No meio de altas e caridosas lamentações sobre as injustiças e os falhanços do mundo em geral e deste jardim em particular, uma senhora do PS chega à seguinte conclusão:
Uma das virtudes da República é a sobreposição do colectivo ao individual e do público ao privado.
Terá a sua razão, pelo menos se tivermos em conta as inúmeras repúblicas que vão buscar inspiração a tal e tão generosa filosofia. Por exemplo: a República de Angola, a do Irão, a de Cuba, a da Coreia do Norte, a da Venezuela, para só citar algumas das mais conhecidas em vigor. A mesma primazia do colectivo era, com argumentos diversos, apanágio das repúblicas soviéticas e, porque não dizê-lo, da II República Portuguesa.
Uma senhora destas, vivendo nas altas esferas do socialismo nacional – gente que passa a vida a dizer que “as pessoas não são números” que é preciso “governar para as pessoas” – vem dizer-nos que o que é preciso á sobrepor o colectivo ao individual! Todos servos do colectivo, todos a trabalhar para o colectivo, todos a meter na gaveta os seus interesses pessoais. Um mundo cheio de Estado e vazio de pessoas. Ou então cheio de pessoas devidamente controladas pelo Estado.
O professor Trigo Pereira, distinto membro do plantel macroeconómico do PS, por seu lado, informa:
Os objectivos da gestão no sector privado (maximizar os lucros) são diferentes dos do público.
Outra versão do mesmo preclaro pensamento socialista. É por isso que as empresas do sector público são o cancro que se sabe, praticamente sem excepção. Mas é preciso mantê-las à custa o contribuinte, acarinhá-las, sobretudo jamais as privatizar. Ai delas se tiverem lucro! Não foram feitas para isso. É a filosofia do “prejuízo distributivo” a que temos que obedecer se quisermos ser felizes. Isso da liberdade é uma invenção de capitalistas neoliberais e de outros canalhas.
Por mais que se digam democratas, no fundo, os socialistas são o que exprimem estes doutos trombones da filarmónica do PS. O Estado a dominar a sociedade e, de preferência, eles a dominar o Estado.
17.8.15

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