Os farmacêuticos e os médicos entraram em guerra.
Dizem os médicos que “é crime” perguntar aos compradores de medicamentos se querem o que foi receitado ou o respectivo genérico.
Vá lá entender-se porquê. Se os genéricos têm a mesma composição, o mesmo efeito, as mesmas dosagens, se são mais baratos,se são garantidos pelas mesmas entidades fiscalizadoras que tratam dos medicamentos de marca, por que raio de carga de água há-de ser crime perguntar às pessoas se os querem?
Não conheço país civilizado onde isto não se passe, sem que seja crime algum, bem pelo contrário.
Os médicos nem sequer percebem que as pessoas, perante as suas acusações, pensam imediatamente que o que eles querem é proteger os laboratórios que, de uma forma ou outra, lhes pagam as receitas. Podem as pessoas não ter razão, mas o raciocínio não deixa por isso de ser lógico.
Vistas as coisas do lado das farmácias, também não estaremos perante nenhuma preocupação com o bem estar do povo. As farmácias são proprietárias de uma das mais prósperas corporações financeiras deste pobre país. Se arranjaram meios para se alçapremar a tal condição, tais meios só podem ter origem no nosso dinheiro, na nossa desgraça, na nossa doença. Um império como o da associação das farmácias não se forma sem que haja margens absolutamente injustificáveis na venda de medicamentos ao público.
Diz a tal associação que, num só dia, a recomendação de genéricos “rendeu” ao povo 14,6 mil euros e, ao Estado, 29,4 mil. A mesma associação não sabe quantas farmácias aderiram à recomendação dos genéricos. Perguntar-se-á como é possível saber quanto se gastou a menos se nem sequer se sabe quais ou quantas farmácias entraram no esquema. Detalhes que ocorrem às pessoas…
Numa altura em que tanto se fala de “regulação” algo me diz que alguém devia “regular” estas coisas. Ou então, como mandaria o respeito por direitos humanos que estão fora de moda, deixar funcionar a concorrência…
Os laboratórios, coitados, estão aflitos porque o governo, sem lhes ligar bóia, ameaça baixar os preços a uns 4.000 medicamentos. Quer dizer, os preços dos medicamentos, como a bica e o pastel de nata nos ominosos tempos do Dr. Mário Soares, são determinados pelo governo, e já estavam acima do razoável quando o governo tomou conta disto. Em ano de eleições, há que tomar medidas, não é?
Mais uma vez, a concorrência talvez fosse recomendável.
4.4.09
António Borges de Carvalho

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