IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA FARTURA!

 

O IRRITADO não se lembra se já contou esta história, mas, como vem a propósito, aí vai.

Um velho amigo irlandês a quem perguntou quantos partidos políticos havia lá na terra, respondeu: há muitos, todos à direita do centro!

Não se sabe, mas é muitíssimo provável que seja por isso que a Irlanda pareça estar a sair da fossa. Por lá não há arménios nem jerónimos bolchevistas, nem silvas parlapatosos, nem esganiçadas martins, nem seguros ocos, nem tavares ou carvalhos da silva ambiciosos, nem nada que se pareça. Muito menos há soares e, se os houvesse, a imprensa borrifava-se neles.

Os celtas percebem o que se passa. Actuam em conformidade. Vai um governo, vem outro, o que se foi percebe o que vem, o que vem percebe o que se foi, espera por eleições, não fala de pauladas nem diz cobras ou lagartos do presidente da República. Os funcionários levam na cabeça, mais do que por cá, e percebem. Os pensionistas também. O IRC é curto, mas a malta percebe, isto é, não desata aos gritos que andam a proteger o “grande capital”. As coisas vão-se consertando, e concertando. Greves são coisa rara. Sobretudo os bem pagos e seguros não fazem greves, não andam a morder nas canelas dos ministros, não ameaçam pauladas nem clamam por outras violências.

Não se sabe se a arrogância de acabar com o programa de assistência e similares vai resultar. Sabe-se que foi possível e que a malta, na expectativa, não estremeceu.


Na chamada Europa anda tudo à rasca porque a extrema direita cresce. Percebe-se, mesmo que não se goste. É o que o Hollande & Cª merecem.


Por cá, poucos percebem seja o que for. Tudo minha gente se esganiça. Se há sinais de melhoria, poucos ou muitos, tudo se deve a acasos ou a terceiros, jamais a portugueses. A malta só quer saber do fado da desgraçadinha e da falta de taco para umas bejecas.

Em vez de extrema direita, como na “Europa”, surgem cogumelos a clamar por mais esquerda. O Tavares meteu na cabeça que, para continuar a ter “público” e quem sabe, conservar o assento, o melhor é fazer um partido novo. O Carvalho da Silva anda na mesma, que lhe falta no currículo a cadeireta de Estrasburgo. O Soares agrupa hostes de velhos pataratas e novos oportunistas. Os media dão a esta malta toda uma cavalaria de opereta.

Não é mau que não haja por aí surtos de extremistas da direita. Triste é que haja tanta massa, não direi cinzenta mas às riscas, ocupada a chafurdar em teorias que a História condenou e em “remédios” que só podem agravar a doença.

Está tudo no bom caminho? Claro que não. Mas já esteve pior. É, neste momento, o que se sabe. A célebre “espiral” deixou de espiralar. O desemprego desceu pouco, mas desceu, e não foi por causa do Verão. Mas, mesmo que tudo estivesse muito melhor, a malta da paulada e quejandos continuaria a dizer que estava muito pior.

E então? Então, calma Gé Gé.

Uma coisa é de esperar: a fartura de “iniciativas” à esquerda vai ter o destino que merece: o ecoponto dos irrecicláveis.

 

16.12.13

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “UMA FARTURA!”

  1. É uma história bonita, com lindas palas ideológicas a condizer, mas temo que algo redutora. Não sei com que irlandês falou, mas se hoje perguntar a 10 irlandeses aleatórios o que acham do governo, das decisões do governo, dos demais políticos (esquerda, centro e direita), da Troika, e sobretudo da BANCA, pelo menos uns 9 fornecer-lhe-ão um vasto repertório de vernáculo irlandês. Num estudo de 2011 do INE lá do sítio, intitulado “Em quem confia?”, os políticos ficaram em penúltimo lugar, até abaixo da UE. E a Banca ficou em último, muito abaixo dos políticos… Num estudo de Outubro 2013, intitulado “O povo irlandês pode confiar na Banca?”, 6% disseram que sim. 81% disseram: NÃO. Eis o amor dos seus celtas ao grande capital. Algo estranho, num país tão direitista, e anti-comuna, e fixe, e assim? Nem por isso: é que a Irlanda, a par da Islândia – como toda a gente sabe, menos o Irritado e os seus compinchas – é o exemplo cabal de um país (desculpe) enrabado pela canalha banqueira. Lá, tal como cá, na Europa, na América, etc., os banqueiros ficaram impunes. E os contribuintes é que ficaram com o rabo a arder. Foi assim que a Irlanda “saiu da fossa”: a chular a população e a escavacar o país, para encher mamões, criminosos e agiotas. Acha que os irlandeses não sabem disto? Vale-lhes a economia que ainda resta, muito à conta das multinacionais americanas que se estabeleceram na Irlanda para fugir aos impostos americanos, e também aos impostos de outros países europeus, como Portugal. (Já aqui mencionei, e pelo visto sou o único a lembrar isto: todos os dias saem milhões das empresas portuguesas, direitinhos para o Google na Irlanda. Esta, tal como a Holanda, a Suíça ou o Luxemburgo, lá vai vivendo dos impostos alheios, perante a passividade dos pulhíticos e desta UE fantoche.) Só que o sistema não mudou. A Banca, os “mercados” e a economia faz-de-conta continuam em roda livre, e um dia destes veremos de que fossa a Irlanda saiu realmente… e em que fossa isto irá cair.

    1. Bem visto, sim senhor. V. anda bem informado. Tem tempo para isso, Eu, pobre de mim, tenho só opinião. As diferenças lá ficam, como eu as vejo. É verdade que os resultados finais restam para ver.Anda tudo minha gente muito esperançado com as mudanças que aí vêm: muda o Barroso, muda o parlamento, muda o Rompói, muda a britânica sem queixo… veremos se não fica tudo na mesma, ou pior, como aconteceu com o Hollande e a Merkel.

      1. Avatar de XXI (Militantes PSD)
        XXI (Militantes PSD)

        Afirma o IRRITADO que não tem tempo para se informar, só para ter opinião!Mostrar alguma decência no seus “escritos” é antagónico aos interesses do “grupelho de artistas” especialistas em “burlar” (politicamente) eleitores, do qual faz parte?

        1. Para sua informação, tirando dois clubes (não desportivos, nem políticos) de que sou sócio, não faço parte de coisíssima nenhuma, nem tenho qualquer resquício de interesse pessoal seja em que organização for.

          1. Avatar de XXI (militante PSD)
            XXI (militante PSD)

            Nem Pedro Passos Coelho “diria” (no sentido de mentir) melhor!!

      2. Só respondi a uma diatribe superficial (sua) com outra (minha). Se pesquisar, os estudos encontram-se em 2 minutos. O resto é de conhecimento geral, e não requer muito tempo. Eu trabalho, v. até está aposentado. Por que é que não há esquerda na Irlanda? Como é que um país passa de modelo económico – o “tigre celta” – a um dos PIIGS, de um dia para o outro? Qual foi o papel dos bancos, e como é que o governo e a Troika lidaram com isso? É ou não legítimo que cada país defina os impostos que entender? E isso é ou não compatível com uma união económica e monetária? Qualquer destas questões daria um bom tema… mas a sua agenda parece limitar-se a cantar loas ao governo, e a malhar na tragicómica esquerda tuga. Quanto às mudanças, serão mera cosmética. Nada de concreto vai mudar. Tal como nada mudou, por exemplo, perante os OFFSHORES, apesar todas as recentes bojardas do G20.

        1. Na minha óptica, os bancos irlandeses foram apanhados na onda americana, e foi tudo. Não tinham solidez para aguentar a “bolha”. Haverá uns milhões de irlandeses na América. Não é de estranhar o que aconteceu. Por cá, como sabe melhor que eu, quase nada disso se passou. a crise bancária (que se mantém) teve raízes internas, tanto pelo “sistema” de crédito em que se deixaram ou quiseram envolver, como pelas trafulhices tipo BPN/BPP/BCP – que serão julgadas quando os animais falarem. Na certeza que o dinheiro que perderam ou desviaram jamais será recuperado. Não terei grande pena dos bancos por causa dos prejuízos que vêm acumulando, mas sei que a crise deles nos cai em cima… e aí é que a porca torce o rabo.

  2. Caro IRRITADO (acera de Rui Rio): «Não é com calculismo político que o país avança. Quem acha que tem outra solução para a liderança de um partido tem o dever de a apresentar. Têm medo de perder as eleições internas? Quem tem medo compra um cão» disse Luís Menezes Leitão.Como militante do PSD, tenho esperança que este “”grupelho de burlões políticos”, que conscientemente enganaram (e enganam) os eleitores, seja afastado por alguém que lidere quem os Sérios e Honestos. Se esse “alguém” não surgir agora, entregarei o meu “cartão” de Militante PSD (obviamente, aqui darei conhecimento desse facto com a respectiva identidade militante).

  3. Há anos, li uma entrevista a um tal António José de Brito. O Irritado deve conhecer. É de extrema-direita, «à direita de Salazar», e assume-se como «fascista monárquico». Não sou uma coisa nem outra, longe disso, mas num mundo dominado pelo politicamente correcto, cheio de meias-tintas e rasga-sedas (como dizem os brasucas), gostei de ouvir alguém que fala claro e corta a direito, como um homem deve ser. A certa altura – isto foi antes da crise – diz ele: «Nunca vi os BANCOS serem tributados e têm lucros fabulosos». Diz-lhe o entrevistador: mas isso é o que defende o PCP e o BE! Resposta imediata: «e não tem mal nenhum – se eles disserem que está Sol, e estiver de Sol, eu também digo que está Sol». Pois bem, o Irritado é o tipo de pessoa que, se os comunas dizem que está Sol, diz imediatamente que está a chover. E é vê-lo de gabardina e de galochas, com um Sol abrasador, agarrado ao guarda-chuva das suas convicções e ódios de estimação.

    1. O seu “amigo” pode ser fascista. Monárquico não é com certeza. Não houve um só fascismo (à excepção do espanhol, e só pós Franco) que, a bem ou a mal, não tivesse acabado com a respectiva monarquia.Adiante. Tem razão, se o Jerónimo disser que a está sol, desconfiarei, mesmo que esteja sol. A dúvida sistemática é salutar, quando se trata de “religiões”. Noutros casos, quase sempre, aplicar-se-á o princípio do benefício da dita.Quanto aos bancos, também terá uma certa razão, – v., não o fascista, que os fascistas, como os comunistas, por definição nunca têm razão. O problema é que sem bancos não há economia. Também não haverá uma serie de coisas más, mas… Tentar melhorar as coisas, vá, diabolizar este mundo e o outro é o caminho ideal para os tais fascistas/comunistas. Não devia sê-lo para si.

      1. Sempre houve e sempre haverá economia, enquanto houver pessoas: sem bancos, e até sem dinheiro. Ambos foram, por esta ordem, as mais desgraçadas invenções da Humanidade. Mas voltando ao mundo real, como gosta de dizer, o Estado tem um banco. Devia ter todos, nacionalizando os outros, recebendo dinheiro do BCE a 1% como eles recebem, e emprestando-o a um juro decente, sem saquear as pessoas e a economia. Aqui tem uma melhoria instantânea, um passo decisivo para a salvação, mesmo que não mudasse mais nada. Dirá que não confia no Estado. Eu também não, pois o Estado é quem o gere – e bem sabemos quem é… Simplesmente não vejo alternativa ao Estado. Só se fosse uma entidade externa e independente, sei lá, o próprio BCE, mas isso pressupunha uma união muito além da que esta UE é capaz.

        1. O Jerónimo diria o mesmo, mas tinha desculpa. V. não tem.O banco do estado pratica melhores juros que os privados?Quando o estado, em vez de fiscalizar, entra no jogo, passa a juiz em causa própria, isto é, fica igual aos outros e sem moral para os meter na ordem.Como, aliás, em tudo o que é próprio da sociedade civil, não do estado.

          1. Não pratica, mas devia praticar. Somos todos, em teoria, donos do maior banco português; e este chula-nos a todos na prática, como se fosse um banco privado. Mas volta a ser público para pagar desvarios políticos, e “resgates” de bancos trafulhas. Vê o absurdo da coisa? Também defendo a iniciativa privada, isto não tem nada a ver com comunismo. É uma questão prática: este sistema não funciona, e está a arruinar países inteiros. Criar e emprestar dinheiro não pode ser o feudo de uma dúzia de mamões sem quaisquer escrúpulos. Que diabo, não vê os resultados no mundo inteiro? E além do dinheiro, pode-se dizer o mesmo da energia, dos combustíveis, e das comunicações. Já reparou que tudo isto está na mão de cartéis, com lucros fabulosos? E foi justamente isto que o Estado Português alienou, enquanto se enterra em mais e mais dívidas – que não tem como pagar… Mero acaso, não acha?

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