IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O MELHOR DOS MUNDOS

Com a pompa e o serviço público da cartilha, foi anunciado o simplex comercial, isto é, se você quiser abrir um estabelecimento, abre, e pronto.

É de louvar esta atitude das notáveis figuras governamentais. Até parece mentira!

Parece também exagero. Então agora abre-se uma lojeca qualquer, ou uma lojona, seja o que for, sem atender a qualquer regra? Não acham isto demais?

Parece mentira, e é mentira. Parece demais, mas não é.

 

O que se passa não é que tenha havido simplificação ou, no jargão governamental, simplex.

Nenhuma das três mil condições para abrir um estabelecimento foi abolida ou simplificada. Nenhuma das oitocentas e quarenta e nove entidades com jurisdição na matéria foi tirada do circuito. Nenhum dos elementos da montanha de papéis obrigatórios passou a desnecessário ou lhe foi reconhecida a obsolescência, a inutilidade, o carácter de burocracia abusiva e ditatorial. Nenhum dos inúmeros fiscais, funcionários, arquitectos, engenheiros, com competência para o efeito, foi considerado supérfluo ou excessivo. Continua a ser preciso vir os bombeiros, a Certiel, a EPAL, os tipos do gás, da ASAE, da eficiência energética, do diabo a quatro. As licenças, alvarás e concomitantes papeladas são as mesmas.

Tudo está como dantes. A diferença é que se, no sistema actual, pelo menos teoricamente, não se pode abrir um estabelecimento sem a respectiva licença, agora pode-se, tratando-se depois dos papéis. Haverá, porém, um elemento importante: o pretendente a lojista vai ter que assinar um termo de responsabilidade, em que se compromete a cumprir (todas) as regras.

As regras são as mesmas, só que, a partir de agora, vai ser muito mais fácil aplicar as multas, uma vez que há, previamente, um compromisso de honra assinado pelo interessado.

 

O previsível resultado é evidente. Muitos estabelecimentos vão abrir sem respeitar a miríade de condições a que estão sujeitos, nem as desnecessárias, que são muitas, nem as úteis, que são uma dúzia delas. A actividade fiscalizadora vai conhecer um incremento nunca visto. As companhias, as empresas, os burocratas, toda a malta que chateia vai chatear muito mais, vai aplicar a pastilha e dar cabo da vida a meio mundo como nunca visto.

As normas, essas, vão continuar em vigor, ou aumentar, que não só é uma chatice não ter normas para aplicar como o é não ir produzindo mais umas.

Entretanto, o ignaro povo rejubila com mais esta aldrabice do governo. E tudo fica no melhor dos mundos.        

 

30.8.10

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “O MELHOR DOS MUNDOS”

  1. Atendendo á forma como se manifesta contra regras e normas estipuladas para o funcionamento de estabelecimentos comerciais,dir-se-ia que advoga a rebaldaria, com todos os riscos deccorrentes,nomeadamente para a saude publica.Quer queiramos ou não admitir,Pinto de Sousa tem-se esforçado como ninguem até á data, para eliminar a burocracia inutil,tentando assim facilitar a vida aos agentes económicos e em simultâneo erradicar focos de corrupção.Mas,enfim,há sempre que dizer.Uns fazem,outros opinam!!!

    1. Tenho pena que v. goste tanto de ler as coisas de pernas para o ar.Lembro-me de uma boca que inventei, e fez rir muita gente, quando um governo qualquer, não me lembro qual, fez uma barulheira desgraçada com o “fim do imposto de selo”. Na altura perguntei: o que acaba é o imposto do selo, ou o selo do imposto? É evidente que o que acabava era o selo, não o imposto.Neste post, não me revolto contra a “abertura” governamental. O que procuro fazer entenber é que, se os labirintos burocráticos não são mexidos, mas aplicados a posteriori, tudo fica na mesma. Ou pior, isto é, se os labirintos forem aplicados, vai ser mais complicado. Se não forem, então aí estará a rebaldaria que o preocupa.Acabou a complicação, ou o momento de a aplicar?

  2. Não pode ser só por ser vesgo!Este tecelão só pode estar a mamar nalguma chfarica socratina.Não é possível a nenhuma criatura,mesmo rastejante,ter uma visão tão capciosa e distorcida das coisas.Claro que este bando que ocupa S.Bento é um maná para muitos lacaios que lambem as migalhas do chão,mas é preciso pachorra.Irra!

    1. Usando o mesmo preconceituoso raciocinio,diria que o seu ódio resulta de não mamar.Mas experimente chorar,pode ser que alguem lhe dê mama!!!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *