Líderes como Pinochet e Jintao têm pontos comuns. Ambos fazem crescer a economia dos seus países. Ambos escolhem uns parceiros económicos que, dando ao seu regime uma falsíssima faceta liberal, lhes permitem falar de progresso e de justiça. E ambos conseguem o tal progresso alicerçando-o em milhares de mortos, em prisioneiros políticos, em ausência de liberdade e de legitimidade, em forças armadas e policiais corruptas e servis, em jornalismo condicionado ou amordaçado.
Isto passou-se no Chile, passa-se na China.
Na Europa, fia mais fino. Os candidatos a ditadores têm que conter as garras, com medo de ser incompreendidos pelos estrangeiros. Mas escolhem na mesma os seus parceiros, deixam, ou provocam, que lhes chamem liberais quando são a mais cínica versão do socialismo, “libertam”, da sociedade civil, quem lhes for útil, tomam conta de bancos, põem sequazes em altos postos da economia privada, perseguem os contribuintes, apertam tarrachas com “autoridades” e “entidades reguladoras” de tudo e mais alguma coisa, invadem a privacidade de cada um, escutam telefonemas, lêem os SMS’s dos cidadãos, promovem e premeiam a delação e o bufismo, deitam o sigilo bancário para o lixo, proíbem as pessoas de fumar e de comer bolas de Berlim, cruzam dados como lhes apetece, processam os contribuintes com razão ou sem ela…
Protegidos pela máscara que a Europa fornece, escondem-se os que, se não fosse a Europa, Pinochets e Jintaos gostosamente seriam.
Deixo aos leitores a tarefa de descobrir de quem falo.
António Borges de Carvalho

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