Segundo a impagável associação dos tasqueiros e similares, os comerciantes da especialidade, se o IVA descesse não reflectiriam tal descida nos seus preços.
Certo. Quem não tinha dado por isso? O IVA não desceu, é verdade, não se podia ter dado por isso. Mas deu-se o contrário, o que leva à mesma conclusão. Explicando, alguém deu pelo aumento de preços por causa da subida do IVA? Claro que não. A bica e o pastel de nata estão ao mesmo preço. Os restaurantes, com IVA a 23, cobram mais ou menos o que cobravam antes. Os hotéis estão mais baratos, e de que maneira. Há promoções a torto e a direito!
Então o que se passa, ou passou? A grande diferença é que os agentes do negócio passaram a pagar o IVA, coisa que não estavam habituados a fazer. Consequência: aguentaram-se os que tinham estofo para se aguentar. Os outros foram à vida, e ainda bem. Com mais do dobro dos comedouros per capita que, por exemplo, esse pobre país que se chama Alemanha, é evidente que muitos só tinham duas razões para existir: não pagar nem impostos nem renda de casa. Postos em posição um pouco mais realista, foram-se abaixo. Resistiram os que tinham razão para existir.
Há grande mal nisto? Nem por isso. Os que ficaram no desemprego também não teriam emprego que se visse. Por outro lado, aconteceu o fenómeno inverso: o sector abriu mais de quarenta mil postos de trabalho.
Pagar os impostos que pagamos, IVA incluído, não é nada agradável. Hemos, porém, de convir que, no caso particular deste ramo, a influência do aumento não teve resultados negativos. A realidade, às vezes, impõe-se por si própria, e nem sempre é má.
O que não se percebe é que, perante estes evidentes resultados, o ilustre ministro da economia que o CDS nos forneceu queira à viva força voltar para trás. Será que a cerveja se vende menos? Com o Oco, a coisa é diferente. Tudo o que for estúpido, irrealista e demagógico lhe agrada.
21.11.13
António Borges de Carvalho

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