gatos. Nunca lá fui; não ficarei muito triste se nunca for. Do Hezbollah sei que é xiita, enquanto o Hamas é sunita, uma distinção decerto importantíssima para os respectivos carneiros. O que espanta é como ainda há pachorra para o Islão e as suas tretas; creio que esta pachorra imerecida tem a ver com pessoas como o Irritado – sim, o Irritado – que por branquearem a sua religião acabam por ter de tolerar todas. Já as omissões selectivas do chuleco Tavares não espantam: custo é a perceber o amor desta esquerda ‘identitária’ pela Palestina e pelo Islão em geral. É uma hipocrisia tão grande que iguala ou até ultrapassa a da direita. Das explosões, olhe, até lembra Portugal. Negligência, bandalheira, impunidade… nunca há responsáveis. Sobretudo pulhíticos.

    1. Do que diz, só há uma coisa em que discordo a cem por cento: é a “boa comida”. Conheço relativamente bem a Grécia e a Turquia, onde a comida é péssima. Experimentei, em França, dois ou três restaurantes libaneses, e jurei para nunca mais. A cristandade, a que, crentes ou não, pertencemos, há muito aboliu as guerras de seitas. Os muçulmanos, em religião como em tudo, estão séculos atrasados.Com raras excepções, pararam no tempo. Quanto ao resto, mais ou menos, tem razão.

      1. A comida é péssima na Grécia e na Turquia?… Mau: afinal de que gosta? Ou melhor: a que sítios tem ido comer? Ou tem tido muito azar ou não percebo. A comida daquela região é considerada, quase unanimemente e por boas razões, das melhores por aí. Até em Londres, quando queremos comer bem vamos ao turco ou ao grego.

  3. Afinal, as actuais manifestações contra o governo do Líbano, que já se demitiu, são de que ‘lado’.Pelo aspecto dos manifestantes, e até os locais das manifestações, não diríamos que estamos no Líbano do irritado.Quem são estes manifestantes? Esquerda, direita, nem tanto, cristãos ou muçulmanos, emigrantes/refugiados, ou de tudo um pouco contra um governo de corruptos da esquerda, direita, nem tanto, cristãos ou muçulmanos?

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