Percebe-se a luta dos puros contra os paraísos fiscais. No entanto, se um tipo, sem cadastro nem suspeitas, quiser pôr os seus milhões num paraíso fiscal, pode fazê-lo, e nem precisa de o declarar, os bancos tratam do assunto e o fisco é devidamente informado. Quer isto dizer que haverá por lá muito dinheiro legitimamente obtido. Por outro lado, há paraísos fiscais em inúmeros países europeus, que não são incomodados, ou muito incomodados, por causa disso. Tudo se passa dentro da legalidade. Pode, por isso, entender-se quem é contra a existência de tal coisa, mas não se pode condenar ninguém por usar instrumentos legais. Compreende-se que o mundo, v.g. a UE, acabe com a coisa, ou impeça transferências para ela. Não se pode é partir do princípio, que para satisfação dos puros, todo o dinheiro lá colocado tem origem criminosa.
As coisas estão de pernas para o ar. Não se persegue quem obteve dinheiro sujo, persegue-se quem lá o pôs, sujo ou limpo. Se juntarmos a isto a existência de paraísos do fisco, como é o nosso caso, temos um caldo que prejudica toda a gente.
Temos um governo que se gaba de não aumentar impostos, como se gaba de outras coisas, até daquelas com que nada tem a ver.
Em rigoroso cumprimento de tão nobre hábitos, o nosso governo aumentou o em 9, 16 e 25 vezes o IMI aplicado a transacções de empresas controladas, directa ou indirectamente por entidades sediadas em paraísos fiscais. No IMT, a coisa foi mais suave, só mais ou menos o dobro do que era. Mais: o nosso governo não é de modas: tanto lhe faz tratar-se de jurisdições com as quais tem acordos de dupla tributação e de troca de informação como daquelas em que há total opacidade. Levam todos, que o PS, gestor de um paraíso do fisco, bem como os partidos “correctos”, não são de modas quando a “moralidade” está em causa. Trata todos por igual, parte do princípio, e acabou-se.
Segundo os jornais, os grandes projectos, geradores de mais valias e postos de trabalho, já cancelados por via do novos impostos ultrapassam a dezena, e tendem a aumentar à medida das bordoadas fiscais do governo.
Mais um sinal dos benefícios da “moral” socialista radical que nos arruína.
29.12.20

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