IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TANATOLOGIA

 

A nova investida das esquerdoidas, com o obediente apoio e colaboração do PS e dos animalescos, “ressuscitou” a eutanásia, símbolo da nova “moral” que, aos poucos ou aos muitos, vem sendo imparavelmente imposta à sociedade.

Em suma, trata-se de legalizar a morte provocada, até agora chamada assassínio. Há mortes provocadas que são legais. Tradicionalmente, é legítimo matar no teatro de guerra, é legítimo matar em legítima defesa, e até, modernamente, se tornou legítimo matar fetos indesejados. Faltava a morte “colaborativa” e “humanitária” de pessoas indefesas. A desculpa, erigida em virtude, é o desejo expresso pelas vítimas, como se fosse possível averiguar se tal desejo, formulado com a pessoa em boa saúde mental, ainda fosse “vivo” na hora de o levar a acto, quando a pessoa já não está em situação de o confirmar. Mas, mesmo que o faça, uma coisa seria o seu desejo, outra o “direito” de terceiros a executál-o, isto é, o direito de a matar. Os executores não estão em guerra com o executado, este não os ataca dando-lhes o direito à legíma defesa, nem são algo que a modernidade, dita “progressista”, considere não ser um ser humano, como no caso do aborto.

É de matar que se trata. O direito de matar não é coisa que um parlamento dito democrático possa instaurar, no exercício de um poder que não tem, nem pode ter. Também não é coisa que se referende. A soberania do povo não pode confundir-se com o poder de assassinar, coisa própria de aberrações como o nazismo, mas claramente inaceitável noutros sistemas de valores. Confundir assassínio com sentimentos nobres, como o fazem as esquerdoidas, os animalescos e, escândalo dos escândalos, os socialistas ditos defensores dos direitos humanos, é uma aberração sem nome nem perdão.      

Mas, nesta como noutras matérias, a sociedade portuguesa não tem defesa. O Parlamento votará a aberração por maioria simples. Parece ser inútil recorrer ao Tribunal Constitucional, dominado por esquerdistas e afins, como desde há muitos anos. O Presidente da República gostaria de fazer qualquer coisa, mas do que ele gosta está o inferno cheio. Ficará parado, sem munições nem grande vontade de se opor à esquerda, sua babitual protegida.

E, no entanto, em boa doutrina democrática, o assunto não deveria sequer ter direito de cidade. É uma mera questão de consciência moral, talvez o campo em que a crise dos nossos tempos é mais profunda.

 

13.2.20



7 respostas a “TANATOLOGIA”

  1. Hoje em dia há uma infinidade de pessoas, normalmente idosas, vivendo sozinhas, cuja família mais próxima tem uma vida muito ocupada quando não está mesmo espalhada pelo mundo. Os amigos, poucos, também só têm tempo para ir fazendo um ou outro telefonema que lhes descanse a consciência. É compreensível que essas pessoas, no momento em que deixam de ser independentes, seja porque se dão conta de que a memória lhes foge com frequência demasiada seja porque já nem os paliativos estão disponíveis sempre que necessários, se preparem para pôr fim a algo que já não é vida, já não permite qualquer esperança. E se houver alguém, proximo ( a família normalmente está distante e não se dispõe a dar apoio nessas circunstâncias ), que a ajude nessa viagem para um rápido fim desejado, isso é uma benção que não merece, de modo algum, ser sancionada.É, pelo menos, melhor do que ser vítima dos abutres que por aí andam procurando idosos sozinhos que tenham independência financeira, para se aproximarem, seduzirem e enganarem facilmente essa pessoa necessariamente carente, com o único objectivo de se irem apropriando dos seus bens. O que conseguem fazer com grande mestria e impunemente, na maioria dos casos.Pessoalmente, acho que estudar e aplicar medidas que ajudem a minimizar o sofrimento dos idosos sozinhos embora com meios e vontade de não saírem das suas casas é um problema muito mais premente do que desciminalizar a eutanásia. E, por maioria de razão, proporcionar também um fim tranquilo a quem deseja mas não tem meios para o fazer na sua casa, sem apoios externos. Porém, com estes dramas, de que todos conhecemos a existência, não vejo nenhum político preocupar-se seriamente. As dores de fim de vida devidas à solidão e isolamento não são mais suportáveis do que as dores provocadas por doenças físicas. E quando as duas se juntam, não nos podemos admirar que se deseje antecipar o fim. Alguém imagina o sofrimento por que devem ter passado aqueles desgraçados que são encontrados mortos, sozinhos, nas suas casas ao fim de dias, meses ou até anos?Tratar da eutanásia antes de se resolverem de outro modo estas situações que estão a montante dá ares de se estar a analisar a situação da terceira idade em sentido contrário. É claro que a eutanásia não trata só de problemas de idosos mas acaba por ser um questão que se aplica com maior frequência em casos desses. É estranha a arrogância dos responsáveis que parecem estar certos de que a eles nunca essas desgraças vão acontecer. Quão pouco eles conhecem da vida! Sem duvida que têm passado por ela a não olhar senão para o umbigo.

  2. Pela primeira vez não consegui ler até ao fim um comentário daquela que aqui se identifica como Isabel dado ter sido acometido por uma forte indisposição que me provocou intensas náuseas dada a repulsa sentida pelo que lia. Felizmente para mim, havia uma casa de banho por perto. É tipo de gente que vem com falinhas mansas a defender o inferno como se este fosse a melhor coisa do mundo. Absolutamente repugnante! Em vez de seguirmos os melhores exemplos que ainda há com fartura por esse mundo fora há por cá gente que quer fazer de Portugal uma Holanda versão 2.0 onde se pune com a pena de morte todos aqueles que se encontram em situação de fragilidade. Daqui a nada aprovam na Holanda o tal comprimido e em menos de nada também isso para cá virá igualmente sem direito sequer à mínima discussão. E… velhos ou novos, vai tudo a eito! A pessoa ficou demente? “É um fardo, coitadinha. É melhor acabar com o seu sofrimento!” Esquece-se esta gente que estar demente nem sequer é o mesmo que estar em sofrimento e/ou infeliz e quem assim pensa mais não está a fazer do que a projectar nos outros, nos debilitados, os seus próprios medos e inseguranças pois, no fundo, sabem que podem vir a passar pelo mesmo mas entrando em negação, em profunda negação, negam a outros o direito à existência, à vida. Pois informo que uma pessoa demente pode perfeitamente continuar tão feliz como sempre foi toda a sua vida, basta para isso que a respeitem. seja bem tratada e não façam dela um empecilho. A verdade aqui é que o único fardo está unicamente na cabeça de quem não quer ajudar a tratar destas pessoas. Tão simples quanto isto. As maiores atrocidades têm mesmo explicações bastante simples. Não querem tratar dos seus familiares fragilizados? Pois há quem se disponha, por vocação, a tratar deles a troco de uma mensalidade. Mas às tantas este é que é o verdadeiro horror para muitos: gastar dinheiro! E nem tanto a visão de um possível futuro! Pois saibam que há instituições onde a mensalidade a cobrar é proporcional aos rendimentos declarados no IRS. A pessoa entrou em depressão? “Já não funciona normalmente, coitadinha!” “Está cheia de bichos-carpinteiros na sua cabeça” e o melhor, segundo esta gente, é acabar com tais sofrimentos. Pois igualmente informo esta gente que sujeitos a depressões estamos todos e, muito frequentemente, apenas por questões de romance. E mais… uma depressão não tratada é apenas uma depressão para a qual ainda não foi administrada a terapia certa. A pessoa sofre de cefaleias, especialmente daquelas em que amaldiçoa o dia em que nasceu? “Pois ora tome lá esta receita de analgésicos mas se não resultarem tem aqui outra de um comprimido milagroso que acaba com esse sofrimento de uma vez por todas.” Assunto resolvido e venha o próximo! (Divagando um pouco… o paciente pega nas duas receitas, avia-as na farmácia mais próxima julgando que a 2.ª é apenas de algo ainda mais forte do que a habitual primeira e assim, julgando-se mais prevenido, retorna a casa. No entanto, cuidadoso como sempre foi em relação a medicamentos, decide ler a bula do novo medicamento e em choque com o que lê e jurando nunca mais voltar a tal médico imediatamente o deita no caixote do lixo. Por azar, umas horas mais tarde, já fazendo-se noite, sente mais uma cefaleia a caminho, toma a habitual medicação e vai-se deitar fechando-se no quarto na mais absoluta escuridão e silêncio antecipando já a pior fase a durar umas boas (más) horas. A meio do tormento e depois de já ter murmurado inúmeros palavrões numa média de um a cada 5 segundos e de já ter amaldiçoado mais de cem vezes o dia em que nasceu, lembra-se do comprimido que horas antes e muito convictamente tinha deitado para o caixote do lixo…)

  3. Uma reflexão sensata e pertinente da Isabel, em contraponto à rigidez ideológica do Irritado. Como acontece no aborto, na adopção gay e outras questões ditas fracturantes, e também no debate político, o meio-termo é um país pouco visitado. Para o lado anti-eutanásia, quem a apoia é assassino. Para o outro lado, quem a recusa é sádico. Eu concordo com a Isabel: não tendo certezas absolutas, nem percebendo como se pode tê-las, inclino-me mais para o Sim. Os argumentos do Irritado, a meu ver, ficam aquém. O Estado não passa a poder matar de forma arbitrária ou punitiva. É uma situação extrema, terminal, de sofrimento sem esperança, que merece ser uma excepção. Todos os dias se mata pessoas nessa situação. De forma ilegal. Prefere manter a hipocrisia, como no aborto? Parece-me melhor adequar a Lei à realidade, por desagradável que seja. Ninguém quer passar por isso, mas não escolhemos. Poderá haver abusos? Já acontecem hoje. Quem quiser matar velhos, mata-os. Quantas mais pessoas serão ajudadas pela lei, quanto sofrimento será poupado? Isto é o mais importante; isto e a vontade da pessoa. Curioso. O Irritado é que é o ‘liberal’, o que passa a vida com a escolha e a liberdade e o indivíduo e outros conceitos bonitos.

  4. Quanto ao nauseado anónimo, creio ser este o ponto dele: a malta não está para tratar dos familiares velhos e/ou dementes. Não está para ter trabalho nem despesa. É verdade que há muita gente assim. Tal como é verdade que há muita gente na situação descrita pela Isabel. Ou pior. Nesses casos que fazer? Vamos fingir que o mundo vai mudar, ou que o Estado, com a Saúde tal como está, pode ou quer cuidar delas até ao inevitável fim? Essas boas intenções, esses confortáveis princípios de sofá, servem de pouco a quem sofre sem esperança possível. Fazer isto pode ser uma prioridade trocada, como diz a Isabel, mas uma coisa não impede a outra. Não vejo como uma sociedade civilizada possa negar o direito a uma morte mais humana, quando não há alternativa melhor.

  5. Os hospitais privados recusam a eutanásia. Logo não há crise. Dado o estado em que se encontra o S.N.S., até para a eutanásia, vamos ter gente a morrer em listas de espera.

    1. Avatar de Antonio Leite de Castro
      Antonio Leite de Castro

      Não sou anónimo. Sou António Leite de Castro

  6. Extraordinário, há quem (também por aqui) julgue que há meios termos na morte! Pois, na vida há muitos meios termos mas na morte… não há nenhum. Triste sina a nossa que levámos com esta gente que trata mal e porcamente o SNS e seus utentes tratando-nos a todos, literalmente, abaixo de cão. É esta gente que nos tira toda a esperança e nos avisa: “se não encontrarem já alguém da vossa maior e extrema confiança e não guardarem dinheiro para que cuide de vós quando chegarem a velhos ou caso tenham algum grave e debilitante acidente nós também cá não estaremos para vos apoiar. O nosso objectivo são hospitais de fazer inveja livres de macas nos corredores, hospitais bonitinhos, limpinhos e sossegadinhos sem as vossas lamúrias a importunar os saudáveis”. Em vez de se proporem a lutar com unhas e dentes por uma sociedade mais justa que trate todos com igual respeito, novos e velhos, saudáveis ou doentes, prefere esta gente propor -se a acabar com as enormes injustiças do sofrimento alheio com a morte de quem assim sofre. Assim dita o progresso defendido por esta gente. Absolutamente repugnante, nauseante!

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