Não falta quem escreva e pense sobre duas tendências, pelo menos aparentemente contraditórias, que vêm fazendo o seu caminho por essa Europa fora.
“Mais Europa”, mais integração, federação, dizem muitos, por velho ideal. Outros dizem o mesmo, por circunstância ou interesse. Outros ainda porque acham que não há outro remédio.
Paradoxalmente, um pouco por toda a parte surgem fenómenos centrífugos, destinados a pôr em causa as Nações que o século XX nos deixou. Ele é a Escócia, ele é a Catalunha, o País Basco, a Flandres, a Lombardia…
As razões que assistem a estas comunidades, ainda que com desculpas em diferenças linguísticas, históricas ou culturais, são sobretudo de raíz económica. A Escócia porque tem quase todo o petróleo britânico, a Catalunha, o País Basco e a Flandres porque têm mais peso económico que as outras regiões. O mesmo com a Lombardia, que agora parece mais “sossegada”…
Cada um analizará, e julgará, a legitimidade e a utilidade destas tendências como entender. Não é esse o propósito deste post.
Ouvi ontem o camarada Costa tecer altíssimos elogios ao seu correlegionário Carlos César, patrão político bem sucedido dos Açores (talvez o arquipélago mais chato do mundo), pelo menos pelo triunfo eleitoral do sucessor que nomeou.
Não sei o que fez Carlos César de bem pela região.
Sei o que fez de mal pelo país.
Por exemplo:
Inventou um “estatuto autonómico” especial, conseguiu impingi-lo ao Parlamento Nacional, e arranjou a trapalhice jurídica e constitucional que se sabe;
Desobedeceu à lei geral do país, no que diz respeito aos rendimentos dos funcionários locais;
Recusou receber um navio porque, após certas alterações do projecto, dava menos dois nós (dois nós!) de velocidade que o previsto. Os estaleiros públicos de Viana do Castelo entraram na maior crise da sua história. Enganados por Pinto de Sousa e pelo seu amigo Chavez, só lhes faltava esta insular birra. Em matéria de solidariedade com os seus concidadãos continentais, estamos conversados. Não sei que elogios merecerá este artista. Bom é que se lhe aponte o contrário.
Os independentismos nacionais chamam-se “reforço da autonomia”. Não têm o peso económico dos habituais reclamantes, sabem que a independência seria fatal. Mas o Estado, para eles, é coisa para odiar e chantagear, mas de onde sempre vem vindo alguma coisinha, algum privilégio, algum pagamento da “insularidade”. Ou seja, na cabeça dos césares, o “continente” funciona como contribuite líquido, não merece “solidariedade socialista” nem consideração de espécie nenhuma. Quanto mais os respectivos líderes políticos fizerem contra o país, mais se dão ao respeito, e mais exigem e sacam. É assim que pensam, sejam quais forem as desculpas que para tal arranjem.
É assim na Madeira, passou a ser assim nos Açores.
Portugal perde soberania por razões que toda a genta conhece. Razões que têm a ver com a sua dependência externa, mesmo que para tal cada um proponha “remédios” diferentes ou opostos.
Mas perdê-la internamente, para não ferir “sensibilidades” insulares, é coisa que ultapassa o minimamente aceitável.
20.10.12
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário