IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TAP

Não é preciso ser um especialista em aviação para perceber que as chamadas “companhias de bandeira” deixaram de fazer sentido. Têm os dias contados. Boa ou má (boa e má), a globalização deu cabo do conceito.

Será a procura o que determinará a viabilidade das rotas e das companhias de transporte aéreo. Não é por acaso que a TAP foi sempre deficitária, só tendo tido bons resultados uma vez, a confirmar a regra. Não parece, por isso, razoável a insistência na tal companhia de bandeira. Se as rotas com origem ou destino em Portugal forem rentáveis, não haverá quem não queira explorá-las. É uma questão de marketing. Insistir na diáspora ou nos PALOP como justificação já não colhe. Ainda menos colhe querer continuar a sustentar com fundos públicos uma empresa que não consegue nem jamais conseguiu sair do vermelho. Ou será que a geringonça tem alguma mèzinha mágica para resolver o problema?

Para a extrema esquerda tal mèzinha existe, e é a mesma de sempre: a nacionalização. Os camaradas do PS têm outra solução, tão inteligente como aquela: acham que, passando a gestão a ser pública, tudo se resolve: o governo mete lá uns amigos, e acabou-se. Tanto uma como outra destas soluções entra nos domínios do ridículo. Ambas contribuem, com irrefutáveis provas dadas, para os imensos problemas que promovem. O Estado ultrapassa os seus limites, passa a regulador de si próprio, desautoriza-se, falha. E, numa como noutra das soluções os resultados são afins, e inevitáveis: chamam-se ruína.

É discutível, mas tem lógica, que os Estados proporcionem e suportem condições especiais para voos entre os seu territórios mais afastados, ou periféricos, cujas circunstâncias geográficas e a falta de procura tornam tais voos deficitários, portanto não atractivos para a exploração comercial. Trata-se de uma excepção de mero carácter político, um custo para o Estado. É por aí que o Estado devia ficar.

No caso da TAP, seja qual for a “solução” encontrada, estamos estre espada e a parede, ou seja entre um ministro boçal e ignorante e um amigo do chefe. Venha o diabo e escolha. A espada não se entende com a parede, os privados estão fartos das ordinarices de um e do poder informal do outro, o chefe não tem qualquer ideia a este respeito – limita-se, como sempre, a ver de que lado está o vento. Nada de bom se pode esperar. Certo certo é que vamos pagar os buracos que o covide abriu e o atraso nos resultados que a monumental expansão da companhia motivou.        

Os bancos foram ajudados pelo Estado. Tais ajudas (aos bancos que não foram vítimas de gestão danosa) estão pagas, e com bons resultados em juros. As ajudas deram lucro ao Estado! Exceptua-se o maior beneficiário de tais ajudas, a Caixa Geral de Depósitos, que é pública, não paga, o que é difícil de perceber. No entanto, a explicação é simples: vivemos governados por socialistas, sejam moderados, radicais ou estalinistas.

Nada pareceria impedir que o mesmo se passasse com a TAP. Com uma reestruturação radical, mas bem pensada e executada, e com uma gestão de grande categoria e experiência do ramo, acredito que seria possível, em meia dúzia de anos, levá-la a uma situação aceitável, que permitisse a sua venda em condições igualmente aceitáveis. O que não se compagina com ideias estatistas, com socialismos bacocos, com gestões públicas, com “ideais” de companhias de bandeira ou com idiotices pós-coloniais.

 

2.7.20



5 respostas a “TAP”

  1. Se um país não é viável fecha-se o país, faz-se um leilão da mobilia, vende-se o povo para escravo. A globalização, o mercado, resolvem todos os problemas, excepto quando aparece uma crise, uma pandemia.

  2. Caro Irritado, ao contrário das suas certezas, tenho duvidas que as chamadas “companhias de bandeira” deixaram de fazer sentido. Aliás, a dúvida nasce da “certeza” que o Estado é mau gestor (em contraponto ao “privado”), porquanto desde que o “magnânimo” sr Silva (re)privatizou a economia os resultados dessa ação politica, demonstraram o inverso. Senão veja: quantos (ex)Ministros após fizeram fortuna nessa sequência?

    1. Não sei se haverá alguma “companhia de bandeira”, ou ex tal coisa, que ainda tenha gestão pública e esteja viva.

      1. É verdade, porque será?Naminha oponião, os “politicos sem visão” (palavras suas) vêm os seus interesses. Daí, acusam o Estado de ser mau gestor (nas suas palavras, estão a gerir coisa alheia). Ora, todos sabemos que estes gestores privados estão a gerir a mesma coisa alheia, só que mais cara é (sempre) à nossa custa. O Mexia é o melhor e mais atual exemplo.Já agora, não quer explicar como volvido mais de 30 anos de privatizações a “coisa alheia” está muito pior!!!

      2. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        O comentário acima releva uma velha contradição do Irritado: culpa sempre o Estado, mas não a classe política que o gere – excepto o PS, claro – como se os ‘gestores’, as decisões e as políticas do Estado viessem do nada. De onde veio o Mamão Mexia? De onde veio o chuleco Frasquilho, ‘gestor’ da TAP? Quem nomeou o brasuca obscenamente sobrepago antes dele? Quem escolhe e avalia esta canalha, senão canalha igual? Interessa aos mamões que tudo do Estado corra mal. Interessa-lhes não ter concorrência. E interessa-lhes comprar o Estado – o que do Estado dá lucro – por tuta e meia. O Irritado sabe perfeitamente disto.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *