IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ESTÃO MEXENDO NO MEU BOLSO!

    Mais dois grandes contributos do governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) para o bem estar e a qualidade de vida do povo:

     

    a)      Como é sabido, os pensionistas do Estado foram obrigados, em 2007, a descontar para os seus regimes de saúde, coisa inteiramente nova. Uma benesse mais do socialismo que, com a notável medida, arranjou maneira de sacar um por cento do ordenado a todos os pensionistas. Genial. Não contente, porém, o socialismo determinou, soube-se agora, que os mesmos infelizes não possam, em sede de IRS, descontar a despeza extra que lhes foi imposta. Quer isto dizer que o um por cento em causa deixa de ser um por cento para passar a um mais dez, vinte, trinta ou quarenta por cento, segundo a taxa de IRS que for aplicada. Ou seja, o socialismo baixou as pensões em mais de um por cento. Como, muitas delas, não tiveram aumento nenhum, e as outras tiveram um aumento miserável, a conclusão que se tira é que o socialismo socrapífio arranjou maneira de cortar nas pensões, e não pouco. E  não só não disse que cortava, mas afirmou que as aumentava. É preciso dizer mais?

     

    b)      O estapafúrdio imposto para a televisão foi agravado com cinco por cento de…IVA! O estado socrético obriga os cidadãos a pagar impostos sobre impostos! Ainda por cima, o estapafúrdio imposto, para efeitos de IRS, não é despeza. Sendo o cidadão “consumidor final”, também não tem direito a reaver o IVA. Assim, esta gente cobra impostos sobre impostas sobre impostos. Três vezes!

     

    Se, tanto a alínea a) como a alínea b) se compaginam com a Constituição, não sei. Mas talvez fosse boa ideia se SEPIIIRPPDAACS (Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesas Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva) tomasse umas providenciazinhas e mandasse a coisa para o competente Tribunal. Não é?

     

    António Borges de Carvalho

    PS. Uma humilde sugestão para o senhor Pinto de Sousa: já que é facto que o socialismo considera que os cidadãos são um encargo para o Estado, justo seria que se lançasse um “imposto de existência”. Já viram a maravilha? Pago logo existo. Solvo, ergo sum, como diria o outro.
  • ESPANTADOS PORQUÊ?

    Fico espantado com o espanto das pessoas ao ler as notícias sobre os projectos do engenheiro técnico Pinto de Sousa (Sócrates).

     

    Então não sabem quem o homem é? Ainda não perceberam? Não aprenderam com as aldrabices pré e post eleitorais? Não vêm do que a casa gasta? Não tiraram lições da história do canudo? Não vêm que o homem é um provincianozeco oportunista e demagogo?

    Assinar projectos de outrem é o pão nosso de cada dia por esse país fora. Toda a gente sabe. Não passa de um pecadilho. Receber uns subsidiozecos a que se não tem direito não é o que é costume? Que raio, quem não tem telhados de vidro? Você tem? A diferença, sabe, é que você não é primeiro-ministro nem anda a atirar à cara das pessoas que é o melhor do mundo.

     

    Qual é o espanto? Depois de ver todas as aldrabices em que o homem é fértil, depois de verificar o estado, verdadeiramente desgraçado, a que conduziu Portugal e os portugueses, ainda há quem se espante?

    Viram no jornal os projectos que o homem assinou? Viram escarrapachado na imprensa o contributo do homem para a má construção, o mau gosto (sei que o gosto é relativo mas, neste caso, o mau gosto é absoluto), viram a influência do homem na (má) qualidade de vida, no descalabro urbano, no desordenamento do território, viram como ele promoveu o repugnante desfear das nossas vilas e aldeias? Viram?

    Qual é o espanto? Então ainda não perceberam que se trata de um primitivo bem falante, de um ignorante primário mas pesporrente, de um propagandista de banha da cobra?

    E ainda pensam em votar nele? Cambada!

     

     António Borges de Carvalho
  • ABAIXO DE TRAMPA

     

    Quando, ontem, protestou contra a posição do Bloco de Esquerda sobre a participação do Exército na homenagem ao Senhor Dom Carlos, longe estava o autor destas linhas de imaginar que o ministro da defesa que o senhor Pinto de Sousa nos deu iria proibir tal participação.

    Eis o que, com toda a Justiça, se pode chamar uma atitude FASCISTA.

    O homúnculo que temos na pasta da Defesa – não me refiro à sua inexpressiva estatura física, mas à sua qualidade moral – está bem ao nível do governo a que pertence.

    Não basta ser preciso que haja um grupo de cidadãos a tomar uma iniciativa que, se houvesse neste país um mínimo de dignidade e de respeito pela História, devia ser tomada pelo Estado. É preciso que tal iniciativa seja suja com inconfessáveis objectivos políticos e que o Exército seja proibido de participar na homenagem a um Chefe de Estado constitucional e democrático que foi um dos seus mais ilustres Comandantes. É preciso ser muito rasca, extremamente rasca, ofensivamente ignorante, repulsivamente tolo, para fazer o que fez o senhor Saturniano Teixeira, ou lá como é que o homem(?) se chama.

    A que profundezas de indignidade é possível um cidadão, e um ministro, chegar, é coisa a que a mais rebuscada imaginação não consegue chegar. A realidade é muito mais porca que a fantasia.

    Está ressuscitada a mentalidade persecutória e inimiga da Liberdade e do respeito pelas pessoas e pela História que foi timbre das duas primeiras repúblicas. A terceira mergulha rapidamente no mesmo espírito de intolerância, de propriedade da verdade, de uso do poder a benefício de facções e não dos cidadãos.

    Salva-se, no meio deste horrível pântano, o Exército, que, por si, teria muita honra em honrar quem honrado foi e honrado merece ser. Espera-se que, ao menos, a bofetada carbonária e terrorista que o homúnculo deu ao Exército tenha, no Exército, as devidas consequências. Já se tinha percebido que o homem era ausente de qualquer sombra de jeito para lidar com os militares, mas não se imaginaria que pudesse chegar a este ponto.

     

    António Borges de Carvalho
  • EXPLICAÇÕES SOCRÉLFIAS

    Toda a gente percebeu que o senhor António Correia Campos foi corrido porque o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) se acagaçou com as manifestações populares. Fica provado que a propagandeada coragem do homem tem limites, aliás estreitinhos. Daqui por diante, quem conseguir juntar umas maralhas na rua, está garantido: o homem borra-se de medo, manda às urtigas uns colaboradores, e mete uns alegristas no governo para conter as escaramuças na organização. Genial, não é?

     

    Tudo isto tem a importância que tem, ou seja, muito pouca. Importante é verificar que, ontem, a distinta televisão pública, voltando à velha tradição do “atento, venerador e obrigado”, deu ao inacreditável rapazola que dá pelo nome de Pereira e é ministro não sei de quê uns larguíssimos vinte minutos de antena, ou mais, a fim de dar oportunidade ao homem de “explicar” a remodelação, como se toda a gente não estivesse já farta da “explicações” do senhor Pinto de Sousa (Sócrates).

     

    Para quem ainda tivesse dúvidas, o que ficou explicado foi porque é que a administração da RTP foi substituída e o senhor Rodrigues dos Santos reabilitado.

     

    António Borges de Carvalho
  • HOMENS E BICHOS

    Quando o Senhor Dom Carlos I caiu, no Terreiro do Paço, sob as balas assassinas dos terroristas que haviam de dominar a I República, caiu com ele a História de um país e a dignidade de um povo.

    Daí para cá, a História foi torcida e falseada pelos seus algozes. O regime que Dom Carlos encabeçava durou, como bem sublinha Rui Ramos, “mais do que qualquer outro nos últimos duzentos anos, e assegurou a mais longa época de liberdade e pluralismo. Eis o que Dom Carlos representa.”

     

    Nada disto, porém, interessou aos assassinos, nem interessa aos seus descendentes morais. Hoje, num jornal, um tipo que costumava usar cabelo à menina de Odivelas, em representação do Bloco de Esquerda, insurge-se contra o facto de haver unidades do Exército a participar na homenagem a Dom Carlos, nos cem anos do regicídio. Ou seja, na abalizada opinião do fulano, o Exército não pode participar em homenagens a nada que não seja republicano, mesmo tratando-se de um Homem e de um Chefe de Estado que corporizou tudo aquilo que, eventualmente, pudesse ter havido de nobre nos ideais republicanos. Na opinião do fulano, por este andar, o Exército não deve participar em homenagens a Dom Afonso Henriques, Dom João II ou Dom Pedro IV, por exemplo, pela simples razão de se tratar de Reis de Portugal.

    O homem, pelos vistos falto de argumentos, esgrime com a estafada história dos adiantamentos à Casa Real, arma de arremesso de terroristas, de frequentadores de alfurjas e de energúmenos políticos. Gostava que alguém fizesse as contas, e comparasse, mutatis mutandis, o que custaram ao país esses adiantamentos e quanto custa o sustento de palácios e monumentos confiscados à Casa Real, mais as legiões de funcionários que os enxameiam, mais as despesas do orçamento das Casas do Presidente da República, mais os aviões de “transportes de dignitários”, mais o que ao Rei competia e que hoje é despesa do Estado. Não é preciso ser muito esperto para perceber quem sai mais caro à Nação.

    Vá lá, o homem não chama “ditadura” ao período do João Franco. Chapeau. Chama-lhe “aventura autoritária”, o que é substancialmente diferente e quer dizer que o tipo já percebeu que não houve ditadura nenhuma, mas uma tentativa de reorganização do sistema constitucional – que funcionava mal – e da sua recondução, em melhores condições, à vida democrática e ao sistema partidário. Percebeu, mas não confessa, o que é típico da “historiografia” republicana.

     

    Os republicanos já perceberam a colossal desgraça que a República foi para Portugal. Não o confessam, a bem dos seus espantalhos ideológicos e a mal da História do país. Dom Carlos foi, na abalizada opinião deste “historiador”, “um dos mais odiados e impopulares soberanos do constitucionalismo monárquico”. É capaz de ser verdade, se considerarmos como representantes da Nação os assassinos, os carbonários e quejandos que, para satisfação de ambições de poder, concentraram o seu ódio num Rei bem intencionado, patriota, culto, admirado em toda a Europa, diplomata excelso, que soube enfrentar com a maior das dignidades o ambiente pulha do seu tempo, ao ponto de, num acto fatal, ter tido a coragem de dar o peito às balas.

     

    Sobre o seu cadáver construiu-se um regime de ódio, de desrespeito absoluto por aquilo a que, hoje, se chama “direitos humanos”, de violência, de entrega dos destinos da política a bombistas e assassinos.

     

    Já devia ser tempo de Portugal, a começar pelo Presidente da República, prestar homenagem ao Grande Português que foi o Senhor Dom Carlos, e de começar a fazer História com alguma dignidade, alguma seriedade e alguma verdade à mistura.

     

    Que fique registado o ódio do Bloco de Esquerda ao Senhor Dom Carlos, para que se relembre quais foram os sentimentos que geraram a República Portuguesa, sustentada, primeiro pela mais rasca das violências, depois pela censura e pela polícia política.

     

    António Borges de Carvalho
  • SERÁ O GOVERNO UM RESÍDUO PERIGOSO?

    É evidente que esta história da co-incineração não passa de mais uma estúpida teimosia do senhor Pinto de Sousa. Não, não estou a defender os ecologistas, nem os manuéis alegres, nem outros frenéticos demagogos.

    O problema põe-se assim: no tempo do senhor Guterres, o senhor Pinto de Sousa, como ministro do ambiente, lançou a co-incineração, motivando a fúria das massas eco-bacocas por todo o país. O PSD do senhor Barroso, na vertigem do contra, alinhou com tais massas. À altura, cheguei ao ponto de escrever ao senhor Barroso, dizendo que uma solução para o problema dos resíduos perigosos era urgentíssima e que o óptimo era inimigo do bom. O senhor Barroso, como era de esperar, não ligou meia às minhas opiniões, e continuou a opor-se. Tenho, no entanto, que lhe tirar o chapéu. O seu governo inventou outra solução, a qual fazia o mesmo serviço sem suscitar ofensas às sensibilidades do costume. Não teve o PSD tempo de a pôr em prática: o senhor Barroso deu o fora, o senhor Santana Lopes foi vergonhosamente corrido por um vergonhoso golpe de estado.

    Seria de esperar que, usando bom senso em vez de estúpida teimosia, o senhor Pinto de Sousa adoptasse a solução Barroso. Acabar-se-iam as providências cautelares, o frenesi dos ecologistas, as festas populares em Souselas, os setubalões aos gritos, etc.

    Mas a teimosia foi mais forte. Chegado ao poder, vai de ressuscitar a co-incineração. Resultado: passaram mais três anos com os resíduos a acumular-se até que a coisa passasse no tribunal, sendo que ainda pode haver recursos e mais delongas em que os eco-bacocos são especialistas, e tudo pode voltar para trás.

    Não interessa. Ao coiso, o que apetece é fazer pirraça. É mais forte que ele. Que se lixe o pagode, as conveniências, os interesses colectivos. O coiso bate com o punho fechado na mão aberta, e diz: bem feita bem feita, bem feita!

    Se o homem se não realizasse à nossa custa, ninguém tinha nada com isso.

     

    António Borges de Carvalho
  • SERVILUSA GOVERNAMENTAL

    Toda a gente, menos o governo, já percebeu que o chamado Novo Regime do Arrendamento Urbano é uma fraude e não resolverá nenhum problema dos que as Repúblicas (a primeira, a segunda e a terceira) tornaram endémicos com o congelamento das rendas.

    O único remédio para o problema, e não em todos os casos, continua a ser a morte dos inquilinos. O governo é uma espécie de Servilusa do arrendamento.

    Sendo o NRAU o que é (uma maneira de aumentar o IMI, não as rendas), não é de espantar que nada funcione no que às alegadas “actualizações" diz respeito. Os senhorios precatam-se, não pedem avaliações. E, se as pedissem, a chamada comissão arbitral não funcionava. Este genial instrumento do novo RAU reuniu pela primeira vez, com parangonas públicas, na semana passada, depois de uns dez meses parada. Há mais de um ano em funções, a distinta comissão já despachou… 300 coeficientes. Os desgraçados dos senhorios atingidos por esta medida vão, na sua maioria, esperar dez anos para ver algum.

    Dos, dizem, cento e cinquenta mil fogos existentes em Lisboa com rendas ridículas, houve mil e picos que foram objecto de pedido de avaliação. O que significa, se outros argumentos não houvesse, que a lei não serve para nada.

    Toda a gente, menos o governo, já percebeu isto. É que o governo, para além de péssimo, é estúpido. Não é possível outra conclusão.

     

    António Borges de Carvalho
  • PUMBA!

    Os pobres, os velhotes e outros indesejáveis acabam de levar mais uma marretada do governo que temos. Chegou este à conclusão que aquela estúpida gentalha andava para aí a ganhar dinheiro demais ao Estado através dos certificados de aforro. E vai disto. Pumba! O senhor Pinto de Sousa (Sócrates) manda cortar nas taxas de juros e nos prémios de permanência. Pumba!

    Os indesejáveis têm o que merecem. Cambada! Parece que não querem perceber que têm a mais elementar obrigação de sustentar o estado socialista, não é o estado socialista quem tem obrigações para com eles.

     

    Uma pequena observação de carácter histórico. Se sempre foi assim em todos os estados socialistas e com todos os governos socialistas, por que raio de carga de água há quem se espante? Se sempre foi assim em todos os estados socialistas e com todos os governos socialistas, por que raio de carga de água ainda há quem se proponha, dizem as sondagens, voltar a votar nesta gente?

     

    António Borges de Carvalho
  • NEM PERCEBEM, NEM QUEREM APRENDER

    Ainda há por aí uns tipos que pensam. Poucos, é certo, mas dignos de nota positiva.

    Segundo os jornais, o governo que temos diz que, pela primeira vez, foi dado aos municípios descer os impostos aos munícipes. É pura mentira. Já há vários anos que os municípios podem, dentro de certos limites, mexer nas taxas do IMI. Se só mexem para as aumentar, é outra coisa, mas que podem descer, podem. Como esta medida foi tomada por um governo que não era do PS, o governo que temos não a reconhece como existente. Mas existe.

     

    Bom, comecei por elogios e já estou a dizer verdades inconvenientes. Este post é acerca da nova possibilidade que os municípios têm de baixar o IRS aos munícipes. É possível, sim senhor, desde que o Estado não fique prejudicado, mas sim os municípios que cometerem tal disparate. Estão a ver a marosca?

     

    Bom, isto era para dizer bem e já me estou a irritar outra vez. O que eu queria dizer é que, dos trezentos e tal municípios existentes na piolheira, houve dúzia e meia a arriscar. Estes heróis perceberam que, se por um lado perdem umas centenas de milhar de euros, por outro atraem gente e vida económica para os seus concelhos, o que lhes renderá muito mais que a brutalidade do IRS. É o ovo de Colombo, não é?

    Se o senhor Teixeira dos Santos e o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) percebessem alguma coisa do que andam a fazer, talvez a economia já tivesse saído da lona. Se o senhor Teixeira dos Santos e o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) quisessem aprender alguma coisa, podiam extrapolar os raciocínios dos heróis e aplicá-los ao país.

    Mas nada querem perceber, nada querem aprender, por que se percebessem ou aprendessem já tinham mudado de “religião” há muito tempo.

     

    António Borges de Carvalho
  • FALTA DE HOMENS

    Dona Maria José Morgado, grande acusadora, está muito preocupada com a falta de homens no Ministério Público. E esta? Diz a senhora que é preciso arranjar cotas para homens, sob pena de as coisas, com mulheres a mais, não funcionarem como deve ser. As mulheres, segundo a excelsa procuradora, são muito ferozes nas condenações. Então, que venham homens. No comments.

     

    ABC

     
  • PERGUNTAS ESTÚPIDAS

    O governo que temos anunciou, com as habituais parangonas, a construção de nada menos que dez novas barragens.

     

    Algumas perguntas estúpidas:

     

    a)      Se o governo diminuiu drasticamente o investimento público com o argumento de que o Estado não podia investir enquanto a economia não saísse da fossa, como é que, agora, que a economia não cresce nem se prevê que cresça, se anunciam 10 novas barragens, a somar ao TGV, ao aeroporto e à ponte sobre o Tejo?

    b)      Se forem encontrados bonecos nas novas barragens, o governo seguirá o exemplo do senhor Guterres, seu inspirador, e mandará parar as obras quando estiverem gastas umas boas dezenas ou centenas de milhões?

    c)      As barragens são mesmo para construir ou trata-se, como de costume, de uma sessão de propaganda, sendo as barragens promessa a cumprir no século XXII?

    d)      Será o governo, ou o futuro, a responder às perguntas estúpidas?

     

    ABC
  • ANEDOTA CASTELHANA

    O extraordinário dirigente ibérico que dá pelo nome de Zapatero acaba de, à semelhança do seu congénere ocidental, fazer promessas pré-eleitorais.

    Para além da social demagogia das ofertas de aumentos para toda a gente, há uma que, pelo seu carácter inovador, merece os maiores elogios. Sua magnificência promete dar nada menos de quatro semanas de licença de paternidade à malta toda, incluindo… os “casais” homossexuais.

    Para além do incontrovertível alcance social desta medida, ocorre perguntar quem é a mãe e quem é o pai, no caso de um “casal” de pederastas, bem como quem desempenha tais funções se o “casal” for de fufas. A mais magna das questões, gravíssima, será a de saber a quem cabem as quatro semanas de licença de paternidade, e a quem são dados os quatro meses de licença de maternidade, o que poderá vir a causar problemas matrimoniais de vária ordem ou, até, levar a indesejáveis divórcios. Caberá ainda saber como se irá regulamentar a matéria, designadamente nos casos de partos traseiros ou de fecundações clitorianas. Isto na perspectiva, por certo frequente, de cônjuges que não recorram à adúltera intervenção de terceiros para fins reprodutivos.  

    Dois problemas que – confiemos no socialismo – o zapateiral génio não deixará de resolver.

     

    ABC
  • VIGILÂNCIA CÓSTICA

    À minha porta, quase todas as manhãs, depois das dez, surge uma rebrilhante viatura com dois imponentes agentes da autoridade. Encostam ao passeio, num local de estacionamento proibido, ocupando uma preciosa faixa de rodagem. Os dois senhores abrem as portas e materializam-se na via pública. Colocam os bivaques nas nobres cabeças. Depois, um abre a quinta porta. Outro, cuidadosamente, coloca um lap-top na prateleira da mala. Durante estes preparativos, surge um cowboy, alcandorado em potente motociclo. Põe a moto em cima do passeio, tira o capacete, coloca o bivaque no ínclito toutiço. Neste momento, outra viatura, que pára à esquina, despeja mais um senhor, também de bivaque. Postas assim as tropas em linha de batalha, o serviço começa. Consiste o mesmo em mandar parar os automobilistas e em passar revista a documentos, triângulos, casaquinhos amarelos, guias de remessa, e mais tudo o que possa falhar e dar lugar a prestimosas multas. Fazem-se investigações no lap-top, a fim de ver o que, sobre os suspeitos, consta nos arquivos da organização. Segue-se a digitalização da identidade dos prevaricadores, o devido registo dos malefícios causados à sociedade, e a contabilização das penas aplicadas.

    E assim se passa uma calma e lucrativa manhã.

    Nas barbas dos mesmos polícias há uma rua onde, todos os dias, se pratica o estacionamento em segunda fila. Mais adiante, dezenas de selvagens deixam os carros numa faixa de rodagem onde há sinais de estacionamento proibido, à porta de um parque de estacionamento subterrâneo e a cinquenta metros de outro, ao ar livre. Os distintos funcionários da EMEL nada fazem, nem a uns nem a outros, uma vez que estão fora da sua jurisdição. Dedicam-se tão só a, cuidadosamente, multar e rebocar os que estão bem estacionados mas sem dístico. Os agentes da autoridade, esses, ainda menos ligam a tais actividades. Aqui há dias, tive a ousadia de, humilde e contidamente, perguntar aos excelentíssimos agentes porque não ocupavam o seu tempo a incomodar quem, efectivamente, perturba a vida de terceiros, em vez de serem os próprios a dar o exemplo. Ao que me foi respondido, com a sobranceria própria do poder, primeiro, que não tinha nada com isso, segundo, que a “autoridade” estava no cumprimento de uma missão dedicada a carros em movimento e não a carros parados (mesmo que em segunda fila e/ou a perturbar o trânsito, pensei eu, mas tive medo de o dizer).

     

    Assim vai o costismo em Lisboa. Nem o Santo António nos vale, já que a “autoridade” manda muito mais que o pobre do santinho.

     

    António Borges de Carvalho
  • PROTECÇÃO DE DADOS

    Um jóvem de óculos, de seu nome Pina, foi explicar aos deputados que o estimável governo a que pertence se prepara para cruzar informação entre o Banco de Portugal e as Finanças, a fim de saber ao pormenor quem pede empréstimos a quem, quanto deve cada português, e se os bancos andam a emprestar a quem não tem capacidade financeira para pedir dinheiro emprestado.

    Assim: os bancos informam o BdP de todo e qualquer crédito: quanto, como e a quem; o BdP manda às Finanças o número do contribuinte que lhe é dado pelos bancos; as Finanças informam o BdP da identificação completa do beneficiário do empréstimo, afim de que este possa descobrir se alguém anda a utilizar nomes não completos (!).

    Ou seja: as Finanças poderão, com toda a facilidade, descobrir se o contribuinte disse ao banco que tinha rendimentos não declarados às ditas. O tal contribuinte será, consequentemente, ou mentiroso, ou propenso à fraude fiscal. Ficará durante anos, como é evidente, sujeito aos maiores aborrecimentos, obrigado a declarar que ganhou o que não ganhou, ou que não ganhou o que ganhou, ou o que muito bem apetecer ao fisco.

    Informou o jóvem dos óculos que tudo isto tinha sido aprovado por uma entidade qualquer que tem por missão “proteger” os dados pessoais, a qual achara que estava tudo no melhor dos conformes. Ou seja, o BdP e as Finanças não estão sujeitos à lei da “protecção” de dados pessoais.

    O senhor Pina descansa os eventuais pruridos dos senhores deputados declarando que os dados serão utilizados “exclusivamente para verificação da coerência da informação” prestada pelos cidadãos e pelas empresas. Q.e.d. Pois é.

    Mais descansado se fica quando o senhor Pina, citando a preclara proposta de lei, informa que “a derrogação do dever de segredo a que o Banco de Portugal e a Direcção Geral dos Impostos ficam obrigados, para os fins previstos na presente lei, não prejudica a sua observância no mais, designadamente para efeitos de protecção de dados pessoais”.

    Nem o hermeneuta mais qualificado conseguirá interpretar este português analfabruto. O que se pode ler, nas emaranhadas entrelinhas da estúpida frase é que o BdP e a DGI ficam “obrigados” a derrogar o dever de segredo para efeito desta lei. Ou seja, sem intervenção judicial nem indícios de fraude, o segredo é derrogado. Ou seja, não há segredo nenhum, há simples devassa da vida de cada um, desde que convenha ao BdP e à DGI. Quanto ao resto, eles não dirão nada a ninguém, o que quer dizer que se comprometem a não dar os ficheiros às “Selecções” ou ao Clube de Vinhos de Alguidares de Baixo. A lei só serve para perseguir os bancos que emprestam dinheiro fora dos subidos critérios governamentais, as pessoas que se encalacram e as empresas que investem.

     

    E ainda há quem diga ser um exagero a acusação de “fascismo” que alguns comentadores aplicam a várias iniciativas do socratismo.

     

    António Borges de Carvalho
  • JUSTIÇA DE CASTELA

    Uns dias em Castilla la Mancha libertaram-me das grilhetas do socrismo e deram-me um banho de património e de arte moderna.

     

    Não se pode resistir a fazer comparações e a observar o que, para sim e para não, assalta o portuga por aquelas partes.

     

    O tabagismo e o respeito pelas pessoas

    Os tasqueiros e outros patrões têm, à porta das “tiendas”, uma folhinha branca, tipo A4, com os seguintes dizeres : Neste estabelecimento é permitido fumar, ou Neste estabelecimento NÃO é permitido fumar.

    Nesta miserável parte do mundo, escreve-se, num coiso vermelho: Não fumadores.

    Veja-se as diferenças:

    a)      A lei espanhola respeita a autoridade dos donos das casas, a lei portuguesa não;

    b)      A lei espanhola respeita o direito de cada um escolher onde entra e onde não entra, a lei portuguesa, via “exaustores” que ninguém sabe o que são, não respeita nada nem ninguém;

    c)      A lei espanhola proporciona, em geral e abstracto, que não se fume dentro de casa, de cada casa, a lei portuguesa dirige-se à repressão dos fumadores, de cada fumador, uma lei para uns, outra para outros;

    O coiso encarnado é bem a imagem da mentalidade vigente. Lido à letra, quem for fumador está proibido de entrar, não de fumar. É um pária. Malhas que o socrismo tece.

     

    A moral social do socialismo pederasta

    A excelentíssima Junta da Andaluzia publicou “una guia” com o fim de impor a paridade nos jogos escolares. Para a moral oficial é assim: se os rapazes jogarem jogos de rapazes uns com os outros, estão a preparar-se, obviamente, para praticar a violência doméstica, ou seja, começa-se por não ter meninas a fazer azeite ou a saltar ao eixo, e acaba-se a deitar a cara metade pela janela fora. A paridade zapateirana exprime-se desta e doutras formas paralelas. Que as meninas andem à trolha ou joguem ao brutobol, mesmo que não queiram. E que os rapazes andem a pentear Barbies e a fazer jantarinhos, mesmo que lhes não apeteça. Com o nobre fim de se não transformar os rapazes nos violentos díscolos que estão na massa do sangue de tudo o que nasceu com pilinha.

    Pensar-se-á que se trata só de uma lei idiota, ou ridícula. Não é. É uma consequência da moral socialista. Esta chega, lá no sítio, a defender a ostracisação dos melhores alunos em nome da paridade, uma vez que um aluno muito melhor que os outros causa nestes problemas psicológicos gravíssimos por se sentirem menos bons. É o que diz o “guia” quando propõe que sejam eliminados todos os jogos competitivos, uma vez que podem motivar sentimentos de liderança de algum aluno em relação aos demais, isto é, programando os jóvens para… perder.

    É este o mundo zapateirano, em particular, socialista em geral, progressista q.b.

    Lá chegaremos, deve pensar o nosso amado líder nos salões de São Bento.

     

    Traição à Pátria

    O PNV, Partido Nacionalista Basco, decretou que, no próximo ano lectivo, todas as escolas da “autonomia” passem a ensinar euskera (língua basca), como primeira base de todas as letras.

    Basta andar nas ruas de San Sebastian, Bilbau ou Vitória, para perceber que o castelhano é a língua veicular de toda a gente, não passando o basco de uma reminiscência, de um saudosismo de pataratas, de uma curiosidade cultural, de um argumento terrorista, ou de legítima entretenha de uma muito minoritária minoria.

    Mas as “autoridades” querem mais: acabar com o ensino nas três opções que já têm (bilingue, euskera mais castelhano e castelhano mais euskera). As criancinhas ver-se-ão obrigadas a falar e a aprender numa língua que as isola do mundo e que não tem senão (pouca) expressão nos limites de uma limitada área.

    Na Catalunha, os partidos republicanos, separatistas, nacionalistas e comunistas, andam numa fona porque o senhor Rajoy declarou que, se eleito, obrigaria a que o castelhano fosse língua veicular do ensino em todo o território. Só lhes falta pedir aos seus eleitores que votem no PSOE, única formação capaz de fazer frente ao PP.

    Mais. A Catalunha vai tratar de assegurar que os imigrantes (13% dos alunos) passem a ser escolarizados em catalão, e não em castelhano. Outra língua que, a nível global, não vale um caracol, vai ser impingida a magrebinos, moldavos ou romenos, eventualmente para os manter para a vida a trabalhar para os catalães.

     

    Ruína razoável

    Segundo o senhor Solbes, “a Europa está razoavelmente preparada para uma certa desaceleração”. As queixas dos espanhóis quanto à economia são, na boca do senhor Zapatero, pouco patrióticas. Quer dizer, se um tipo deixar de poder dar de comer à família e se se queixar da sua sorte, estará a trair a Pátria. Lindo.

    Quando o senhor Solbes, no declínio do felipismo, deixou a economia espanhola em paz, o país estava à rasquinha para cumprir o pacto de estabilidade e os critérios do euro.

    Veio Aznar, que compreendeu o estado em que a economia se encontrava e levou por diante um tratamento de choque que só nos tempos do senhor Ehrardt encontrará paralelo. E fê-lo com recurso a uma receita que só costuma prejudicar os políticos: cortar despezas, congelar os salários, liberalizar a economia e não aumentar os impostos. Assim salvou a economia. Os três milhões de desempregados legados por Solbes e Gonzalez viram aparecer cinco milhões de empregos (em seis anos!). O Estado, esse, passou de deficitário a superavitário.

    Zapatero, rapidamente, inverteu as coisas. Em compensação, entreteve os espanhóis com questões “fracturantes”. Como as pessoas não comem questões fracturantes, o resultado está à vista: já ninguém é capaz de negar que a economia espanhola está a ir por água abaixo.

     

    Por cá, nem vale a pena falar no assunto: o buraco está aí, cada vez mais fundo e mais ameaçador. Tudo foi foi feito ao contrário. As despezas do estado não desceram, os impostos subiram, o desemprego é galopante. Pobres de nós!

     

    António Borges de Carvalho
  • TRAPALHADAS PORTUÁRIAS

     

    De há uns anos a esta parte, assistem os alfacinhas a uma viragem importante na política da Administração do Porto de Lisboa.

    Nasceram inúmeros locais de lazer, restaurantes, bares, pistas de jogging, lojas, um sem número de equipamentos à beira rio que proporcionam às pessoas bons momentos na companhia calma e bela do Tejo.

    Compreende-se que uma cidade tenha um certo ciúme por ver fora da tutela camarária uma zona tão vasta e tão importante. Daí que, unanimemente, os partidos e quejandos, representados na vereação costista, tenham achado que tal zona devia ser objecto de municipalização. Queriam acabar com a “injustiça” e ganhar poder. O governo socrélfio deu ao senhor Costa todo o apoio, apontou o recém socialisticizado José Miguel Júdice para mandar na coisa, passou um decreto a entregar a coisa ao município.

    Na verdade, o que se passa é que a notável obra da APL que acima refiro vai ser substituída pelas lutas e guerrilhas da CML, e nada de útil ou bonito se fará nos anos mais próximos. Acresce que, enquanto a APL não precisava de ir à procura de fundos a parte nenhuma que não fosse o seu próprio cofre, a CML, para se financiar, está mesmo a ver-se que só tem uma saída: urbanizar para cobrar taxas, licenças, rendas, IMI e IMT.
    Os alfacinhas vão pagar com língua de palmo as ciumeiras dos fulanos que puzeram na câmara. O senhor Costa vai ver os seus poderes alargados, o senhor Fernandes vai ter mais pèzinhos para chatear meio mundo, a dona Helena vai divertir-se como uma leoa a infernizar a vida do senhor Salgado, e este nunca mais será chateado por causa do hotelzinho que goza da gloriosa benesse do seu intelectualíssimo traço. Os munícipes, esses, pagarão as taxas e os impostos. O governo, triste realidade, vai poder impor mais uns edifíciozinhos , tipo observatório da droga e agência marítima.

    Vai ser uma caríssima rebaldaria.

     

    António Borges de Carvalho
  • FROM BULGARIA WITH LOVE

    Uma inteligentíssima comissária europeia, de nacionalidade búlgara(!) inventou mais um regulamento, tão inteligente que até já mereceu o voto favorável do Parlamento de Estrasburgo. O tal regulamento vai uniformizar os procedimentos bancários dos empréstimos pessoais. Todos os bancos europeus passarão a ter os mesmos procedimentos. Toda a informação contratual será redigida exactamente da mesma maneira, a metodologia dos juros será igual, igualzinha.

    Em contrapartida, os cidadãos poderão pedir empréstimos onde quiserem.

     

    Gostava de saber:

    a)      Se não é verdade que os cidadãos já podem pedir empréstimos onde muito bem entendam;

    b)      Se há vantagem seja para quem for pelo facto de ser tudo igual em toda a parte;

    c)      Se alguém vai pedir um empréstimo à Bulgária, no pressuposto de que as regras, os contratos, os juros, as penalizações, são iguaizinhas às do seu país;

    d)      Como se compatibiliza esta uniformidade com as regras da concorrência que a UE diz defender;

    e)      Se não estamos perante uma iniciativa digna dos países do Leste comunista, dos quais a inteligentíssima comissária provém;

    f)        Se o Parlamento Europeu anda a dormir na forma.

     

    António Borges de Carvalho
  • ESPANHOLADAS

    Os chamados cidadãos europeus gozam de liberdade de deslocação e de residência nos países da União.

    No entanto, se se mudam, têm, naturalmente, de aceitar as leis próprias dos países para onde vão residir ou trabalhar. Parece isto lógico.

    Em França, ou na Alemanha, por exemplo, quando se muda de residência tem que se mudar a matrícula do automóvel e que pagar os impostos próprios da região. Por maioria de razão passa-se o mesmo com os estrangeiros. Quem for viver e trabalhar para lá, se quiser levar o carrinho, tem que o registar no país, e na sua área de residência.

    Será tudo estúpido, se quiserem. Mas é assim.

    É verdade que em Portugal os impostos sobre os automóveis são, como a generalidade dos impostos, de um exagero e de uma injustiça a toda a prova. Mas também é verdade, desgraçadamente, que quem por cá moureja tem que os pagar, não é?

    Então, por que carga de água querem os ilustres clínicos espanhóis ter o direito de vir para cá viver e trabalhar, se não querem pagar os mesmos impostos que os portugueses, e registar os carrinhos como os portugueses? É só receber, ou quê?

    Nada disto impediu, com a natural consagração que o primitivismo da nossa imprensa lhe confere, que o caso dos médicos espanhóis atacados de caloteirite fiscal tenha sido um dos principais temas da cimeira ibérica de Braga. As nossas autoridades, em vez de dizer aos fulanos que fossem bugiar, disseram que ia “estudar o assunto”.

    Está-se mesmo a ver que os distintos médicos espanhóis vão circular por aí à vontadex, enquanto os portugueses vão continuar a pagar e não bufar.

    Se assim for, como tudo indica, eis a solução: para além da gasolina, vamos passar a comprar carros em Espanha. São (muito) mais baratos e o mais provável é virem a ficar isentos de impostos! Boa!

     

    António Borges de Carvalho
  • OS INTOCÁVEIS

    Diz um estudo da Fundação Luso-Americana que, à Justiça portuguesa, não falta dinheiro, nem pessoal, nem instalações, nem nada.

    Falta eficácia, dizem os craques que se debruçaram sobre a matéria.

    Nada, afinal, de que os desgraçados dos portugueses não suspeitassem já.

    Em Portugal, ainda que as classes profissionalmente altas (juízes, médicos, engenheiros…), se assumam como se baixas fossem em matéria de reclamações, exigências, reivindicações, sindicatos, etc., continuam a gozar de um prestígio ou de um benefício da dúvida que ninguém põe em causa. Basta um profissional qualquer desatar aos gritos que tem ratos no escritório, que quer mais dinheiro e menos trabalho, ou coisa que o valha, logo, pressurosas, as televisões lhe dão tempo de antena e os jornais espaço de manobra.

    A Justiça não funciona, mas os juízes são uns tipos bestiais.

    A saúde é uma desgraça, mas os médicos não têm culpa nenhuma.

    As pontes caem, mas os engenheiros estão acima de qualquer crítica.

    E assim por diante.

     

    Quem ainda não teve um caso na Justiça anos e anos, às vezes por causa de um problema de cácárácá?

    Quem ainda não teve que meter uma cunha para ser visto por um médico?

    Quem ainda não teve um processo de chacha na câmara municipal a aboborar durante uma eternidade, à revelia da lei dos deferimentos tácitos?

     

    Se a FLAD fizesse um estudo sobre outros sectores da vida portuguesa, para além da Justiça, chegaria às mesmas conclusões. Os médicos não são mal pagos (olhem os espanhóis a querer vir para cá!), os juízes também não, os outros a mesma coisa.

    Então, porque trabalham tão mal? Porque se consideram umas primas donas, o suprassumo do bornico quando se trata de servir a sociedade, mas passam a vida entretidos com queixas, queixinhas e reivindicações?

     

    O que se passa nesta sociedade? O que se passa neste país?

    A ideia que fica é que o socialismo do Estado Novo foi continuado pelo socialismo da Democracia, juntando-se aos defeitos do estatismo, que continua, as consequências dos abusos da Liberdade e do Direito, que foram coisa nova mas que já são trintões, sem que a tal sociedade tenha ainda percebido para que servem, e como devem ser usados.

     

    Qual é a saída?

     

    António Borges de Carvalho
  • O MELHOR DOS MUNDOS II

     

    Sua Excelência o Senhor Rodrigues dos Santos, ilustre pivot da RTP, um tipo que pisca o olho às pessoas, que aponta com o dedo para dizer “especialmente para si” e que inunda as nossas casas de fait divers durante uma hora em vez de, como em qualquer canal decente, nos dar as notícias que importam em meia hora, um tipo que, dizem, andou na BBC mas não aprendeu lá nada, um fulano que que pratica sensacionalismo em vez de fazer jornalismo, foi, finalmente, ilibado das acusações constantes num processo movido pelo Dr. Almerindo Marques.

    Sua Excelência o Senhor Rodrighes dos Santos tinha, nem mais nem menos, chamado os piores nomes aos seus chefes, na sua boca uns “manipuladores”, por estes terem mandado para Madrid uma fulana que o tipo não gramava, em vez do seu, ou sua, eleito(a). Esqueceu-se, é claro, de dizer que, segundo os regulamentos da coisa, a administração tinha o direito de escolher um nome a partir de uma lista restrita elaborada pelo juri do concurso, não sendo obrigada a nomear quem fosse do superior agrado de Sua Excelência. Depois disso, Sua Excelência foi acusada, com inteira justiça, de não cumprir horários, de entrar e sair de serviço quando muito bem entendia, comportando-se como uma prima dona, a provar que, sendo igual aos demais, era mais igual que eles.

    Sua Excelência o Senhor Rodrighes dos Santos, honradamente, demitiu-se. Uma demissão que causou um frisson dos diabos junto das donas de casa que adoram ver a prima-da-tia-da-cunhada-do-irmão-da-vizinha-do-homem-que-deu-dois-murros-no-tasqueiro-de-Carcanhóis-de-Baixo a contar como foi. Sua Excelência o Senhor Rodrighes dos Santos demitiu-se mas não se foi embora, pois então! Continuou a ganhar o ordenadinho, ou o ordenadão, e a chatear meio mundo com as suas piscadelas de olho.

    Coisas tipo Armando Vara em que este jardim à beira-mar plantado é fértil.

     

    A nova administração socialista da RTP, a fim de moralizar a rapaziada, decidiu arquivar o processo. Brilhante. Daqui por diante, quem chegar atrazado ao trabalho é um herói, quem for ao dentista sem picar o ponto é um artista, quem chamar manipuladora à Administração é merecedor de uma medalha de bom comportamento. Sua Excelência o Senhor Rodrighes dos Santos continuará a fazer telejornais infindáveis, a deixar no caixote do lixo as notícias que interessam à humanidade, a pôr a-prima-da-vizinha em prime time, a piscar o olho às pessoas, a abanar as orelhas, a ser uma referência de excepção na informação da piolheira.

     

    E tudo fica no melhor dos mundos.

     

    António Borges de Carvalho