IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SENSACIONAL DESCOBERTA

Toda a gente sabe que os transportes públicos (metro, carris, comboios – à excepção dos da Fertagus, que é privada – barcos, etc.) andam pelas ruas da amargura. Os meios estão velhos, sem manutenção há quatro anos, nada foi modernizado e, tirando as inaugurações do Marques, nada foi previsto, planeado ou programado, ainda menos feito, nem huove qualquer providência que se visse para estancar os males.

Mas, meus amigos, não há mal que sempre dure. Para obviar à falta de composições, o Metro de Lisboa descobriu uma solução a todos os títulos sensacional, para não dizer genial. Vai abolir quantro lugares sentados em todas as composições, a fim de meter uns setenta passageiros bem aconchegados, em pé, em vez de quatro privilegiados sentados. A medida tem, além de tudo o mais, o efeito de poupar no aquecimento de Inverno, uma vez que o calor humano gerado por  esta medida o permitirá. Será também de notar a preocupação igualitária que subjaz ao pensamento social, o que, por certo, estará também na base desta grande descoberta.

Consta em meios informados que a CP, inspirada pelos mesmos princípios e preocupações, e seguindo a genialidade da solução dos problemas que o Metro inaugurou, vai mandar uma equipa técnica à Índia, a fim de estudar a ocupação dos telhados dos combóios, o que permitirá transportar, em média, duas mil e quinhentas pessoas em cada carruagem.

Como vêem, as empresas públicas velam por nós. Hossana!

 

4.6.19                                                         



6 respostas a “SENSACIONAL DESCOBERTA”

  1. A ser como diz, é obviamente ridículo. Mas falando de transportes privados, já andou de comboio em Inglaterra? Por lá tem tudo para ser feliz: o Estado, ao som da TINA – austeridade para a maralha, mama para os mamões – passou a guiar-se pelo sábio princípio do utilizador-pagador, e privatizou os comboios. Os privados, claro, pintaram a manta: os preços dispararam muito acima da inflação, sobretudo para os utentes diários, os commuters que vão de comboio para o trabalho. Consegue bilhetes relativamente baratos, se os comprar com muita antecedência em viagens ocasionais, à turista. Já se precisar mesmo de andar de comboio, leva mais que o burro do cigano. Há quem pague £500/mês. Mas pagam com um sorriso, claro – antes chulado à tripa-forra que comuna.

    1. Desculpe-me, oh Filipe Bastos, mas o facto dos comboios serem mal geridos em Inglaterra, ou lá onde quer que seja, é justificação aceitável para que aqui não funcionem?O que tem a ver um assunto com o outro?

      1. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        Para o Irritado, a solução para tudo, ou quase tudo, é a privatização. O post malha no governo (PS, claro) e nas empresas públicas, cujo 1º problema é serem públicas. E aprecia particularmente a Inglaterra (eu também). Dei assim um exemplo típico do que acontece quando se privatiza, neste caso, os comboios. A British Rail estava longe de ser perfeita, mas o desfecho foi o esperado: a hiper-chulice privada de hoje.

        1. Não vamos poder estar de acordo. Um exemplo de um falhanço, ou de um sucesso, qualquer que ele seja, não prova que uma das características da situação em análise explique por si só o falhanço, ou o sucesso. Nem todas as privatizações, ou nacionalizações, são feitas com as mesmas regras e em enquadramento semelhantes. Nos anos 70 ou 80 eu concordava com os sistemas capitalistas de então. Hoje, acho que o sistema capitalista vai longe demais.Isto só para dar um exemplo genérico.

          1. Avatar de Filipe Bastos
            Filipe Bastos

            Não vejo casos em que a privatização não acabe em chulice. Por chulice quero dizer o saque da população através de preços mais altos e/ou serviços inferiores, quase sempre por dois lados: chulam os utentes e chulam o Estado. Cada caso será um caso, de acordo, mas a seguinte lógica parece-me evidente: 1) Alguns serviços, pela sua natureza, não podem dar lucro; nem o lucro é a medida final de todas as coisas. 2) Se algo não dá lucro, é impossível ser interessante para um privado. A saúde é o caso mais óbvio. 3) Outras áreas, como a energia ou as comunicações, até podem dar lucro – mas sendo áreas ditas estratégicas, transversais a toda a economia, e amiúde monopólios naturais, não podem nem devem estar nas mãos de privados. A iniciativa privada é bem-vinda e necessária em inúmeras actividades. Um capitalismo sob controlo pode funcionar. O que aconteceu nos últimos 40 anos, como notou, foi o progressivo descontrolo até à ganância obscena de hoje.

          2. Normalmente, nos países que funcionam bem ( designadamente, nórdicos e Suíça ) os sectores privados funcionam bem e os poucos que são nacionalizados também. Parece-me ser mais uma questão de cultura do que de ideologia.Em minha opinião, este caminho desenfreado que o capitalismo tomou ( 23 famílias tiveram, no ano passado, tanto rendimento como metade da população mundial e as classes médias estão a desaparecer na Europa) deve-se ao modo como tem sido organizada a globalização, com a financiarizacao da economia e liberalização total da circulação de capitais.Concordo quando afirma que o sector eléctrico não deveria ter sido privatizado. Mas é preciso não esquecer que entre o “totalmente nacionalizado” e o “totalmente privatizado” há muitas variantes à escolha. afirmações repetidas e resultantes de estudos de organismos especializados

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