Um ilustre “inimigo” do IRRITADO, que muito o honra com as suas diatribes, teva a bondade de anunciar, neste blog, a criação de um novo partido em Espanha, partido em que põe muita esperança.
Com a devida vénia, a seguir se trancreve o texto:
“Movimento PARTIDO X é o novo partido espanhol
Transparência na gestão pública, poder legislativo do cidadão, direito a VOTO REAL E PERMANENTE, e REFERENDOS OBRIGATÓRIOS para validar todas as legislações estruturais são os lemas do novo partido espanhol.
Agora que a tecnologia o permite, chegou o momento de permitir à sociedade a melhoria directa das suas instituições e leis.
Mais do que apresentar-se como a solução, o partido quer ser “catalisador das soluções”, mantendo a vigilância sobre os legisladores, as instituições e os governos, e garantindo a todos poder participativo e acesso à informação necessária.
Os documentos não terão validade legal se não estiverem acessíveis ao cidadão tanto por via telemática como por via analógica, tal como agora as leis não têm validade até à sua publicação nos Boletins Oficiais.
O Partido X defende o poder legislativo da cidadania, através de um “WikiGoverno”, o resultado de uma democracia que inclui a participação da cidadania para elaborar e gerir os assuntos comuns.
OS CIDADÃOS RECLAMAM O DIREITO A VOTO DE FORMA PERMANENTE, E NÃO APENAS NAS ELEIÇÕES QUE SÃO USADAS COMO CHEQUE EM BRANCO PELOS GOVERNANTES.
o Partido X defende poder votar todas as leis através da Internet, utilizando o BI eletrónico, ou o voto tradicional em papel, nas autarquias e postos de correios.
De forma mais ampla, reivindica a implementação do REFERENDO OBRIGATÓRIO E VINCULANTE para validar todas as legislações estruturais, e permitindo, através da consulta, propor leis, modificá-las, ratificá-las ou eliminá-las.”
A ideia é interessante, pelo menos na medida em que é original, já que não se enquadra nos cânones ideológicos que costumam informar o debate político.
Do ponto de vista do funcionamento de uma sociedade política como a que o PX propõe, já as coisas se não põem da mesma forma.
Uma colossal quantidade de informação já está hoje à disposição de toda a gente. O problema é que a maior parte das pessoas, o IRRITADO incluído, não têm capacidade, nem tempo, nem paciência, para procurar, dominar e opinar sobre tudo e mais alguma coisa, muito menos para ter uma tão vasta preparação que permita, caso a caso, julgar da utilidade ou das possíveis consequências do que é proposto.
A solução X provocaria que uma minoria activista viesse a “dominar” a sociedade, e que esta se tornasse pasto de todas as espécies de demagogia, populismo e oportunismo. Para cada Lei, para cada decisão, se formariam “lóbis” populares ou corporativos destinados a levar as pessoas a legitimar ou negar provimento a isto e àquilo, movidas por meras influências de ocasião, interesses particularistas ou “impressões” ocasionais.
Por outro lado, pôr as pessoas a votar todas as semanas seria fonte de inesgotável manancial abstencionista e uma enorme fábrica de decisões tomadas por minorias activas, em desfavor, pelo menos democrático, da maioria da população.
Há ainda que considerar o funcionamento do sistema, talvez muito “prático” para aqules urbanos que mexem com facilidade em meios informáticos, e que têm tempo, pachorra e interesse para tal.
Mas, evidentemente, criaria uma nova divisão de classes, desta vez entre os que têm tais skills, tal tempo e tal interesse, e os que os não têm.
A proposta do PX, acredito, será bem intencionada e terá o mérito de trazer alguma novidade. Mas não tenho dúvidas que redundaria, mais cedo ou mais tarde, numa coisa já muito conhecida: a ditadura. Sob formas novas, mas com efeitos semelhantes.
A este respeito, é de repetir – por palavras minhas – a célebre frase de Winston Churchill: a democracia (como a nossa) é o pior regime que há, à excepção de todos os outros.
Obrigado ao frequentador do blog, por motivar (mais) uma discussão interessante, que espero não fique por aqui.
9.10.13
António Borges de Carvalho

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