Como era de esperar, não faltam por aí escrevinhadores apostados em tecer rasgados encómios a essa maravilha fatal da nossa intelectualidade que dá pelo nome de Boaventura S. Santos. De acordo. A distinta obra marialva do cavalheiro, testemunhada por inúmeras doutoras, por sinal todas de esquerda (caso contrário não seriam discípulas da criatura), é o menos.
O pior é o resto. O que homem tem feito ao longo da vida tem sido malbaratar a inegável inteligência com que a natureza o terá dotado, pondo-a ao derviço das mais revoltantes ditaduras que a humanidade modernamente tem vindo a resgistar. Uma autêntica cruzada a que a Universidade de Coimbra deu guarida pondo tão alegadamente respeitável instituição ao serviço da tirania em geral, e de várias tiranias em particular.
Se é de aceitar que o persigam por causa de algum irreprimível pendor abusatório em relação às meninas e senhoras que lhe caíram na alçada, muito mais seria aceitável que o perseguissem pelos crimes intelectuais com que tem levado à torção das mentalidades, à educação para o totalitarismo e à defesa dos inimigos da democracia e da liberdade. O Staline (agora muito louvado nos media pela sua subida intelectualidade e amor à leitura) também era inteligente, mas o problema nunca foi a inteligência, foi a forma de a usar. O Hitler, o Mussolini e quejandos também não eram estúpidos, nem o Fidel, nem o Chávez. Nem o criminoso Putin.
A forma como se utiliza os neurónios é que foi, e é, o diabo.
Mas a esquerda é o que é. Se o homem é culpado de abusos, a culpa é do neoliberalismo, como próprio teve o cuidado de avançar, ou, como, por ezemplo, anda para aí a dizer a Raquel Varela, provém de uma conspiração da direita, voire do Chega e apaniguados – que são todos os que não forem da esquerda. Não interessa, sequer, que as queixosas sejam todas de esquerda, a culpa é da direita e acabou-se!
Já o lobo dizia ao cordeiro: se não foste tu, foi o teu pai. E comeu-o.
18.4.23

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