IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


QUESTÕES DE ENGENHARIA FINANCEIRA

Confirmando as suspeitas existentes por aí, veio o sr. Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, tornar público, via bons ofícios da TVI, que, sim senhor, o Santos Silva, ao que parece engenheiro como ele, o vinha, há anos, sustentando. Ficou tudo cristalinamente esclarecido.

Corrido do poder por via eleitoral, o impoluto cidadão não quis ficar no Parlamento, preferindo o desemprego não registado. Os seus objectivos de vida não se coadunavam com o magro salário de um deputado. Nada mais natural. Trabalhar faz calos, mesmo na distinta Assembleia onde, se quisesse, tinha assento. Além disso, sentia-se impelido a enriquecer os seus conhecimentos filosóficos e queria, legitimamente, conhecer o excitante mundo de uma grande capital europeia. Escolheu Paris, escolheu o 16eme, e escolheu muito bem. Tudo coisa do seu nível socio-político-cultural. Infelizmente, não do seu nível económico, que não compotava a realização do sonho. Não era possível ter um Mercedes-Benz (ao que se diz, dos melhores) com motorista, para deslocçãos em Lisboa e idas a Badajoz, nem, é de pensar, outro carrinho no 16eme, uma secretária, filhos a estudar, as propinas da filosofia, uma vida decente, coisa condizente com o seus altos standing, relações e importância. Não era possível vir todas as semanas a Lisboa educar o povo através da televisão pública, cujo ordenado disse ter recusado. Não era possível sustentar o condomínio do Marquês, nem almoçar no Aviz, ainda menos na Tour d’Argent e similares.

Daí que, como é natural, normal e legítimo, tenha recorrido a um velho amigo. Este era possuidor de uns vinte milhões escondidos algures, milhões que tinha repatriado sem cair nas garras do fisco, que o nosso homem tinha transformado em acolhedores braços sem pedir nada em troca. Os milhões foram-lhe postos à disposição,e ele, para nosso descanso e esclarecimento, desde já declarou que, um dia, os pagará, não se sabe se com juros ou sem eles. Trata-se, como muito bem disse, de assunto privado, coisa de amigos com quem ninguém tem nada a ver.

Para pôr as coisas em pratos limpos, Pinto de Sousa esclarece ainda que, quando a mãezinha quis vender uns andares, a pôs em contacto com o amigo, que se disponibilizou a comprá-los. Feito o negócio a generosa senhora deu ao filhinho o que, por sua morte, lhe caberia em herança. Nada mais claro, nem mais legítimo.

Finalmente, ao que parece para amedrontar os investigadores, o “entrevistado” desanca-os por não fazerem outra coisa que não seja aplicar as leis que ele próprio inventou e subscreveu. Está certo. Ao legislar, ter-se- á esquecido de salvaguardar a sua pessoa, achando, com toda a razão, que, ça va sans dire, as suas leis eram para aplicar aos outros, não a um ex-PM, como aliás tem dito e repetido esse grande luminar do Estado de direito que se chama Mário Soares.

E agora? Agora já toda a gente percebeu tudo. Poderá segundo a “fé” de cada um, dar-se-lhe sentidos diversos. Mas, quanto à matéria de facto, não restam dúvidas: está tudo confessado e assinado pelo interessado.

Podem os juízes não conseguir provar os crimes que investigam. O homem comum, esse, só não sabe o que se passou se for completamente estúpido.

 

4.1.15

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “QUESTÕES DE ENGENHARIA FINANCEIRA”

  1. «E agora? … O homem comum, esse … sabe o que se passou …», e, como não é estúpido, exigirá que se faça o mesmo aos queridos aldrabões, mentirosos e malfeitores que o irritadiço tanto defende. Ou será que o MAC tem a fortuna que tem sem usar dos mesmos métodos?

      1. É o teu mentor.

  2. A sabedoria do homem comum depende realmente de vários factores. Por exemplo, se um PM mamou 5000 euros/mês numa Fundação manhosa, e depois um belo subsídio de “reintegração”, e depois “reintegrou-se” na mesma empresa manhosa da Fundação manhosa, que mamou adjudicações estatais também manhosas, graças às manhas de um cúmplice doutor-na-hora… o homem comum sabe que tudo isto é manhoso. Mas não é! Ou se um PR teve lucros fantásticos em acções, que nem estavam disponíveis para compra, dum banco trafulha, controlado por trafulhas do seu ex-governo, o homem comum sabe que tudo isto cheira a trafulhice. Mas não cheira! Ou se o Estado celebra contratos ruinosos com a Lusoponte, em que esta mama lucros obscenos à conta dos contribuintes e dos utentes, e depois o Ministro responsável ganha um tacho vitalício na Lusoponte, o homem comum sabe que tudo isto está entregue a pulhas que se enchem à sua conta. Mas não está! Nestes casos, o homem comum pensa que sabe, mas não sabe. Apenas homens incomuns, como o Irritado, é que sabem.

    1. Muito obrigado pelo seu comentário.José Sócrates (Engº)Est modus in rebus.Brocardo latinoNão se reponde a alhos com bogalhos.IRRITADO

  3. O modo de vida dos chulos é este mesmo.Mas não lhe deve ser difícil explicar como é que sendo um teso, não aceitou o tacho da AR, e preferiu viver à custas de um “amigo” Grande parasita. Este trafulha explica o óbvio e o contrário também. Mas só os lorpas +e que se deixam enganar.Gostaria de ouvir a explicação para o facto de ter pregado um calote em Coimbra… não pagou o renda do quarto… O pai sabedor foi a Coimbra pagar esse renda. Sabem como é que ele pagou aio pai?Pois foi não permitindo a entrada do pai na cerimónia de investidura no seu primeiro mandatoGrande filho… grande político

    1. Carradas de razão. Essa do pai é exemplar.

  4. Sobre QUESTÕES DE ENGENHARIA FINANCEIRA ninguém fala do MAC?

    1. Desembuche Sr. Anónimo. Estou com curiosidade para saber o que quer dizer. Deixe-se de insinuações. Diga o que sabe…

      1. Cá, não és meu. És um “acólito” vendido ao irritadiço, que sabe que eu sei o que ele sabe!

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