O inacreditável Alegre passa a vida a tonitruar que o adversário se prepara para levar os partidos que o apoiam ao poder, que o homem tem uma visão assistencialista (?!) e caritativa (?!) muito próxima do projecto de revisão constitucional do PSD (?!), etc. e tal.
A criatura, ou não percebe nada do que se passa ou é tão aldrabão como o seu camarada Pinto de Sousa e tão demagogo como o seu principal apoiante, o também seu camarada Louçã.
Dizer estas coisas no exacto dia em que Cavaco se esgadanha a pedir que não incomodem o governo, que não façam ondas para não assustar mais os mercados, se repenica a dizer que não devemos complicar a vida ao governo, etc., o camarada conclui que Cavaco está feito com a direita! É de cabo de esquadra.
Cavaco, o tal que segurou o Pinto de Sousa no governo quando todos os seres pensantes deste país já sabiam que o tipo não prestava, o tal que fechou os olhos a toda a porcaria pessoal e política do primeiro-ministro, o tal que se fartou de pregar no deserto sobre a nossa desesperada situação sem mexer uma palha, só com “bocas”, o tal que sempre tratou o Passos Coelho por cima da burra e jamais disse uma palavra que o pudesse, de longe ou de perto, ajudar, o tal que é evidente não ter pelos líderes do PSD e do CDS consideração por aí além, o tal que, a favor da esquerda e pisando a sua própria consciência e a dos seus eleitores, promulgou o “casamento” pederasta, está, na boca esclarecida do camarada Alegre, a fazer o jogo da direita!
O mais social-democrata – o Alegre também se diz social-democrata – de todos os Primeiros Ministros da III República, que fez a vida negra aos sectores mais liberais – a não ser para dar a mãos aos “escolhidos” -, que nunca cedeu um milímetro aos que se sentiam espoliados pelo estado socialista, que jamais deixou escorregar o governo para uma política menos estatista que a que tinha herdado, é, na boca ignorante e fátua do Alegre, um agente da direita!
A direita, senhor Alegre, não tem candidato.
A direita, embora mais bem intencionada, mais capaz, mais realista e menos aldrabona que a esquerda, não consegue romper com o maldito status quo que há décadas arruína o país. A direita é medrosa. Quando o país inteiro está ansioso por uma mudança democrática radical, por uma proposta diferente da que tem sido impingida pela sacrossanta e falida social-democracia, a direita, ou também é social-democrata, como o CDS, ou tem medo.
A direita só pode votar, só deve – não se sabe de o fará – votar no mal menor, como o IRRITADO tem dito.
O mal menor é Cavaco, mesmo tão socialista, (ou social-democrata, como queiram), como o Alegre (com menos slogans) ou o Portas Paulo (com menos “cristianismo”) ou o Louçã (com menos comunismo).
Aliás, o camarada Alegre sabe tão bem como toda a gente que Cavaco será tão duro com um governo do PSD quanto de veludo tem sido com o desta gente. Só que Alegre, além do mais, é burro.
Não passa pela cabeça de ninguém que cabeça tenha ter como presidente o saco de vento, o mar de ignorância política, o cesto de trogloditismo cerebral, o poço de auto convencimento, de narcisismo e de pedante parlapatice que é o senhor Alegre.
Infelizmente, não se sabe se, em Portugal, as pessoas que ainda têm cabeça ultrapassam, em votos, os cinquenta por cento.
A ver vamos.
11.1.11
António Borges de Carvalho

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