Quase todos os dias, os jornais referem, como se se tratasse de problema exclusivo dos venezuelanos, as malfeitorias do senhor Chávez e da sua acanalhada camarilha. Nacionalizações trafulhas, ataques cada vez mais violentos a quem não é da cor ou deixou de o ser, atropelos a tudo o que é Direito, processos, prisões, aldrabices políticas.
Perante isto, os amigos portugueses do senhor Chávez andam caladinhos como uns ratos.
Um pequenote de nome Braga, que “abriu”, com pompa e circunstância, as portas da Nação ao fulano, nunca mais apareceu.
O senhor Pinto de Sousa, visita do senhor Chávez e o mais visitado dos seus amigos, mete-se em copas.
O Dr. Mário Soares, o maior nacional-elogiador do homem, nunca mais tocou no assunto. “Tá queto ó mau!”
Como o Irritado, e muito bem, não se cansou de avisar, os tão celebrados “negócios” do senhor Pinto de Sousa com o tirano da Venezuela vão todos por água abaixo, a começar no “Magalhães” e a acabar nas “energias renováveis”.
Uns, nem sequer chegarão a realizar-se. Foram “suspensos”. Felizes os que se livraram a tempo das propostas da parelha Pinto de Sousa/Chávez.
Outros, estão em banho-Maria. Ai de quem já lá pôs um chavo!
Outros ainda, jamais passarão de bombásticas declarações para impressionar o Zé.
Como sempre foi mais que óbvio, o senhor Chávez tem mais que fazer que aturar o senhor Pinto de Sousa ou que se preocupar
com o Zé. Não lhe chega o tempo para perseguir a oposição, nem o dinheiro para pagar as armas à Rússia.
Serviu-se da propaganda do governo desta pasmaceira para obter os votos da comunidade portuguesa na Venezuela e, por cá, para épater le bourgeois. Foi tudo.
O socialismo nacional, possuído da mais profunda falta de inteligência, do mais arrevesado sentido de estado, do mais mal parido amor à Pátria, da mais desbragada demagogia e da propangandite aguda que é a marca número um da sua “governação”, embarcou-nos nas suas espúrias amizades, fez de nós os palhaços da Europa (o único país europeu com relações íntimas com o bandido), atirou sobre as nossas cabeças o pesado manto da sua irremediável estupidez.
É claro que a revolução socialista do senhor Chávez vai ter o destino de todas as revoluções socialistas passadas, presentes e futuras: mergulhará a Venezuela na mais horrenda das misérias, na total ausência de Liberdade, no isolamento e, quem sabe, na guerra.
O problema é dos venezuelanos mas é também do mundo, sobretudo daqueles do mundo que embarcaram na “crença” no socialismo chavista, igual a todos os socialismos.
Bem pode o Dr. Soares e quejandos limpar as mãos à parede. Se fossem capazes disso, recomendar-lhes-ia que guardassem para si os seus amigos e não os impingissem ao povo.
27.5.09
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário