Por razões que não vêm a propósito, esteve o autor do IRRITADO, anos atrás, em contacto “íntimo” com um hospital alemão.
Os médicos começavam o seu dia de trabalho às sete da manhã, os doentes com dificuldades motoras eram ajudados por estudantes voluntários, os enfermeiros estavam sempre à disposição nunca sendo preciso esperar, os meios de diagnóstico eram de uma rapidez espectacular e… uma injecção ou uma tomada de sangue eram consideradas actos médicos, por médicos praticados, enfermeiro algum estando autorizado a espetar uma agulha coiro dos pacientes!
Admito que esta última norma seja um tanto exagerada. Mas era assim e, se calhar, ainda é.
Por cá, os senhores(as) enfermeiros(as) querem ser autorizados a passar receitas, a mandar fazer exames e não sei mais quê. A dona ministra acha que é um caso a merecer “estudo” e “debate”, uma vez que se trata de uma ingente questão de “interdisciplinaridade”(!).
Isto das corporações está em Portugal com um vigor e um nível de exigência com que Salazar, apesar de “corporativo”, jamais sonhou.
Aqui há tempos, os enfermeiros desataram às greves porque, como passaram a “licenciados”, queriam o correspondente aumento. Não, não se tratava, sequer, de dizer que as funções que desempenham merecessem melhor estipêndio. O que estava em causa era terem mudado de estatuto! Como se não continuassem a fazer exactamente a mesma coisa! Não sei o que aconteceu à justa reivindicação da classe, mas, como têm estado calados, admito que já ganhem todos como “doutores”.
Agora querem passar receitas. Não tarda exijam fazer trepanações e transplantes. Na certeza que a dona ministra lhes dirá que se trata de uma questão de “interdisciplinaridade”, a “estudar” e a “debater”.
Faz lembrar um tipo que conheço a quem, nas “novas oportunidades”, deram um dossier – que o dito nunca abriu – e duas aulas de inglês, em dois meses de “preparação”.
Agora, como passou a ter o décimo segundo ano, foi aumentado!
Continua, como é óbvio, a andar na camionete da câmara que esvazia a trampa das fossas. Mas isso não interessa. A trampa é que fica mais cara.
Lindo!
3.6.11
António Borges de Carvalho

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