I
Os magníficos professores do secundário, a quem a Pátria tanto deve, preocupadíssimos com a educação da juventude, foram objecto de mais uma atitude ditatorial do governo. Este, apostado em perseguir a classe e em dar cabo da educação estatal, resolveu lançar um concurso para a admissão de 914 membros da nobre classe como professores e formadores do IEFP.
Com o maior júbilo, o IRRITADO regista que, dos professores actualmente com horário zero – que são supostos não trabalhar – concorreram 27, num total de 20.871 concorrentes. Preencheram-se 911 vagas, 7 das quais pelos tais professores.
Por outras palavras, dos muitos milhares de professores que têm vínculo ao Estado e se encontram sem ter nada que fazer – mas recebem o deles – há 27 traidores que que decidiram procurar trabalho, e sete que cometeram o crime de o arranjar.
O bolchevista dos bigodes à Sadam Hussein, incontestado condotieri dos professores, está, diz-se, a preparar o devido castigo para esta cáfila de inimigos de classe.
II
Um terço dos professores indicados para fazer avaliações recusou tal terefa. Porquê? A resposta foi dada por um ilustre bloguista da classe. Segundo ele, a recusa foi “um acto para lavar a alma e mostrar que se é contra um processo de avaliação que não vai servir para progredir na carreira, já que está congelada”.
Desiluda-se quem se preocupa com estas matérias. Na cabeça dos professores, a avaliação não serve para saber se os alunos estão a ser bem ensinados. Ou serve para ganhar mais algum, ou não serve para nada. Nem sequer para tomar posições na bicha, para a enventualidade de vir a haver descongelamento! Pobres alunos, pobres pais, pobre futuro.
No meio disto, sejamos justos: há cerca de 5.000 professores que querem ser avaliados. O IRRITADO cumprimenta-os com todo o respeito, ainda que os avise que se ponham a pau com a vingança do bigodes, que deve achar que têm a alma suja.
1.3.13
António Borges de Carvalho

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