IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PROBLEMAS DE ESTACIONAMENTO

 

A dona Madona anda a fazer das suas. Depois de gastar largos milhões – e propõe-se gastar mais alguns – precisou de estacionar os seus automoveiszinhos e tratou, para o efeito, de falar com o Medina. Acontece que a Câmara tinha nas trazeiras da casota da senhora, o espaço ideal para o efeito. Parece que não o cedeu de borla, antes cobrando uma quantia que, se fosse o dobro, não seria escandalosa.

Até aqui, tudo mais ou menos bem. A dona Madona é uma mais valia para a cidade, disso não tenho dúvidas. Deixem-na andar por aí à vontade, que os tostões dela são tão bons como os dos outros, não chateia ninguém e, pela publicidade gratuita, dá indesmentível lucro à cidade. Por isso que, na opinião do IRRITADO, não é demais dar-lhe o privilegiozinho de estacionar as viaturas em terras da cidade, ainda por cima pagando barato, barato mas pagando.

Não percebo lá muito bem, nem lá muito mal, o histerismo do CDS contra a cedência, paga, dos lugares. Os munícipes, que pagam bem menos à empresa soviética chamada EMEL, não têm que se queixar.

Enquanto “cantora”, não tenho admiração especial pela senhora. Ouvi-a uma vez, há uma carga de anos, em Nova Iorque, a cantar o Don’t cry for me Argentina. Fantástico! Depois, fui vendo as suas apalhaçadas exibições, e deixei de ir à bola com ela. Mas, que diabo, é uma figura de expressão universal que dá a Lisboa a honra de a escolher.

O que quer o CDS? Que ela seja igual aos outros. Se ela tem quinze lugares de estacionamento, porque não havemos de ter nós também? O problema é que ela não é igual aos outros. Sê-lo-á em termos de direitos civis, mas não o é enquanto “personalidade”. A Câmara, o governo, o presidente, põem-se de joelhos perante o senhor Aga Khan, ou o senhor Ronaldo, por que carga de água não se devia dar, sequer alugar, uns lugarzinhos à dona Madona? O que é isto? Eu respondo: é um bando de parolos armados em partido político.

Se o PC for contra, aceito. Dona Madona é rica, portanto indesejável. Se o BE for contra, que remédio, a senhora, que conste, não é lésbica, nem tem outra especialidade do género, nem anda no metoo ou em pantominas do género. Mas o CDS? O que é que lhes deu no toutiço?

Como sabe quem me lê, não tenho ponta de apreço ou de admiração pelo camarada Medina. Mas confesso que, na circunstância, tem todo o meu apoio.

 

3.7.18      



4 respostas a “PROBLEMAS DE ESTACIONAMENTO”

  1. Parabéns pela análise crua e dura. Infelizmente para a esmagadora maioria da população lisboeta (e não só), duvido que tenham a noção desta análise. É mais fácil alinhar pela carneirada e falar em favores e afins do que ver que a gestão de uma cidade é um negocio como tantos outros que por aí proliferam á custa do turista que ca vem deixar os euros de que tanto necessitamos. Madonna é como uma loja ancora num centro comercial, ate pode estar a ocupar um espaço enorme sem pagar um tostão ou quase nada, porque, por si só atrai clientes e com eles, negócio. Tão simples quanto isto. Mas o povinho português continua mesquinho e redutor como sempre e prefere alimentar invejas que olhar para os benefícios de uma nova realidade que se vive em Lisboa.

  2. Parabéns. Bem dito (escrito)!!!

  3. Avatar de cidadão urbano
    cidadão urbano

    Quase tudo muito certo o que diz mas passados alguns dias desde que toda esta história começou a vir a público e com mais informação disponível reparei em algo mais pois é agora possível ver as coisas ainda por outro prisma e tenho de dizer que, mesmo estando Madonna muito bem de vida não consigo deixar de ter pena da arrendatária Madonna por ter arranjado um senhorio como a Câmara Municipal de Lisboa. Sim, a senhora pode até pagar pouco pelo espaço ainda para mais andando ela a navegar em rios de dinheiro e tudo o mais mas… mas não se livrou de ter a infelicidade de ter o pior senhorio à face da terra. O pior! E porquê o pior? Bem, é a conclusão óbvia depois de se ler o contrato que foi assinado entre ambas as partes. Minha nossa… a ser verdadeiro tenho mesmo pena de Madonna. (Não, não estou a ser irónico caso houvesse dúvidas.)http://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-07-02-Veja-o-contrato-mais-polemico-do-momento-o-que-a-Camara-de-Lisboa-assinou-com-Madonna A questão é esta, se em vez de uma pequena área de estacionamento fosse um qualquer outro espaço e tivesse o senhorio sido uma qualquer outra pessoa depressa este seria apelidado de insensível, ganâncioso ou até mesmo cruel e símbolo de tudo o que os senhorios têm de errado se tivesse apresentado semelhante proposta de contrato de arrendamento. Em menos de nada seria publicado numa qualquer rede social, os jornais pegariam no assunto e logo de seguida os socialistas do costume que tanto gostam de atazanar os senhorios veriam aqui mais uma excelente oportunidade de, sem excepção, fazer guerra contra todos os senhorios. Na circunstância, Medina não tem qualquer apoio meu ou não fosse ele um dos que muito gosta de perseguir os senhorios e no entanto (hipocrisia a quanto obrigas) autorizou um contrato de arrendamento em que “precário”, “meramente precário” ou “muito precário” é insistentemente repetido, em que a CML se arroga o direito de terminar o contrato se “mera conveniência de serviço o justifique” (espectáculo!), em que a CML se arroga o direito de “ordenar a desocupação do espaço cedido” em caso de incumprimento por parte da arrendatária (qual balcão do arrendamento, quais tribunais, quais esperas de meses ou anos como a isso são obrigados os meros mortais, qual quê) e, ainda, se nessa desocupação forçada a mando da CML e feita pelos serviços da CML houver danos na propriedade da arrendatária azar o dela! Se fosse o senhorio um Zé-ninguém, nesta circunstância cairiam todos em cima dele até nem ossos sobrarem mas como se trata da CML que quer, pode e manda… então está tudo bem? Não me parece. Para mim, a verdade é que é provavelmente um dos contratos mais abusivos que já li e foi autorizado por Medina cujas qualidades políticas e opiniões acerca do arrendamento estão ao mesmo nível de um Costa, de uma Catarina ou de um Jerónimo (só para citar exemplos). Mais uma vez a esquerda mostra assim aquilo de que é feita, publicamente defende uma coisa mas depois faz outra.

    1. O “laparoto” é dispensável.

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