No que diz respeito à intervenção das televisões na vida das pessoas, o IRRITADO confessa várias limitações. Como não tem pachorra para telenovelas nem para talk shows, como acha a dona Teresa um abominável estupor, a dona Bárbara uma infelicidade de sapato 44, como não sabe o nome de outras senhoras(?) ditas “famosas”, como os filmes que há de borla são só, ou pancadaria ou pura estupidez, vê-se na contingência de, para lá de um ou outro programa em canais estrangeiros, nadar para aí à procura de debates políticos, as mais das vezes com frustrações diversas e irritações mais ou menos profundas.
Ontem à noite, aí vai ele aos canais ditos de “informação”. Num, perorava o desinteressante esquerdóide Máventura Sousa Santos, noutro a insuportável e ultrahistérica balzaquiana que dá pelo nome de Constança, um terceiro dedicava-nos a distinta presença de João Soares e, num quarto, um tipo a falar do “pacto de agressão”.
Desligada a geringonça, o IRRITADO, depois de uma hora de leitura, decidiu voltar, para ver uma coisa que se chama “Expresso da meia-noite”, que é às onze como a revolução de Outubro foi em Novembro e a Oktoberfest é em Setembro. O espectáculo era um exemplo do mais puro pluralismo democrático-informativo: o tipo do lacinho e o Costa mais novo em suave troca de impressões com os seguintes senhores: o sombra do Pinto de Sousa a que se dá o nome de Silva Pereira, o horrendo secretário do Soares pai – um tipo completamente parvo dito Ramalho -, um rapazola do PC cujo nome escapa ao conhecimento do IRRITADO e, belo raminho de salsa, o correctíssimo Tavares, promotor de uma nova organização destinada a segurar-lhe o tacho no PE. Pluralismo, não é? A discussão política devidamente contida nas fronteiras da esquerda, e de que esquerda! Esmagado pelo critério da escolha dos intervenientes, o IRRITADO desligou imediatamente o aparelho. Não pode, por isso, comentar o que disse o quarteto, mas imagina, como qualquer ser humano, o que aquilo foi: informação e debate do que há de mais puro, mais esclarecedor, mais honesto.
É tudo. Mis para quê?
*
A quem o lê, pede o escrevinhador desculpa da maçada que dá ao descrever estas suas infelicidades nocturnas.
23.11.13
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário