IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


5 DE OUTUBRO

Perante cerca de vinte assistentes e alguns passantes, comemorou-se com o aparato e a solenidade do costume mais um ano da substituição do Rei por uma data de Presidentes.

O actual, honra lhe seja, proferiu um discurso sem qualquer sentido visível ou imaginável a não ser para especialistas em comentários, que são muitos e, diz-se, bem pagos.

Instaurada a primeira República, os seus heróis desataram a matar-se uns aos outros, a prender os sindicalistas, a pôr umas bombas aqui e ali, a meter-nos numa guerra que não era nossa com a desculpa de estar a defender o Império, e a arruinar o país. Durante a segunda, os sobreviventes da primeira dedicaram-se a ir comemorá-la pondo umas flores na estátua do António José de Almeida sob o olhar divertido dos Pides, filhos dilectos e sustentáculos armados da nova república. Diga-se que, no que ao Império de refere, não havia diferença entre os da primeira e os da segunda. Veio a terceira e, preze-se a liberdade política recuperada, vamos, calma e desinteressadamente, a caminho do quarto resgate, vivendo (mal) à custa de terceiros até ao dia em que seja preciso pagar o que devemos. A grande diferença é que os novos (velhos em relação à primeira e opositores da segunda) despacharam à matroca o tal Império. De resto, como as bombas deixaram de estar na moda, os herdeiros da primeira dedicam-se só à sua tradicional tarefa: arruinar-nos.

Não admira, por isso, que o Presidente nem uma palavra dirigisse ao 5 de Outubro propriamente dito e se tenha entretido com inanidades por dever de protocolo.

A malta, essa, não quis saber. 5 de Outubro? O que é isso?

 

6.10.21



2 respostas a “5 DE OUTUBRO”

  1. ‘..a caminho do quarto resgate..’, agora temos o irritado/zandingado, e até se esqueceu do resgate do Fontes só pago nos anos de 1960, salvo erro.Essa de o Rei ser substituído por Presidentes, caramba o rei nunca morria e até para variar aparecia de rainha.Aquilo é que era tudo gente simples com remendos nas calças, mulheres prenhas e com um bando de filhos de cabelo rapado por causa dos piolhos e ranho do nariz até à boca, e mais padres e conventos que professores e escolas. Numa coisa tem o irritado razão, os republicanos seguraram o Império, o rei queria lá saber a não ser para servir de dote a alguma princesa, e por causa disso o presidente-rei e depois o rei-presidente-sou-eu fui bater e mais quase um milhão de jovens, bem precisos para o desenvolvimento do País, com os costados numa guerra durante mais de uma década. Vá que teve paciência para ter contado os assistentes e pena por ficar irritado sem conseguir contar os passantes.

  2. Concordo com o Irritado: isto do 5 Outubro devia acabar. Já não faz sentido. É como festejar o fim da escravatura ou a igualdade perante a lei: são marcos civilizacionais importantes, mas se tivermos um feriado e uma festarola para todos não se faz outra coisa. Em algum ponto devem tornar-se normais e adquiridos. O próprio conceito de ‘república’ deve parecer estranho a gerações futuras: que outra coisa havia de ser? Por que raio estaria um país e um povo sujeito a um(a) fulano(a), durante toda a vida deste/a, pelo acaso do seu nascimento? O lugar da monarquia será entre curiosidades históricas e bizarrias medievais. Ainda falta, mas lá chegaremos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *