No tempo da II República, o 5 de Outubro era comemorado por um grupo de fiés que se juntavam à volta da estátua do António José de Almeida, punham lá umas flores e diziam umas coisas, as mesmas todos os anos, benevolentamente vigiados por uns tipos da PIDE que por ali estavam, encostados às esquinas. Depois, iam até ao cemitério homenagear os seus mortos. Desse grupo já poucos restam, é a lei da vida, ou da morte.
Para muita gente, mesmo daquela que não gostava da II República, gente que sonhava com paz e liberdade, parecia estranho que ainda houvesse admiradores da desgraça implantada em 5 de Outubro de 1910, fundando um regime que em que paz e liberdade, sendo objecto de propaganda, não passaram de lixo.
Cento e cinco anos depois, transformada a romagem maçónica ao santinho em comemoração “nacional”, sem idas ao cemitério mas com fanfarra e charamelas, os sucessores dos romeiros continuam a comemorar o incomemorável. A resposta nacional a tão “nacional” comemoração é mais ou menos a mesma do antigamente, tirando a PIDE, claro, e ainda bem: umas dúzias de basbaques juntam-se na Praça do Município e assistem a umas exibições, sempre as mesmas, da GNR* e das “altas autoridades” da III República. Patética, para não dizer ridícula, demonstração de republicanismo primário.
Inveterata sunt mores. E os mores desta gente não têm emenda.
6.10.15
* Guarda “republicana” é coisa inexistente nas democracias normais, mas presente noutras, como a do Irão.

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