Uma situação hipotética:
– O Presidente do Benfica manda partir as pernas ao Liedson;
– O Presidente do Sporting fica furibundo, mas não sabe como há-de responder porque olha para o espelho e se acha um tipo civilizado;
– O Presidente do Benfica informa que, se mandou partir as pernas ao Liedson, é porque, por uma questão de coerência e de fidelidade aos sócios, acha que o Liedson deve deixar de meter golos;
– O Presidente do Sporting fecha-se em copas, sendo de presumir que, na primeira esquina, dê cabo do canastro ao Presidente do Benfica.
– O Presidente do Benfica informa a imprensa que tem, com o Presidente do Sporting, uma “relação institucional impecável”.
Mutatis mutandis, é o que se verifica entre o Primeiro-Ministro e o Presidente da República:
O senhor Pinto de Sousa, para agradar à massa associativa, manda partir as constitucionais pernas do Doutor Cavaco. Mas, como é um tipo coerente, verdadeiro e patriota, acha que os que não pertencem à massa associativa, incluindo o doutor Cavaco, são irrecuperavelmente estúpidos.
E como, lá bem no fundo, está borrado de medo das possíveis reacções do Doutor Cavaco, acima de tudo com a hipótese de ele preferir fazer-lhe a vida negra a dar-lhe o presente de natal da dissolução da Assembleia, trata de dizer que a “relação institucional é impecável”, isto para tentar partir as pernas à reacção do ofendido.
O homem tem mais lata que uma fábrica de conservas.
A ver vamos quem será o verdadeiro estúpido no meio de mais esta monstruosa trapalhada.
22.12.08
António Borges de Carvalho

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