Numa notícia qualquer, referindo-se ao PC e ao BE, apareceu escrita a expressão “os partidos da extrema esquerda”.
Inúmeras virgens puras se indignaram com tal classificação, ao que parece ofensiva dos pergaminhos daquelas organizações. O espampanante presidente da câmara do Porto apressou-se a declarar que a “culpa” de tal “ofensa” era da agência Lusa. A agência Lusa espinoteou, ofendida. Não, não fora ela a autora da horrível expressão, foram uns tipos da câmara. Apanhado em falso, o senhor Moreira tratou, honradamente, de se retratar. Pediu as mais humildes desculpas à agência e aos “ofendidos”. Que horror, um seu funcionário ter escrito “extrema esquerda” como integrando tão gloriosas e intocáveis organozações democráticas!
O que se tira deste ridículo e saloio fait divers, é que, em Portugal, é politicamente incorrecto, ofensivo, desagradável, mal educado e quem sabe se criminoso achar que o PC e o BE são partidos da extrema esquerda. O que são eles afinal? O PC, fidelíssimo à ditadura do proletariado e aos feitos do Estaline e do Ulianov, como consta, não das patacoadas “democráticas” do Jerónimo mas dos editoriais do Avante, dos lamentos pela queda da URSS e do muro de Berlim, etc., não é um partido de extrema esquerda? O BE, legítimo herdeiro de maoistas enveroxistas, trotsquistas e socialistas revolucionários de vários matizes, não é um partido de extrema esquerda? Então, o que será um partido de extrema esquerda? O CDS?
Se o ridículo e a estupidez fizessem barulho teríamos por cá uma trovoda ininterrupta. Se a cobardia, a miufa, a indignidade, a ignorância, fossem flores, o país em geral e o presidente da câmara do Porto em particular eram intermináveis e floridos jardins.
4.7.18

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