IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O TRABALHO É UM DIREITO

Há para aí quarenta anos, meti-me num táxi em Munique e resolvi exercitar o meu macarrónico alemão com o motorista. Palavra puxa palavra, e o jóvem acabou por me dizer que era jurista e que, não tendo encontrado emprego em que aplicasse os seus conhecimentos, andava na praça.

Conheço um americano, hoje próspero economista numa multinacional, que, no intervalo entre dois empregos, foi distribuidor de jornais e vendedor de hamburgueres.

Contaram-me que um padre inglês, estando sem paróquia por zanga com o bispo, fazia limpezas no aeroporto de Heathrow.

 

Conheço várias meninas e meninos, licenciados nas mais diversas e (às vezes) estrambólicas matérias, que, em Portugal, vivem do subsídio de desemprego porque não lhes aparece um emprego “compatível”.

Conheço vários empregadores cá do burgo que, com o maior prazer, contratariam uma menina ou um menino desses para tarefas menores. Mas não o fazem porque não há candidatos.

Conheço um sem número de agricultores que, respeitando as leis, contratam operários agrícolas da Moldávia, da Roménia ou da Ucrânia, licenciadíssimos. Não encontram um só português à procura de trabalho.

 

Esta coisa é, para todos os efeitos, um país de gente (muito) fina. Quando se diz que há não sei quantos mil jóvens licenciados no desemprego, deveria dizer-se que há não sei quantos mil jóvens licenciados que não aceitam os empregos que há, preferindo viver à nossa custa.

 

O trabalho é um direito. Por conseguinte, não é um dever.

 

E pronto. Assim vai o socialismo.

 

António Borges de Carvalho


3 respostas a “O TRABALHO É UM DIREITO”

  1. Sr. António Carvalho,Li o seu post e até o compreendo. Por vezes também sinto o mesmo, contudo temos de reconhecer uma verdade: o que hoje se passa com os nossos jovens (genericamente) é o mesmo que se passava com os jovens dos países da europa (França, Alemanha, Luxemburdo, Inglaterra, Holanda, etc.) há trinta e quarenta anos.Eles também não queriam fazer alguns trabalhos. Por isso é que iam para lá os portugueses e os outros.Quanto aos nossos formados desempregados, a culpa é de todos nós que logo os tratamos por Srs. Doutores ou Srs. Engenheiros, mesmo que não saibam fazer nada.Os pais sustentam-nos. Eles ão precisam de trabalhar.Não sei para onde vamos… mas isso é outra conversa!

    1. Agradeço o seu comentário, que comporeendo.O problema é que os europeus ricos se serviam dos portugueses para trabalhos que não só já não queriam fazer como que já não precisavam de fazer. O que não é o nosso caso.O nosso problem, como muito bem suhere, é cultural: quando se chega a “doutor” ou a “engenheiro”, a sociedade passa a ter a obrigação de nos sustentar “enquanto tal”. Não é?

      1. Concordo consigo. Somos um País de faz de conta. Tudo finge ser rico e só se apercebe da sua pobreza (por vezes de espírito) quando tem contacto com outras realidades.Relativamente aos Srs. Doutores e Engenheiros, basta vermos o que se passa com os nossos senhores professores e os políticos dos ministérios da educação, para ver o que conseguiram fazer deste País nos últimos anos. Num País a sério, estariam todos presos.

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