IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA EXCEPÇÃO MALUCA

 

Tantas emergências, tantas limitações, tanta disciplina, os prevaricadores na gaiola, os polícias a vigiar, vilas fechadas, cercos, tudo minha gente a cumprir as ordens do Costa e do senhor de Belém, cada vez mais ordens e menos direitos, tudo o que lhes vier à cabeça. Aguentemos, ai aguentemos, seja em desconto dos nossos pecados, seja pela nossa rica saudinha, seja para glória eterna dos dois manda-chuva acima citados.

Uma coisa me incomoda no meio da descomunal pessegada em que estamos metidos. É que, com tantas cautelas, continuamos a comprar os jornais. Que mãos lhes mexeram antes de chegar às nossas? As dos fulanos que fabricaram o papel, dos compositores (não sei se ainda há disso), dos tipógrafos, dos distribuidores, das meninas das tabacarias e de mais não sei quantos seres humanos cheios de espirros e de covides.

Que explicação haverá para que os mandões se tenham esquecido disto? As frutas, os legumes e outras vitualhas, dir-se-á, estão na mesma situação. Mas as alfaces podem ser desinfectadas, as águas, os peixes, o pé de porco, podem ser desinfectados ou fervidos. Os jornais não: lavados com produtos desfazem-se, fervidos também. Podemos lê-los de luvas e máscara para nosso descanso? Qual descanso? Resta dizer que se trata de proteger a chamada informação. Mas há na net, na TV, na rádio, nos telemóveis, informação e desinformação com fartura, o difícil é escolher ou escapar a tanta quantidade.

Percebe-se que se tente salvar os meios em papel. O IRRITADO tem o vício dos jornais, não quer que eles acabem, mas deixou de os comprar. A salvação da informação em papel não pode, não deve, ser feita à custa da segurança sanitária de cada um. E, se toda a economia está a sofrer com a crise (e muito mais sofrerá no futuro) por que carga de água ficam de fora os jornais?

 

5.4.20



3 respostas a “UMA EXCEPÇÃO MALUCA”

  1. Então e depois como é que se embruteciam as pessoas? Lá se acabavam as ‘verdadeiras’ notícias do correio manhoso, que ainda não começou a dizer as ‘verdades’ sobrea prevista soltura dos presos não covidados. Parece que há dúvidas quanto aos merecedores para capa do jornal, seos limas, varas e outros bem comportados, ou a dos não quererem sair por não haver gente suficiente na rua e nos eléctricos para fazerem a sua vidinha. Já não falando no ganha pão do manhoso nas páginas centrais de beldades sem covidados.

  2. Avatar de outro anónimo
    outro anónimo

    Pois, as papelarias e tabacarias, pelos vistos, são serviços essenciais! Provavelmente exactamente por causa dos jornais e revistas e outros vícios menos saudáveis que ajudam a encher enfermarias e não porque precisemos de um novo lápis e algumas folhas para, aproveitando a ocasião, escrevermos as nossas memórias… A seguinte notícia deve ser mesmo a gosto do Irritado (talvez já a tenha lido):«Sindicato dos Jornalistas pede apoio urgente para sobrevivência dos jornais e rádios locais» https://observador.pt/2020/04/05/sindicato-dos-jornalistas-pede-apoio-urgente-para-sobrevivencia-dos-jornais-e-radios-locais/(são certeiros os dois comentários que, neste momento, esta notícia tem) Pedem apoio para os “jornais e rádios locais”. Que estranho… só locais?! Já o seguinte jornal parece não se estar a dar mal (um que de vez em quando leio e nem sou da região ribatejana, pena que não tenha secção de comentários que o poderia tornar ainda mais popular)https://omirante.pt/opiniao/2020-04-02-Ganhar-leitores-a-custa-do-coronavirus-1(o Director Geral deste jornal bem podia ser considerado uma outra versão do Irritado) Ao contrário do que tanto acontece noutros jornais, sobretudo nacionais, pelo menos neste e noutros no mesmo estilo não demoramos uma eternidade a ler uma única notícia como se tivéssemos tempo ou pachorra para ler tudo o que para lá despejam. Seja em jornais “online” ou em papel, frequentemente, quando chegamos ao final do texto já passou tanto tempo que já nem nos lembramos do início! É como se o jornalista o fizesse de propósito para mostrar serviço feito e justificar o ordenado. Por vezes, até vemos parágrafos inteiros praticamente repetidos, principalmente “online”. Se todos fossem concisos, na mesma meia hora poderíamos ler muitas mais notícias diferentes e ficarmos todos melhor informados. Se antes do vírus já pediam apoio… a coisa estava mal, culpa da Internet, das novas tecnologias, coisa e tal… claro que agora com o vírus não podiam deixar de perder a oportunidade. As ideias de Darwin aqui ficariam ao contrário, os mais fracos, sentados à sombra da bananeira e sem intenções de lá saírem, sobrevivem mesmo… parasitando os mais fortes. Feitas as contas muito bem feitinhas… os jornalistas até têm livre-trânsito e agora até nem há trânsito! De que estão à espera para se porem a mexer? Uma ideia para os jornais tanto “online” como de papel: que tal criarem amplas secções de “Cartas do Leitor”? Secções onde qualquer leitor, independentemente do assunto, pudesse ver o seu texto publicado. Relativamente às rádios, cá para mim, com tanta gente em casa já farta de ver televisão não seria esta uma boa oportunidade para as rádios deixarem de ser só coisa para condutores em viagem e motoristas de camiões? Já era altura de se reinventarem, saírem da obscuridade em que caíram e tentarem cativar novos ouvintes. É que já nem servem para sabermos se vamos apanhar trânsito pelo caminho! Outra ideia mas agora para as rádios, principalmente para as rádios locais: reservar uma hora ou mais por dia do seu tempo de antena para que, à semelhança de uma secção de “Cartas do Leitor” para jornais, comuns cidadãos se pudessem sentar em frente ao microfone durante 5, 10, 20, 30 minutos a discorrer sobre qualquer assunto que seja de seu interesse. Até podiam estender esta ideia aos mais novos (10, 12, 15 anos…) e pô-los também em frente ao microfone para que também eles pudessem falar livremente do que quisessem. Quem é que não gostaria de ouvir o que têm para dizer? Incutir-lhes o gosto pela comunicação, logo desde cedo, não me parece má ideia.

    1. Tem que ser para ‘as locais’, as outras são pertença de grupos económicos.

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