Um tipo qualquer terá dito, num telefonema à prima, que o “papagaio-mor deste reino” sabia da história do roubo de Tancos.
Não terá havido quem não pensasse que o fulano se referia ao senhor de Belém, com o fim de o incriminar. Todos terão achado que o acusador é parvo, aldrabão, ou estava a gozar com a prima. Todos pensaram que a coisa não merecia ter pés para andar.
Todos? Não. A única pessoa que tinha a estrita obrigação de não ligar ao caso é, evidentemente, o próprio senhor de Belém. E, ó espanto, foi ele o único que veio enfiar a carapuça, ou dar à casca, como soe dizer-se.
É de dar tratos à mioleira pensar no que isto quer dizer. Será que as qualidades de inteligência que lhe são com toda ajustiça atribuídas entraram em colapso? Será que o senhor teve “uma branca” que não lhe permitiu reagir de outra maneira, ou mandar simplemente o assunto às urtigas? Será que perdeu a cabeça perante a alegada ofensa? Ou será que há outra explicação, que não me atrevo a formular?
Como é possível que um assunto que não seria mais que um fait divers idiota se tornou num affaire d’Etat?
Valha-nos Santo Ambrósio, arcebispo de Milão.
26.9.19

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