IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SITES E VISTOS

 

A matilha tem feito os habituais esforços para meter na cabeça de cada um que a ministra da justiça é a grande culpada dos trinta dias em que o site esteve com asma. A política, em Portugal, é, sempre foi, assim. O adversário é para destruir, não para criticar. Portanto, demissão, e já!

O IRRITADO foi dos que, muito antes da ministra, falou em sabotagem. A ministra queixou-se, os especialistas informáticos da PGR (haverá lá disso?) acharam que não era sabotagem. Os dois técnicos que estariam na coisa foram ilibados. São, todos os dias, incensados na “informação”: a culpa não era deles, é da ministra, ao que parece egenheira informática especialista em sabotagens. Devia ser despedida na hora, como é evidente.

Aceitemos então, por conveniência de estilo, que não houve sabotagem. Mas o site não funcionou. Então, o que houve? Resposta: engano, incompetência, ou… o quê? Segundo o politicamente correcto, nada disso: a culpa é da ministra, e acabou-se. Assim se faz justiça popular, ou se mete a tal “justiça” na cabeça das pessoas: uma das mais nobres missões da oposição e da “informação”, segundo a deontologia em voga.

Enfim, parece que o pior já passou.

*

Temos agora o ingente problema dos vistos. Há muito se desconfiava (o IRRITADO desconfiava) que havia uma data de “comissões extraordinárias”, ou de “gentilezas propiciatórias”, pelo menos no caso dos chineses. As agências, aliás, tinham por hábito informar os vendedores que, no caso dos chinocas, os habituais cinco por cento eram para esquecer. Vindo o dinheirinho de Pequim, havia que contar com vastas redes de comissionistas, intermediários chineses, advogados chineses, advogados portugueses, enfim, uma cadeia que, lá para os orientes, é habitual e inatacável e que, por cá… foi andando.

Não se esperava era que a cadeia subisse tão alto, ou fosse tão vasta e tão “eficaz”.

A polícia atacou, investigou, escarafunchou, e engavetou uma data de gente. O governo, como lhe compete, não mexeu uma palha. Imaginem isto no tempo do Pinto de Sousa, meus amigos, e vejam a diferença! Alguma coisa, não pouca, mudou nesta terra, para (muito) melhor.

Mas a matilha lá anda outra vez. A culpa é do ministro, como é evidente, não é? O principal suspeito foi lá posto pelo Pinto de Sousa, mas a culpa é do ministro e, já agora, do Passos Coelho. E não falta quem branda com as “ligações” do ministro, mesmo tendo saído de uma firma que se tornou suspeita – não o era quando ele lá estava – assim que tomou posse, e tendo renomeado o nomeado do Pinto de Sousa. Para a “informação”, porém, o que conta, o que é preciso, é dar cabo do homem.

*

Esta gente habituou-se – já estava habituada – a dar cavadelas a a ver sair minhocas quando o PS andava para aí a trafulhar. Agora, dá cavadelas e, como não saem minhocas, fica desesperada. Há que fabricá-las. “Sem minhocas não há informação”, deve ser, ou é, o primeiro mandamento do código do nacional jornalismo.

Vai correr muita água neste assunto dos vistos. A ver vamos no que dá ou deixa de dar.

Facto é que, na política, há coisas que muito melhoraram. O que, para a matilha, é insuportável.

 

14.11.14

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “SITES E VISTOS”

  1. Quando rebentou isto do Citius, lembro-me de ouvir uma entrevista ao inevitável Tribolet, em que este aventava que o problema seria a falta de metadados. Tal como ele, não trabalhei no Citius nem percebo peva do assunto, mas o bitaite dele faz sentido. Imagine que tem um simples ficheiro, digamos em Access ou Excel, com todos os seus livros categorizados por título, ano, autor, etc. Alguns até estão incompletos ou mal preenchidos, mas para o que é chega bem. Um belo dia compra um programa especializado, e decide migrar tudo para lá. O programa até permite importar o seu ficheiro, mas os metadados não batem certo: além dos seus dados incompletos ou incorrectos, o programa tem mais campos sobre cada obra (ISBN, categoria, tema, resumo, etc.), que V. não se deu ao trabalho de inserir. Se multiplicar isto por milhões de processos, juristas, arguidos, testemunhas, etc., tem o resultado que se viu. Era preciso (muito) mais tempo, e trabalho manual, para compatibilizar os dados e inserir os que faltam. Isto é um problema recorrente em migrações deste tipo. Culpa da ministra? Se foi avisada e mesmo assim decidiu avançar, então tem obviamente culpa. Um sistema tão crucial só devia estar online após cem testes exaustivos, e mil confirmações dos técnicos e dos serviços. Mas vamos supor que não tem: foi mal aconselhada, ou os técnicos induziram-na em erro. Então a culpa morre solteira? Os técnicos foram ilibados, como sabe. Muita gente (eu incluído) foi prejudicada pela burrada. E agora? Ficamos assim, correu mal, paciência? Na Tugalândia, os políticos não temem consequências: só têm a chamada “responsabilidade política”, na prática porra nenhuma, demitem-se do tacho e vão para outro. Até essa já acabou?

    1. Obrigado pelo seu esclarecimento técnico. De resto, até tem razão. No caso de os técnicos terem falhado, julgo que a responsabilidade pode não ser criminal, dando esse benfício da dúvida à PGR.

      1. A sua leitura selectiva é engraçada. Há basicamente duas hipóteses: 1) culpa da ministra, por mandar avançar sem garantias; 2) culpa dos técnicos, por incompetência ou sabotagem. Supor sabotagem é no mínimo rebuscado, num processo que deve envolver largas dezenas de técnicos. Ou acha que o Citius é controlado, e milhões de processos são migrados, por duas pessoas? Sendo incompetência, então quem é o responsável máximo? Quem manda, quem dá a cara? A acontecer numa empresa, resultando num prejuízo avultado, o que aconteceria a esse responsável? Insisto: será que até a fantasiosa “responsabilidade política” já acabou?

  2. Os “vistos gold”: certo, os corruptos até vêm do governo anterior. Mas seria preciso ser um génio para ver que um esquema já de si corrupto, num país de corruptos, só podia dar nisto? Todo o conceito “visto gold” é vergonhoso até à quinta casa. Um país (supostamente) europeu acolhe angolanos, chineses, sudaneses, qualquer escória que precise de branquear o nome e o dinheiro, em troca de umas lecas. Não pergunta nada sobre a origem do dinheiro. Não exige sequer um investimento produtivo, basta que o potencial chulo / corrupto / criminoso compre uma bruta casa. Em muitos casos a massa deve ir direitinha para um offshore do vendedor, os contribuintes nem lhe vêem a cor. Mas o governo faz contas mirabolantes sobre o “investimento” recebido, a Paulinha Submarina dá pulinhos de alegria, os corruptos do circuito metem umas lecas ao bolso, e o “investidor” recebe um carimbo de cidadão exemplar. Se isto não é ser uma puta, não sei o que é.

  3. Estou alinhado com o sr Irritado e também com o sr Filipe em quase todos os pontos.Sobre os Vistos, entendo que o mal reside em quem não é digno de ocupar funções na máquina do Estado. O processo em si não critico.Dá mais interesse ao país receber visitantes que deixam capital e têm poder financeiro do que os milhares anualmente assimilados por razões que a razão contraria (a assimilação de indigentes e parasitas estrangeiros que vêm na aquisição de passaporte português uma oportunidade para entrar nos países mais ricos da UE é uma operação inacreditavelmente aceite de forma pacífica por todos os partidos. Os que permanecem são uma fonte inesgotável de eleitorado para o PCP, BE e PS, os distribuidores de recursos do Estado a troco de votos). E que vêm alimentar os gangs da periferia e as numerosas fileiras de dependentes do Estado Social, beneficiando de casas, água e energia eléctrica à conta do contribuinte.O que correu mal foi exactamente decorrente da desonestidade de quem ocupa cargos públicos sem espírito de serviço à comunidade e que no tempo do outro fascismo era duplamente penalizado.Não vale a pena dar receitas para esta epidemia. Todos conhecem como se pode cortar o mal pela raiz.

  4. Avatar de Advogado Estagiário
    Advogado Estagiário

    A sabotagem do Citius foi “uma invenção do Ministério da Justiça (MJ)” para “manipular a opinião pública a seu favor”, incorrendo num possível crime de denúncia caluniosa que pretendeu criar “bodes expiatórios”. A denúncia é da Ordem dos Advogados. A bastonária, Elina Fraga, considera que o que aconteceu pode “configurar crime” e que em causa esteve “uma manobra política que correu mal, mas cujo objectivo era queimar duas pessoas em praça pública”. A ideia é defendida também por vários juízes e procuradores que ontem se indignavam nas redes sociais com a situação. Em comentários deixados no Facebook, garantiam não ter qualquer dúvida “em aplicar o Código Penal”, considerando a actuação um “crime de denúncia caluniosa”. Ler mais em: http://www.oa.pt/Conteudos/Artigos/detalhe_artigo.aspx?idc=44373&related=1&ida=137029

    1. Caro estagiárioSe V. tem como “orago” a sua bastonária, que credibilidade tem o que diz?

      1. Avatar de Advogado Estagiário
        Advogado Estagiário

        Uma credibilidade bastante superior à sua e à da sua protegida MJ, caro António Borges.

        1. Aliás, “A ideia é defendida também por vários juízes e procuradores …”.

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