Nunca jamais em tempo algum o primeiro ministro em exercício deu tantas entrevistas aos jornais/rádio/TVs/etc. Nunca jamais em tempo algum houve tantos debates pré-eleitorais ou, melhor dizendo, tantas entrevistas pré-eleitorais. Nunca jamais em tempo algum houve tantas idas a feiras, mercados, festas populares, etc., nem tanto chouriço assado, tantos copos de tinto, tantos pastéis de bacalhau. Nunca jamais em tempo algum houve tantas inaugurações pré-eleitorais, mormente de coisas sem importância nenhuma.
Estamos afogados nisto, outdoors, websites, meninas a espirrar panfletos, tipos de biciclata “para salvar o planeta”, todos a ver quem mais “salva”. Nenhum partido se livra de tal “salvação”, é ver quem mais parlapateia e mais pedala sobre o assunto, sem que ninguém perceba que, se é verdade que muito se pode fazer para melhorar a nossa vida, no caso do planeta, ou o próprio se desenrasca, ou não há biciletas que o safem.
Desculpem estas irritações. O que me traz, hoje, é a acumulação das que os “debates” me causam. Vi alguns, e bocados de outros, repetidos à exaustão nos canais de notícias, o que me legitima esta conclusão: ainda não houve debate algum. Tem-se tratado, quando muito, de duas entrevistas em simultâneo em que as estrelas da companhia são uns tipos auto intitulados “moderadores”. Ainda não vi outra coisa que não fosse a exibição destas criaturas. Elas não moderam, conduzem, marcam a agenda da conversa, impõem os seus temas, interrompem qualquer palavreado que saia do guião, impedem seja o que for que possa levar à formação de qualquer opinião. Uma trafulhice sem nome. Um tal senhor Teixeira, por exemplo, com assento na SIC, é o exemplo mais acabado da profissão. Manda quem pode, não é?
Os maiores disparates são ditos com os “incentivos” dos “moderadores”, as perigosíssimas asneiras do tipo do PAN, as águas a evaporar-se das barragens da tipa do BE, as palavrinhas doces do Jerónimo à procura de um lugarzinho junto ao poder, a propaganda desmesurada e sem escrúpulos do Costa, a horrível inépcia do Rio… um mar de inanidades potenciadas pela chamada comunicação social, a ausência de verdadeiro contraditório, uma pessagada sem nome.
No fundo, talvez isto seja um espelho do que se passa. À excepção do CDS, honra lhe seja, anda tudo amalgamado nas mesmas bocas, não há um único partido parlamentar que não seja, pelo menos, social-democrata e ecologista. Até o BE já se diz social-democrata! Até o PSD ressuscita a sua anuência, aplauso e irmandade com a parte do PS que ainda tem pretenções a tal. E, ó joia, vemos o próprio PC andar com falinhas mansas, a esconder os seus fins e objectivos.
Foi neste miserável pântano que a geringonça nos meteu e que, pelos vistos, vamos ver, correcto e aumentado, nos anos mais próximos.
Vamos votar em quem?
10.9.19

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