É.
Estou farto do Pinto de Sousa, dos procuradores, dos polícias, desta monumentalmente vergonhosa saga do Freeport, do primitivismo mental de uns e moral de outros, do poder imenso que a estupidez todos os dias ganha entre nós.
O topo do Ministério Público, em vez de estar calado, em vez de resguardar a dignidade que devia ter, anda, sequioso de notoriedade, a meter os pés pelas mãos
O Procurador Geral, em vez de fazer andar os processos, diz que a mesma coisa é branca e preta ao mesmo tempo, que há pressões e que não há pressões, que os procuradores às suas ordens são independentes, como se não o fossem sans dire, como se fossem suspeitos de o não ser, como se fosse preciso afirmá-lo para que o sejam. O que só contribui, é evidente, para que as pessoas pensem que o não são e que agem sob uma chuva de cunhas e de ameaças do governo, ou seja lá de quem for.
A dona Cândida, candidamente, parece uma pretendente a estrela de cinema, abre a janela do carro para dizer inanidades aos jornalistas, espraia-se em considerações, ou inúteis ou contraproducentes. Outra senhora, cujo nome me escapa, diz coisas ferozes, mas não se vê que faça seja o que for.
Os subordinados desta gente, enquadrados, quais serralheiros, por um sindicato(!), dizem cobras e lagartos das investigações e querem ir queixar-se das “pressões” ao Presidente da República.
O senhor Pinto de Sousa e a mesnada de inqualificáveis demagogos de que se serve, acolitada por trânsfugas da direita, baralha o jogo com fantasias e parvoíces e, ó Pátria amada, consegue desacreditar qualquer investigação, baralhar toda a gente, atrasar tudo, enredar o assunto de forma a que ele acabe em águas de bacalhau, ou com algum bode expiatório devidamente seleccionado.
O senhor Pinto de Sousa não sabe, coitado, distinguir responsabilidade política de responsabilidade administrativa ou criminal. Que o homem é um ignorante, toda a gente sabe, ou devia saber há muitos anos. Mas que se arme em parvo, que reduza o assunto a um mar de calúnias, sabendo de ciência certa que de tal se não trata, é demais.
Para o Irritado, o senhor Pinto de Sousa, se houvesse um mínimo de honestidade política neste país, já tinha voltado para a Covilhã, onde muito precisam dele para assinar uns projectos abstrusos destinados a arruinar a paisagem e o património.
Mas o Irritado está farto. Vai, a partir de hoje, considerar que o Freeport é tão só um sítio onde se compra uns fatinhos Carolina Herrera e umas camisinhas Façonable mais baratos que cá fora. E divertir-se a pensar que o senhor Pinto de Sousa não passa do fantasma de um tipo qualquer.
1.4.09
António Borges de Carvalho

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