Uma coisa há a agradecer à dona Maria do Dafundo, perdão, de Belém. Não, não se trata da bem merecida gratidão dos fabricantes de laca, nem da dos manufactores de saltos altos. Trata-se da minha.
Dividir o PS só pode ser bom para todos nós. Pôr o Nóvoa de encontro à parede também. Agradeço.
O inteligente Alegre, das catacumbas da voz grossa e da política, veio dizer que é uma candidatura contra o “machismo”. Como o maior, talvez o único trunfo da senhora, é ser mulher, não há machismo nenhum contra o qual lutar. Só se houver muitas “machistas” na maioria de mulheres que integra o eleitorado.
O Costa, por seu lado, ganha mais uma oportunidade de ouro para meter os pés pelas mãos, actividade em que, como é sabido, se tem vindo a especializar com assinalável sucesso. Foi apoiante do Syriza e passa a vida a dizer que não, nem sabe o que é. Vociferava contra a austeridade, mas já acha que é capaz de não ser má de todo. Para ele, a austeridade não é carne nem é peixe. Para dizer o que lhe vai na alma, nem sabe bem o que é ou vai ser. Achava que a segurança social tinha sido salva pela falhadíssima reforma do PS, mas já confessa que faltam milhões. Clamava pelos bens transaccionáveis, mas veio a pôr-se, mercê dos macros do plantel, a exigir consumo interno e a prometer dar dinheiro (a prazo!) para o aumentar. Andou com o Nóvoa ao colo, e olha o presente que a dona Maria lhe deu: um par de botas que jamais será capaz de descalçar.
Coitado do Costa! Ele, que julgava ter o pássaro na mão! Não há direito! As contas estão todas, sem excepção, a sair erradas. As marteladas que os tipos do plantel deram nas contas, mascaradas de alta competência, nem um dia funcionaram, nem jamais funcionarão, como já não há quem não tenha percebido.
Ainda por cima os cartazes! Emendados estes, sem que o Costa, responsável máximo, se tenha demitido, veio reforçar o seu slogan: Confiança!
Mais uma irremediável patada na poça. Confiança é última coisa de que ele pode convencer seja quem for. Poderá haver quem vote nele porque não gosta dos outros, ou porque tem a pedra no sapato, ou porque ainda acredita no Pinto de Sousa e nas suas miseráveis hostes. Mas, mesmo esses, não terão nele, porque é impossível, aquilo que ele propagandeia: confiança.
Em suma, Costa passou a cómico, tão cómico que é capaz de fazer o mesmo de há cinco anos, ou seja, ter uma data de candidatos à presidência.
É tudo. Com os meus desejos que a Dona Maria, de quem muito gosto, tenha os resultados alcançados nesse tempo pelo seu apoiante Alegre, e que o palavreadoso Nóvoa se fique pelos do camarada Soares. Isto, com o Costa a atravessar o deserto, seria o ideal.
18.8.15

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