A opinião pública, devidamente incitada pelos media, é levada a crer que os fogos nas avenidas novas foram postos pelos respectivos proprietários.
Não se sabe se foram postos, ainda menos por quem. É notório que havia “okupas” nos prédios, é notório que cozinhavam e se aqueciam, lá dentro, com fogueiras. Quem foi? Quem dirá?
No caso da Elias Garcia, de que só resta a fachada, tem sido referido que o proprietário, que ali adquiriu três prédios, sendo um no gaveto da Av. da República, quereria construir um hotel. Anda há anos para trás e para diante na CML, tudo lhe sendo negado. Não se pode fazer ali um hotel. Porquê, se duas esquinas mais abaixo se está a construir um? Ninguém perceberá. Porquê, se na zona há dezenas de hotéis? A CML sabê-lo-á por ventura. Não se pode fazer um hotel porque se trata de um “conjunto edificado de interesse municipal”.
O prédio ardeu. O prédio ruiu. Para desgraça do proprietário, ficou de pé a fachada. Se foi ele que pôs o fogo, ou é incompetente, ou recorreu a tipos sem o devido profissionalismo.
Ninguém, a começar pela CML, sabe para que serve a classificação de imóveis de “interesse municipal”, a não ser para um efeito: fomentar a burocracia. Quem se dirigir à CML e perguntar por que carga de água lhe classificaram um prédio e o que é que isso quer dizer não obterá resposta outra que não seja a da total ignorância sobre o assunto. Total? Não! Dir-lhe-ão também que nem pensar em tocar no que é seu. Se o fizer, está feito, não se sabe ao certo porquê. Se pedir autorização para o fazer, então, passado um calvário de anos, acabará por desistir. Entretanto, o imóvel de “interesse municipal” vai-se degradando, restando ao proprietário pedir aos santos que se desmorone.
Se cair, de quem é a culpa?
Aqui, não tem o IRRITADO nenhuma dúvida. A culpa é da Câmara, repugnante selva onde a iniciativa tropeça, onde os cidadãos são perseguidos, onde impera a burocracia, se não coisas piores. A culpa é da lei do arrendamento, dos labirintos das leis de urbanização, da multiplicidade das instâncias, da multidão de organizações parasitas que, devidamente “certificadas”, enxameiam os processos com papéis, bonecos, vistorias e facturas.
Se perguntarem ao IRRITADO quem são os incendiários…
29.12.11
António Borges de Carvalho

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